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05-06-2008
Público lota Terreiro de Jesus para assistir a encenações Os bonequeiros transformam madeira, tecido e papel em personagens e os bonecos transformam artesãos populares em mestres de uma arte. No primeiro dia do Festival Sesi Bonecos do Brasil, milhares de pessoas mostraram que o teatro encenado por bonecos é uma arte capaz de atrair gente de todas as idades. Crianças, adultos e idosos lotaram o Terreiro de Jesus para assistir as atrações em três palcos. Duas horas antes do início da primeira apresentação, todas as cadeiras colocadas para o público já tinham sido ocupadas. Para gostos variados, bonecos de todos os tamanhos, formas e técnicas. Mamulengos e marionetes, manés-gostosos e personagens em luvas se alternaram em cena numa sucessão de espetáculos por um período de quatro horas. O festival, que tem grupos de seis estados brasileiros, foi iniciado com um desfile livre pelas ruas do Centro Histórico. O destaque foram os 30 bonecos gigantes do já tradicional Mamulengos da Bahia, representando personagens como Carmen Miranda, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jorge Amado e Rita Lee. "Antes eu fazia sozinho, mas hoje já preciso de uma equipe de seis pessoas para criar", afirma Elias Bonfim dos Santos, que iniciou na arte dos mamulengos em 1976. O Pelourinho foi decorado com alusões ao festival e uma grande equipe de produtores do evento e segurança foi mobilizada. As crianças mostraram um misto de fascínio e encantamento com os objetos que, manuseados pelos criadores, incorporavam o slogan "Tão Vivo que parece gente". A agente comunitária de saúde Lilian Brasileiro levou o filho Uirá, de 7 anos. Dos dois, era impossível distinguir quem estava mais impressionado. "Ele já tinha visto marionetes na escola, mas não com esse grau de refinamento", declarou. O estado de Pernambuco é considerado o mais representativo nessa manifestação cultural. A origem dessa arte no Brasil é identificada na Olinda do século XVIII. Não é por acaso que três grupos (Zé de Vina, Zé Lopes e Só-Riso) participantes do Festival são pernambucanos, enquanto Santa Catarina, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Bahia têm apenas um representante cada. O festival itinerante, que foi lançado em Aracaju, vai passar também por Fortaleza, São Luís, Teresina, Natal, João Pessoa, Recife e Maceió, mas sem a participação do grupo baiano, que foi convidado apenas para a edição soteropolitana. (© Correio da Bahia) Bonecos do mundo no Recife
DIANA MOURA BARBOSA O mamulengo é o típico teatro de bonecos pernambucano. Seus personagens ganham vida em apresentações de rua, em palcos improvisados por artistas populares. Apaixonada por essa vertente das artes cênicas, a publicitária Lina Rosa Vieira resolveu trabalhar para dar mais visibilidade às companhias que se dedicam ao gênero, principalmente no Nordeste, onde ela constatou que esses espetáculos não têm recebido o tratamento que merecem. Por isso, com o apoio do Sesi, Lina Rosa idealizou e produziu o festival Sesi Bonecos do Brasil e o Sesi Bonecos do Mundo. O primeiro iniciou no último fim de semana e deve circular por todas as capitais do Nordeste. O segundo acontece só no Recife e em Olinda, de 8 a 12 de dezembro e conta com um show de Antonio Carlos Nóbrega. A organizadora dos eventos explica que, além de divulgar mais a arte bonequeira, tem o objetivo de ressaltar a importância desse gênero teatral para a cultura pernambucana e criar um canal para que sejam fortalecidos os grupos que trabalham com títeres. “Esse é o tipo de atividade que mexe com a auto-estima e com a identidade dos artistas. A montagem de um festival de grande porte nesta área estimula a produção de novos espetáculos locais e dá aos artistas a sensação de que seu trabalho é reconhecido e valorizado”, destaca Lina Rosa. Por isso, logo na primeira edição do evento, quatro companhias internacionais foram convidadas para o festival. Vindas da Espanha, República Tcheca, Hungria e Peru, elas apresentam espetáculos de vários gêneros de bonecos, com diversas técnicas para a movimentação dos personagens. Entre as apresentações, há tanto peças para serem apreciadas em teatro como montagens de espetáculos de rua, incluindo nuances mais mambembes ou mais sofisticadas, de acordo com a proposta de cada companhia. E, vale uma observação, há obras cênicas que são voltadas exclusivamente para o público adulto. “Queremos mostrar também que o teatro de bonecos não é uma manifestação cultural que se resume ao Carnaval, nem é necessariamente infantil. É uma arte que tem vários níveis de complexidade. Para se ter uma idéia, o palco do espetáculo Sevé, da Zero Companhia de Bonecos, de Minas Gerais, leva 36 horas para ser montado. A peça vai ser apresentada no Teatro Santa Isabel”, argumenta Lina Rosa. Além dos espetáculos nacionais e internacionais, o festival ainda inclui uma feira de produtos voltados para o teatro de bonecos, exposição de bonecos de várias partes do mundo, mostra de fotografias, oficinas (voltadas para bonequeiros e arte-educadores) e um simpósio, onde o tema será discutido de forma mais aprofundada. As peças ao ar livre acontecem no Pátio do Mosteiro de São Bento, em dois palcos montados no local. As outras apresentações são no Santa Isabel. (© JC Online)
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