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05-06-2008
Prestes a fazer 80 anos, músico tem seu primeiro CD realizado com apoio
de gaitista Jefferson Gonçalves Sanfona de Boca. Não poderia haver título mais apropriado para o disco de José Tavares da Silva. Já com seus 50 e poucos anos, e mesmo sem conhecer os meandros da teoria musical, começou a soprar sua gaita e desenvolveu uma técnica que surpreende até para os mais letrados no assunto, na qual sola e se acompanha com um instrumento que cabe na palma de sua mão e que a ele foi incorporado. Tavares virou sinônimo de seu instrumento. Virou Tavares da Gaita. Prestes a completar 80 anos de idade, Tavares é um praticamente um estreante no mercado fonográfico. Explica-se: apesar do reconhecimento e de por várias vezes haver sido convidado para participar de trabalhos de terceiros, o disco do gaitista (natural de Taquaritinga do Norte e radicado há meio século em Caruaru) só ficava na promessa ‘de boca’. Foi preciso a sensibilidade de um ‘estrangeiro’ para tornar o sonho do humilde Tavares realidade. “Quando ele terminou de gravar, ajoelhou-se”, lembra o gaitista e produtor do álbum Jefferson Gonçalves, bluesman carioca que conheceu o artista pernambucano por meio do também músico e produtor Giovanni Papaleo e, entre os tantos que prometeram ajudar Tavares a gravar seu CD, foi o único que persistiu no projeto e conseguiu realizá-lo investindo recursos próprios. E o mais importante: sem descaracterizar o trabalho do autor. Gravado entre junho de 2002 e abril de 2003, Sanfona de Boca possui 18 faixas apenas com composições de Tavares da Gaita (exceto Forró dos amigos, parceria com Jefferson) e alguns diálogos que fazem do álbum mais do que um mero registro de suas músicas: tem o perfil de um documentário. Além de Tavares, ouve-se apenas a percussão de Lucivan Max e intervenções pontuais de Jefferson e do percussionista Airto Moreira, na já citada Forró dos amigos, do também percussionista carioca Marco B.Z., em Baião improvisado, e dos violões de seis e de sete cordas de Xande Rasec em Tocando sem os dedos e Xote miudinho. E só. O disco foi concebido para destacar o talento do autor. “Tavares não tem conhecimento de música, é intuitivo, mas tem um suingue e um ritmo próprio. É difícil tocar assim, fazendo a linha melódica e o acompanhamento. Eu aprendi alguma coisa, mas é muito difícil. Ainda não vi ninguém no mundo tocar dessa forma”, atesta o produtor. Segundo o próprio Tavares, o segredo de sua técnica foi “ficar no quarto, no banheiro, trancado, para ver a baixaria”, ou seja, para aprender a se acompanhar enquanto sola suas músicas. “Tenho esse sonho há muito tempo, de tocar as músicas que eu mesmo fiz e ouvir elas.” Tavares agora está feliz. Seu sonho está realizado. Ele mostra seu trabalho, ao vivo, nos dias 5 e 6 de novembro, no Sesc Pinheiros, em São Paulo, e dia 20, na Praça do Arsenal, Bairro do Recife. (© JC Online)
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