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05-06-2008
Projeto e conceito da Fábrica Cultural foram apresentados ontem. Serão
precisos, no entanto, R$ 23 milhões para a sua conclusão. Governo tem R$ 2
milhões A diretora da Fábrica Cultural Tacaruna, Paula Peixoto, apresentou, ontem, para membros do Conselho Estadual de Cultura, o conceito e o projeto arquitetônico do futuro centro cultural pernambucano. O novo espaço, cujo projeto total está orçado em R$ 23 milhões, deve ficar parcialmente pronto em meados de 2006, mas não há nenhuma garantia, ainda, de que todas as etapas propostas sejam concluídas. O grande diferencial do projeto é a ênfase na formação cultural, apostando na construção de salas de aula, estúdios de música e área para ensaios cênicos, distribuídos em sete pavimentos. Os outros pontos de apoio da Tacaruna são o fomento à produção cultural – com espaços voltados para a gravação de CDs e a montagem de filmes – e a exposições de artes plásticas. “Queremos que os artistas ocupem a Fábrica, que deve atuar nos diversos campos das expressões artísticas, criando o ambiente propício para o entrelaçamento de culturas áreas de criação”, resume a diretora. A acompanhada do arquiteto que assina o projeto, Gustavo Bandeira, Paula Peixoto começou a explanação mostrando as etapas de restauração da Fábrica Cultural Tacaruna que já foram concluídas. Desde abril, o prédio conta com um telhado novo, em quatro águas, com duas camadas de telha de metal preenchidas com lã de vidro, para garantir melhor impermeabilização. “Nossa prioridade foi garantir a conservação do edifício, que é um patrimônio tombado do Governo do Estado. Depois, criamos um conceito de uso do espaço e elaboramos o modelo da Fábrica Cultural, com consultoria de Agnaldo Farias (professor de arquitetura e crítico e curador de arte). Agora, estamos apresentando o projeto para, em seguida, partir em busca de parceiros que nos ajudem a viabilizar a obra. Essa etapa de captação de recursos é um dos itens imprescindíveis para que o projeto da Fábrica saia do papel. Para se ter uma idéia, só a conclusão do prédio principal da Tacaruna deve custar pelo menos R$ 8 milhões, mas, para 2005, o Governo só está disposto a bancar R$ 2 milhões. “Sabemos que essa obra é uma prioridade, mas o Estado não pode parar por causa dela. Outros projetos precisam de verba também. O jeito é procurar outros parceiros”, resigna-se Paula Peixoto. Por causa disso, a diretora da Fábrica sabe que a gestão do centro cultural terá que abrir espaço para iniciativas privadas. O Governo do Estado sozinho não tem como arcar com a manutenção do edifício e viabilizar todas as ações culturais que ele é capaz de abrigar. Só dentro do prédio principal, estão previstas a instalação de espaços voltados para música, fotografia, cinema, design, moda, exposições de arte, biblioteca, um auditório e sala de reunião, entre outras áreas. (© JC Online) Projeto enfatiza espaços de produção cultural Uma pergunta ronda, de ventos em ventos, o meio artístico pernambucano: Qual o sentido de construir mais um complexo cultural como o Tacaruna se o Governo do Estado mal consegue dar conta dos equipamentos culturais que já tem? Há várias respostas possíveis, mas, provavelmente, a mais convincente delas diz respeito ao perfil de ocupação da fábrica, voltado para a formação de atores da cultura, proposto pela diretora do projeto, Paula Peixoto. Quando pensou no projeto da Fábrica, a diretora priorizou os núcleos de formação artística e cultural, que existiam desde os primórdios do projeto da Tacaruna. Sua proposta prevê a transformação da Fábrica num grande centro, de fato, de convivência, troca de experiências e fomento cultural. “É quando as pessoas se encontram que surgem novas propostas de criações coletivas. É disso que a arte se move”, defende Peixoto.Segundo a diretora, a formatação final da Fábrica Cultural Tacaruna é resultado de um somatório de forças. Além dos quatro projetos anteriores, Paula levou em consideração a consultoria do curador de arte Agnaldo Farias e a opinião de artistas pernambucanos. “O que se constatou é que o Recife não é uma cidade carente de centros de exibição de arte, mas de produção e formação. Um de nossos objetivos é preencher essa lacuna”, explica Paula. Por isso, além de receber os acervos da coleção Marcantonio Vilaça e do Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco, que deixa o prédio tombado de Olinda, a Fábrica será equipada com uma área voltada para programas de arte-educação, sete estúdios para ensaios de cantores e grupos musicais, estúdios de gravação, mixagem e masterização de CDs, estúdio de cinema e vídeo, ilha de edição, laboratório fotográfico, quatro salas de aula, quatro salas para sediar oficinas, suas salas para produção de moda, duas para produção de design e quatro ateliês para artistas residentes. Num segundo momento, se houver orçamento, o complexo ganha um espaço anexo, com dois pavimentos, com salas de aula, três áreas de ensaio para dança e duas para teatro e uma sala teatral com 420 lugares. Durante a apresentação do Conselho Estadual de Cultura, o poeta Marcos Accioly elogiou o projeto, mas lamentou a ausência de espaços voltados para a poesia e a produção literária de modo geral. Se viabilizados, esses equipamentos podem canalizar a produção cultural pernambucana, que realmente padece da falta de espaço de produção e, em vários casos, da falta de apoio institucional. Cabe aos artistas, agora, cobrar do Governo do Estado para que a Fábrica saia do papel. (© JC Online)
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