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05-06-2008
Diálogos verbais e virtuais marcam dois novos livros de Adriana Falcão Helena Aragão De um lado, a mãe. Dominadora, enxerida, brava. Divertida. De outro, as filhas. Exageradas, griladas, conectas. E também divertidas. No meio, a observadora Adriana Falcão, que, não à toa, se inspirou nas mulheres mais importantes de sua vida para escrever dois livros bem diferentes, mas com algumas coisas em comum: além dos lançamentos quase simultâneos, ambos têm como matriz o humor das personagens femininas. A comédia dos anjos (Planeta) é um romance centrado na figura de Dona Madalena, uma mãe que nem depois da morte deixa de se meter na vida da filha. PS beijei (Salamandra), escrito em parceria com a roteirista Mariana Veríssimo, filha de Luis Fernando Verissimo, flagra as ansiedades e intimidades de duas adolescentes por meio de uma intensa troca de e-mails. - O PS beijei tem muito do que ouço nas conversas com as minhas filhas, morro de rir com elas. Na Comédia, usei algo que imaginei para a minha mãe. Quando ela morreu, há mais de uma década, eu dizia que Deus ia ser tão infernizado que ia querer mandá-la de volta - conta, rindo, a escritora carioca de 44 anos, que tem no currículo a colaboração em roteiros de programas como Sexo frágil e filmes como A dona da história e hoje se dedica à série A grande família. A Comédia tem a marca registrada da roteirista Adriana: os diálogos rápidos e engraçados, baseados na tragicomédia das relações humanas. Ou, no caso, paranormais: Madalena é o fantasma intrometido de plantão no triângulo amoroso formado pela filha Edith, o namorado e o ex-marido. Com tanto travessão de diálogos, não é difícil imaginar que o romance possa render peça ou filme em breve - o que não seria de se estranhar, sendo obra de uma autora multimídia (seu primeiro livro, A máquina, fez boa campanha no teatro e está prestes a estrear no cinema, pelas mãos do marido João Falcão). Uma boa amostra do que ele pode render como dramaturgia será dada hoje, no lançamento (às 20h, no 00, na Gávea), que terá leitura de trechos por uma penca de atores, como os rapazes do Sexo frágil. - A invasão de uma mídia na outra é algo natural para mim. Já consigo perceber quando uma cena tem cara de filme, apesar de me achar incapaz de escrever um roteiro cinematográfico sozinha. É preciso muito discernimento para não se enrolar com essa alternação de veículos. Em PS beijei - que tem lançamento marcado para o dia 27, na Livraria da Travessa, em Ipanema - os travessões saem de cena apenas virtualmente. Os diálogos estão lá, mas reproduzidos de telas de computador. E justamente do jeito como foram escritos. Ela e Mariana Veríssimo assumiram, respectivamente, as personagens Lili e Bia, que não dão meio passo em direção ao primeiro beijo sem consultar uma à outra, por meio da internet. A identificação com as adolescentes é feita mais pela iconografia - sobram carinhas, fotos, letras coloridas - e menos por gírias. Foi uma opção. - Como a Mariana mora em São Paulo e eu no Rio, escrevemos o livro justamente como as personagens fariam: por e-mail. Mas preferimos não usar as linguagens de computador e as gírias de hoje, porque deixaria o texto muito datado - conta a escritora, que já tinha trabalhado com a parceira de escrita na série Retrato falado, do Fantástico. Para Adriana, nem o texto nem o tema correm risco de soar velhos no futuro. Ela acredita que o romantismo dará panos para manga em livros e roteiros de qualquer época, lugar e realidade. Seja ela espiritual ou virtual. (© JB Online)
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