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Gonzaga Leal homenageia Capiba

05-06-2008

O cantor Gonzaga Leal lança disco em homenagem a Capiba
 

   O cantor pernambucano Gonzaga Leal vai lançar o seu próximo disco com distribuição da gravadora carioca Biscoito Fino. O álbum é uma homenagem ao compoistor de frevos, valsas e missas Capiba, que comemoraria o centenário no próximo dia 28 de outubro. Participam do disco o pianista e arranjador Francis Hime, a cantora Olívia Hime, Luciana Rabelo (irmã de Rafael) no cavaquinho, Maurício Carrilho, no violão.

   Entre os músicos prata da casa estão Naná Vasconcelos, na percussão, Nenéu Liberalquino, na direção artística, Niltinho Rangel, contrabaixo, Mônica Feijó, vocais, e vários outros. O disco terá lançamento no dia 4 de novembro, com um show no Teatro Santa Isabel. No disco anterior, Gonzaga Leal homenageou o compositor Nelson Ferreira.

JC Online)


CAPIBA - Alma do Nordeste



Compôs mais de 200 canções. Deixou marca no carnaval. E, dizem estudiosos, depois dele a história da música pernambucana é outra.

   A família do interior de Pernambuco era conhecida como Capiba, no Nordeste sinônimo de jumento. O apelido veio do avô, baixinho e teimoso. Há cem anos, em 28 de outubro de 1904, nascia mais um Capiba em Surubim: Lourenço da Fonseca Barbosa. Um Capiba que se destacaria no frevo e de quem se diria que, depois dele, a história da música pernambucana é outra.

   Filho de Severino Atanásio de Sousa Barbosa, maestro, cantor, compositor e diretor de bandas musicais, Capiba aprendeu música com o pai. Aos oito anos, tocava trompa na Lira de Borborema. A família, de 12 irmãos, mudou para o Recife, depois se fixou na Paraíba.

   Aos 11 anos, Capiba aprendeu algumas valsas. Chegou a jogar futebol em times profissionais como o Am érica e o Campinense.

SUCESSO NACIONAL

   O pai queria que o menino estudasse. Aos 20 anos, em 1924, Capiba vai para João Pessoa. Grava a primeira canção, a valsa Meu Destino. Toca em cinemas, funda orquestras e conjuntos, compõe.

   Volta para o Recife em 1930, para trabalhar no Banco do Brasil. Monta a Jazz Band Acadêmica, orquestra que dominou os salões do Recife. A renda das apresentações ia para a Casa do Estudante. “Muito embora dormisse no quarto onde nasceu o grande abolicionista Joaquim Nabuco, não cheguei a assimilar seus conhecimentos e ensinamentos e, por isso, levei pau no vestibular daquele ano.”

   Aprovado no ano seguinte, formou-se advogado em 1938. Mas a música não lhe sai da cabeça. Há 70 anos, lançou o primeiro e mais famoso frevo, É de Amargar, vencedor do concurso do Diário de Pernambuco. Gravado por Mário Reis, é até hoje cantado nas ladeiras de Olinda e carnavais pernambucanos:

   Eu bem sabia / Que este amor um dia / Também tinha seu fim / Esta vida é mesmo assim / Não pense que estou triste / Nem que vou chorar / Eu vou cair no frevo / Que é de amargar.

   Nesta década lança outros grandes frevos, como Manda Embora Essa Tristeza, gravado por Aracy de Almeida; Quem Vai Pra Farol É o Bonde de Olinda; Casinha Pequenina; Gosto de Te Ver Cantando. Seu maior intérprete foi o pernambucano Claudionor Germano.

   Em 1943, compõe Maria Bethânia, gravada por Nelson Gonçalves, sucesso em todo o País. A cantora Maria Bethânia deve seu nome à canção.

   Passa a musicar peças, principalmente no Teatro de Estudantes de Pernambuco e Teatro Popular do Nordeste, fundados pelos escritores Hermilo Borba Filho e Ariano Suassuna.

DO FREVO AO ERUDITO

   Conhece o maestro Guerra Peixe em 1949. Estuda harmonia e composição. Chega a compor concerto para piano, flauta, violão, violino e violoncelo. “A música de Capiba é a alma do Nordeste. Jamais se afastou da tradição popular, da herança cultural coletiva da região onde nasceu”, definiu Guerra Peixe. Descobre a pintura. Pinta dezenas de quadros. Retrata cenas populares ou motivos religiosos. Tema favorito: brigas de galo.

   A partir dos anos 1960, participa de festivais de música. Faz sucesso com o samba-canção A Mesma Rosa Amarela, com letra do pernambucano Carlos Pena Filho.

   Em 1984, escreve a autobiografia Capiba – O Livro das Ocorrências. Aos 93 anos, é homenageado no carnaval do Recife. Meses depois, em 31 de dezembro de 1997, morre o mestre do frevo e da música brasileira. Deixa mais de 200 canções: frevos-canção, frevos de bloco, maracatus, frevos de rua; sambas, choros, valsas. Musicou poemas de Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Vinicius de Moraes, Ariano Suassuna e João Cabral de Mello Neto. Dizia: “Quem tem saudade não está sozinho, tem o carinho da recordação.”
 

Almanaque Brasil)

 

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