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05-06-2008
Simone canta novas músicas de Ivan Lins no Canecão João Bernardo Caldeira Se atualmente Simone não lota mais estádios como na década de 80, não é por falta de um repertório consistente. De volta ao palco do Canecão, a cantora baiana apresenta hoje e amanhã as músicas de seu último disco, Baiana da gema, que tem recebido críticas favoráveis. No álbum ela visita músicas em sua maioria inéditas do cantor e compositor Ivan Lins em parceria com nomes como Paulo César Pinheiro, Aldyr Blanc e Francisco Bosco. O mercado mudou, não se vendem mais discos como antigamente - seu último trabalho, Feminino, de 2002, vendeu 53 mil cópias, um bom número hoje mas pouco para uma realidade que já passou. Mas a cantora segue firme, aos 31 anos de carreira.- As coisas mudaram muito para todos. A música tem um custo muito alto, existe hoje uma pirataria absurda, e eu não vivo à custa de um patrocinador. Adoraria ficar um mês inteiro em cartaz, como numa peça de teatro. Mas são poucos os que conseguem fazer shows para as massas, talvez só em gêneros como sertanejo e axé - analisa. No plano pessoal, as coisas também estão mudadas. No texto de lançamento do CD, o pesquisador Hermínio Bello de Carvalho aponta outro possível título para o álbum: Começar de novo. Para Simone, a cada momento se evolui. - Todo dia se aprende uma coisa nova. Tenho procurado errar menos, melhorar. Tento me desprender das coisas ruins. Então é sempre um recomeço. Na prática, isso fez com que ela buscasse novas maneiras de cantar. - Eu poderia ter, ao longo de minha carreira, gravado uns três tons abaixo do que costumava gravar. Mas os produtores sempre diziam que não ia ficar bom. Eu gostaria de ter explorado mais o lado grave de minha voz, não fosse talvez a minha falta de experiência. Já no primeiro disco, em 1973, a intérprete registrou uma música de Ivan Lins, e em trabalhos seguintes visitou autores como Chico Buarque, Geraldo Vandré, Caetano Veloso e Milton Nascimento, firmando posição na MPB. No entanto, devido à natureza de alguns arranjos e às gravações nos últimos anos de músicas de Julio Iglesias e Zé Augusto, foi dito que a cantora teria enveredado por uma fase mais popular. Simone diz tratar-se de um equívoco: - Queria entender por que as pessoas dizem isso. Eu nunca deixei a MPB. Meu repertório vai de A a Z: já gravei de Antônio Carlos Jobim a Zeca Baleiro. Acho muito ruim quando dizem que entrei para uma outra coisa, o que não é verdade. O humor resplandece quando o assunto é Ivan Lins. Ela conta que um dia esteve na casa do cantor, em Teresópolis, e ficou maravilhada com os poemas musicados por ele de poetas como Elisa Lucinda e Flora Figueiredo, e avisou: ''Se você não gravar eu gravo''. Logo estava iniciada a parceria que culminaria com o lançamento de Baiana da gema, título que se refere à expressão ''carioca da gema'', unindo a procedência de Simone com a cidade onde vive. Além de assinar as 13 canções do CD, Ivan Lins empresta a voz para algumas faixas e divide os arranjos com o pianista Gilson Peranzetta. - O Ivan está numa fase linda e produtiva. Ele senta no piano e tem uma facilidade maravilhosa para criar. A coisa flui por suas mãos. E o bom é que ele é igual a mim: todo organizado, com várias pastinhas separando as músicas. Também participam do disco Martinho da Vila, Zeca Pagodinho e Dudu Nobre. Simone diz que todos, além de Ivan, foram convidados para assistir à apresentação, mas não confirma se haverá alguma participação especial. - Meu palco está aberto. Mas eles foram de uma gentileza tão grande que não posso pedir mais nada - diz. A banda da cantora é formada por Ricardo Leão (direção musical e teclados), Waltinho Villaça (guitarra), Tavinho Menezes (guitarra), Caca Colon (bateria), Fernando Souza (baixo) e André Siqueira (percussão). No repertório, estão não apenas as novas canções como sucessos, entre eles Começar de novo e Jura secreta, além de músicas antigas de Ivan Lins, como Vieste e Vitoriosa. A trajetória pode ser longa, mas o friozinho na barriga, na hora de mais uma noite de estréia, é o mesmo. - Não tenho mais 30 anos. Tenho 54. Mas sinto nos nervos antes de entrar no palco, fico muito ansiosa nos dias anteriores. Gostaria que fosse mais tranqüilo, mas ainda não aprendi o truque. Se é que ele existe. (© JB Online) Obra de Ivan Lins na
voz da Cigarra (© O Globo)
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