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05-06-2008
Everaldo Fioravante São 70 composições figurativas, em aquarela e em óleo sobre tela, trabalhos do início da carreira que durou cerca de 70 anos. "É uma retrospectiva de um período da trajetória do Cícero. Trabalhos de cunho surrealista, com teor onírico, lírico. Há até pinturas que estiveram na primeira mostra dele, em 1928, no Rio", afirma o galerista Waldir Simões de Assis Filho. Simões de Assis faz parte do Comitê Cícero Dias, instituição voltada à pesquisa e divulgação da obra do artista e que responde pela curadoria da mostra. O comitê é formado ainda pela viúva (Raymonde) e a filha (Sylvia) do pintor, além de Jean Boghici - romeno que foi pioneiro na profissionalização do mercado de arte no Brasil com a abertura em 1960 da galeria Relevo, no Rio. "A opção por mostrar obras dos anos 20 e 30, entre as quais há inéditas em São Paulo, é para jogar luzes sobre esse momento da carreira do Cícero. É a fase brasileira da trajetória dele, época em que esteve ligado ao movimento modernista nacional", diz Simões de Assis, que conheceu Cícero Dias em 1986, quando teve início a amizade que só seria interrompida com a morte do pintor. "Cícero Dias é uma artista brasileiro fundamental, nome importante da arte do século XX. Sempre esteve à frente de seu tempo e foi um experimentador, um homem de vanguarda. Mudou-se para Paris (França) em 1937, depois morou entre 1942 e 1945 em Lisboa (Portugal) para após retornar à capital francesa, onde morreu, aos 95 anos. Mesmo assim, ele nunca perdeu as raízes brasileiras. Sempre pintou o Brasil", afirma Simões de Assis, que mantém galeria com seu nome em Curitiba (PR) e é representante da produção de Cícero. Entre março e junho de 2005, a exposição será apresentada em Paris, na Maison de L'Amérique Latine. Depois volta para o Brasil, para o Museu Oscar Niemeyer (Curitiba) e também para Recife (local ainda indefinido), ocasiões em que a exibição terá um acréscimo de obras datadas dos anos 40 aos 80. Ao longo da exibição no MAB-Faap deve ser lançado um catálogo referente à mostra. "Ele traz por exemplo reproduções das obras, textos de época e depoimentos. É um material para estudo", afirma Simões de Assis. Carreira - Cícero Dias nasceu na zona da mata pernambucana, no Engenho Jundiá, município de Escada. A vasta carreira começou em 1928 e se estendeu até 1999. Foi primeiro figurativo, depois abstrato e finalmente voltou ao figurativismo - em determinado período da trajetória, trabalhou as duas vertentes. Ele foi amigo do pintor espanhol Pablo Picasso, que batizou sua única filha. Também era próximo do poeta francês Paul Éluard, de quem foi o guardião do poema Liberté, que teve cópias lançadas por aviões sobre a França ocupada da Segunda Guerra. Cícero Dias - Décadas de 20 e 30 - Exposição. No MAB-Faap - r. Alagoas, 903, São Paulo. Tel.: 3662-7198. Abertura para convidados: sábado, às 17h. Visitação: a partir de domingo. De terça a sexta, das 10h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 13h às 18h. Entrada franca. Até 3 de dezembro. (© Diário Online) Mostra de Cícero Dias privilegia figuras nordestinasGUSTAVO FIORATTI (© Folha Online)
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