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05-06-2008
Nova edição de 'Teatro completo', debates e filme reforçam obra de Nelson Rodrigues
Paulo Celso Pereira Depois de uma batalha no ano passado, a editora Nova Fronteira conseguiu manter os direitos de publicação da obra dramática de Nelson, enquanto as crônicas, folhetins, reportagens e outros escritos permaneceram com a Companhia das Letras. Um dos itens principais da renovação do contrato da Nova Fronteira era a reedição da obra completa e também das peças avulsas, que começaram a sair em formato pocket em abril, com Viúva, porém honesta, Álbum de família, Vestido de noiva e Senhora dos afogados. Além da nova edição em quatro volumes do Teatro completo, saem mais cinco peças avulsas: Perdoa-me por me traíres, Valsa nº 6, Boca de ouro, Os sete gatinhos e Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas ordinária. Para os lançamentos, a editora preparou a Semana Nelson Rodrigues, que começa amanhã e vai até sexta-feira no Espaço Cultural Eliseu Visconti, da Biblioteca Nacional. O evento discutirá diversos aspectos da obra dramática de Nelson e suas adaptações para o cinema (veja quadro ao lado). Entre os palestrantes estarão professores; especialistas; críticos, como José Carlos Avellar e Flávio Aguiar; e diretores teatrais, como Luiz Arthur Nunes, Antônio Guedes e Aderbal Freire-Filho. - Há toda uma geração que não leu nem viu Nelson encenado. O seminário pode ser uma iniciação a sua obra dramática. Suas peças refletem o modo de ser do brasileiro, com as questões existenciais da classe média e com cotidiano do país - explica a curadora do evento, Suzana Vargas. Uma das atrações mais esperadas da mostra será a apresentação de um clipe de 15 minutos do filme Vestido de noiva, baseado na peça homônima de Nelson e dirigido por seu filho Joffre Rodrigues. Nove anos depois do início do projeto, finalmente o filme está editado. Segundo o diretor, falta apenas a última mixagem: - Demorei muito para conseguir os recursos. Arrecadei apenas R$ 1,2 milhão dos R$ 6,8 milhões a que tinha direito de captar. Para realizar o filme, peguei empréstimos com um sócio americano e fiz economias. Sacrificamos uma série de luxos por trás da câmera para tê-los na tela. Espero estar com o filme pronto em dezembro. Mas será que toda essa movimentação tornou a obra de Nelson Rodrigues mais popular, mais lida? Para a gerente editorial da Nova Fronteira, Izabel Aleixo, se isso ainda não aconteceu, a publicação das peças avulsas vem atender esse objetivo: - A idéia é que esses textos se propaguem para o grande público. Por isso fizemos as peças também em pequenos volumes, com um guia que facilita o entendimento. Já o Teatro completo é para quem valoriza os detalhes editoriais e conhece a obra. Nele, mantivemos a consagrada organização temática das peças, inserimos outros textos de diretores e atores de teatro e colocamos um caderno de fotos das principais montagens. A medida pode ser importante para facilitar o acesso, mas para o diretor Aderbal Freire-Filho isso não mudará significativamente o número de leitores das peças. - A literatura dramática é pouco lida em qualquer país. É importante que haja a edição para quem quiser conhecer, mas as peças foram feitas para ser encenadas, não lidas. A obra de teatro é o meio, não o produto - arremata o diretor. (© JB Online)
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