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Pitty e Marcelo D2 se consagram no Video Music Brasil

05-06-2008

Pitty - o prêmio de melhor clipe do ano

Jamari França - Globo Online

   RIO - A baiana Pitty foi confirmada como nova sensação do rock brasileiro ao vencer o prêmio de melhor clipe do ano pela audiência na 10ª edição do Video Music Brasil da MTV para "Admirável chip novo", música-título de seu CD de estréia. Ela também venceu como melhor clipe de rock por "Equalize". Outro grande destaque da noite foi a bronca de Caetano Veloso, que fez duas tentativas de cantar ''Nothing but flowers'' com o ex-Talking Heads David Byrne, assolados por microfonias, ruídos da técnica e interferências outras. Lá pelo meio da segunda vez, ele pagou geral. "Olha pessoal da MTV, vergonha na cara. Vamos começar de novo e bota essa p* para funcionar direito para a gente cantar direito essa p*. Respeito. Vamos começar de novo....". E foi cortado para os comerciais. Na primeira vez, a microfonia comeu solta e também houve o corte para os comerciais.

   O apresentador Selton Mello tentou segurar da melhor maneira possível. "Estamos aqui tentando. É ao vivo. Vou chamar de novo esses dois caras sensacionais e agora quero ver essa p* funcionando," disse ele na terceira vez, ecoando Caetano. E funcionou às mil maravilhas. Foi o momento mais delicado e lírico da noite, uma canção suave com um arranjo minimalista, contra uma barulheira generalizada das outras atrações. E o pior é que as demais eram complicadíssimas, mil microfones, instrumentos, retornos e tudo funcionou bem. No mais simples, pifou. No final da noite, o rato de porão João Gordo mandou no microfone: "gostei do chilique do Caetano. Foi chilique de atitude."

   Marcelo D2 firmou seu CD "À procura da batida perfeita" como o mais premiado do Pop Rock Rap Brasil, levando três prêmios no VMB, um de fotografia (fotógrafo - Marcelo Corpani), o de melhor clipe de rap e de melhor clipe do ano na escolha do júri. Com isso, ele fica com um total de 10 prêmios: um multishow, três Tim e seis VMB em 2003 e 2004. O incidente com Caetano e Byrne foi a única nota destoante numa festa que correu muito bem durante quase três horas de transmissão ao vivo. Selton Mello brilhou como apresentador, ele tem presença para segurar todos os contratempos e imprimiu uma boa dinâmica ao prêmio, que teve uma produção eficiente, misturando material pré-gravado de micos do passado, animação e depoimentos, tudo entrando certinho sem contratempos.

   O produtor Tom Capone, morto num acidente de moto em Los Angeles no dia dois de setembro, mereceu uma homenagem especial e foi citado várias vezes. Maria Rita e Falcão, do Rappa, ambos produzidos por Capone lembraram dele. "Um cara maneiro, gordão, bacana, coração grande, que sempre apostava nas pessoas novas e tinha um sonho de fazer um selo Toca do Bandido para dar oportunidade aos novos," disse Falcão. Maria Rita emendou: "um cara generoso, sensível que abria as portas para todo mundo, que fazia a gente acreditar na gente". No telão passou um clipe com cenas de Capone com alguns de seus artistas, Frejat, Skank, Gilberto Gil e ainda com o filho recém nascido no colo."

   Os números musicais mereciam até virar DVD tal a mistura bem sucedida. O Sepultura atacou a instrumental ''Kaiouas'' acústica reforçado pelos tambores da Nação Zumbi, pelo paralama João Barone e por um quarteto de cellos, empolgando a platéia. O Skank se juntou aos Replicantes para cantar um hino do Punk Brasil, "Surfista calhorda" e depois atacaram de "I wanna be sedated", dos Ramones. Paralamas e IRA! reprisaram no palco, com muito mais pressão, a irada "Envelheço na cidade", que gravaram no Acústico MTV do IRA!, com direito a apresentação muito chique de Lulu Santos.

   Zeca Pagodinho atacou de ''Verdade'' com quatro vocalistas de luxo, Daniela Mercury, Vanessa Camargo, Vanessa da Mata e Paula Lima e ainda com os rappers Marcelo D2, BNegão e Black Alien, o trio Planet Hemp, fazendo a fusão de samba e rap que D2 está consagrando.

   No time dos apresentadores brilharam Marisa Monte, que disse ter sido a primeira atração do primeiro VMB, daí foi apresentar o prêmio de melhor clipe pop, vencido por ''Vou deixar'', do Skank, que o dedicou a Tom Capone. Pitty entrou com o lendário Arnaldo Batista, dos Mutantes, para entregar o prêmio de clipe independente ao grupo Ludov, que deslumbrou-se mais com o Arnaldo do que com o prêmio. Alex Band, o vocalista do grupo The Calling, ficou apagado ao lado da deslumbrante Fernanda Lima com um vestido transparente que mostrava os seios. Na platéia, entre meia música brasileira, também estavam os candidatos ao segundo turno da eleição paulista, Marta Suplicy e José Serra. Preta Gil e Syang fizeram cenas de agarração entre elas e com Selton Mello antes de entregar o prêmio de revelação ao grupo Dead Fish.

   As apresentadoras abafaram bem mais do que os apresentadores, faltaram uns galãs para fazer média com as mulheres. E muitas delas com vestidos curtos, como Marina Person, a top Fernanda Tavares, a própria Fernanda Lima e a insuperável Daniela Cicarelli, que entregou o prêmio de clipe do ano para Marcelo D2, desta vez por "Loadeando'' (no ano passado por ''Qualé''). Ela demonstrou que, quando está aqui, seu ego está em Madri, reivindicando que o prêmio passe a levar seu nome, já que o estava apresentando pela terceira vez. Não faltou um beijo na aliança de noivado dela com o jogador de um time espanhol...

   Também não faltou chumbo grosso na festa. Foi a estréia do novo grupo de Marcelo Yuka, ex-Rappa, o F.U.R.T.O. (Frente Urbana de Trabalhos Organizados), com um som que mistura eletrônica, batida afro e rock. Yuka começou falando num rapaz chamado Danilo, do subúrbio de Guadalupe, no Rio, que saiu de casa para trabalhar e nunca mais voltou. Slogans como ''Alca Não'' e ''Células tronco: esperança'' estavam estampados em instrumentos e camisetas, além de várias bandeiras do Movimento Sem Terra. A canção, "Entre o conflito e a indecisão" falava de violência, de ''cemitérios clandestinos de justiça'', das mães de Acari e da Praça de Maio. Yuka terminou com um pequeno discurso em que condenou a presença do secretário de Estado americano Colin Powell no Brasil e atacou a Igreja católica por se opor à pesquisa de células tronco que podem ser uma esperança para paraplégicos como ele e Herbert Vianna.

O Globo)


O chilique de Caetano

Aos gritos e palavrões, cantor baiano rouba a noite de premiação da MTV em cerimônia de poucos destaques

João Bernardo Caldeira *

Marcos Issa – Argosfoto/Divulgação 

 Caetano Veloso, com David Byrne: comprometidos pelo chiado e microfonia

   SÃO PAULO - Era para ser mais uma premiação dos melhores clipes na MTV. Mas, no meio do caminho tinha um irado Caetano; tinha um irado Caetano no meio do caminho. Assim, foi do cantor baiano a cereja do bolo de aniversário da 10ª edição do VMB - Video Music Brasil, realizada anteontem no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo. Caetano e o astro David Byrne, líder do extinto Talking Heads, tentaram cantar uma vez, mas o som falhou. Na volta, depois dos comerciais, a dupla tentou levar Nothing but flower até o fim, entre zumbidos e chiados horrorosos que eliminavam qualquer chance de se ouvir o emblemático cello de Jaques Morelembaum. O Brasil inteiro assistiu, em transmissão ao vivo, à boa performance de Pitty e Marcelo D2, mas também à perda de paciência ao microfone.

   - Olha, pessoal da MTV, vergonha na cara! Vamos começar de novo e bota essa p... para funcionar direito, para a gente cantar direito! Respeito! Respeito! A gente vai fazer inteiro! - disparou, dedo em riste, com a autoridade de sua longa história na música popular brasileira.

   Atordoada, a emissora apelou novamente para os comerciais. Ao retornar, a apresentação ocorreu sem problemas, mas o estrago já estava feito. Na platéia, adolescentes boquiabertos se juntavam à nata da música pop em silêncio, estupefatos com o chilique em rede nacional. Depois da cerimônia, na festa da premiação - sem a presença de Caetano e Byrne -, não se falava em outra coisa.

   Não fosse o episódio, o VMB teria sido salvo pelo desempenho divertido do ator Selton Mello como apresentador principal da premiação, de Daniela Cicarelli, que entregou pelo terceiro ano consecutivo o troféu da última das 15 categorias, a de melhor clipe escolhido pela audiência, vencida por Pitty.

   A falta de destaques poderia até sugerir que a própria MTV atrapalhou o som de Caetano para eternizar o aniversário. O evento não teve surpresas, frases de efeito ou heróis, como no ano passado. No VMB 2003, os reis da noite haviam sido Marcelo D2, quando seu disco de rap e samba ainda era uma novidade, e Charlie Brown Jr., estampado nos jornais como a nova voz da juventude roqueira. Dessa vez, os nomes mais premiados foram Pitty e, mais uma vez, Marcelo D2, que ganharam dois prêmios de peso cada um. O rapper levou também um prêmio técnico, de melhor fotografia.

   - Sei que o rock está na moda, mas se (depois do modismo) ficar só uma pessoa de toda essa galera, já terá valido a pena - agradeceu Pitty, sem muita inspiração, na melhor de suas frases.

   D2 pregou a paz e a fraternidade, citando a letra de sua música vencedora, Loadeando: ''uma coisa que a gente tem que ter muito no coração é amor''.

   O sabor de novidade ficou reservado ao F.U.R.T.O., nova banda de Marcelo Yuka, ex-Rappa, que apresentou uma música, sem título, do CD que sai em novembro. Foi uma estréia promissora, com cozinha sonora de peso e Mauricio Pacheco, ex-Stereo Maracanã, no vocal, com intervenção de Yuka em fraseados e num teclado. Ele também aproveitou para fazer ponderações sociais, na contramão do restante dos artistas, e criticou a Igreja pela condenação do uso da camisinha.

   A emoção ficou com a apresentação de uma das premiações pelo ícone mutante Arnaldo Baptista, e pela homenagem ao produtor Tom Capone, morto em setembro e lembrado ao longo da noite. Mesmo assim, João Gordo ainda voltaria ao assunto maior:

   - Gostei do chilique do Caetano. Foi um chilique de atitude.

   Também se apresentaram o Ira! com o Paralamas do Sucesso, o Sepultura com a Nação Zumbi e Black Alien. Para a história, no entanto, ficará registrado que 4 de outubro de 2004 foi o dia do chilique do Caetano no VMB.

* O repórter viajou a convite do festival

JB Online)


Os principais premiados do VMB 2004

Clipe do ano
Loadeando, de Marcelo D2

Melhor clipe segundo Audiência
Admirável chip novo, Pitty

Clipe de rock
Equalize, Pitty

Clipe de rap
Loadeando, Marcelo D2

Artista Revelação
Zero um, Dead Fish

Clipe pop
Vou deixar, Skank

Clipe de MPB
Tive razão, Seu Jorge

Clipe de eletrônica
Cotidiano, Marcelinho da Lua e Seu Jorge

Clipe Independente
Princesa, Ludov

Clipe Internacional
Numb, Linkin Park

Melhor Direção
O salto, O Rappa, dirigido por Bruno Murtinho e Sérgio Schmid  

JB Online)

 

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