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05-06-2008
MARCOS TOLEDO Ao contrário do que muita gente possa pensar, os compositores Capiba (1904- 1997) e Edgard Moraes (1904- 1973), ícones pernambucanos, deixaram obras de imensa contribuição para a música brasileira – e não apenas para seu Estado natal, e, ao contrário do que muita gente também possa pensar, tais obras vão bem além do mero repertório de frevo, sobre os quais ficaram mais conhecidos. Tamanha importância pode ser medida pela série de homenagens que tem início na próxima quinta-feira, dia do centenário de Capiba. Eventos na Fundação Gilberto Freyre, no Museu do Homem do Nordeste, no Pátio de São Pedro e no Teatro Santa Isabel, e programas especiais na Rádio Universitária FM, estão confirmados para celebrar não apenas a passagem dos cem anos de Capiba, mas também de Edgard Moraes, nascido em 1º de novembro do mesmo ano. Na verdade, os tributos lembrando o centenário dos dois compositores começaram ainda em 2003, com um concerto no Teatro do Parque que abriu o ano de comemorações para Edgard Moraes. Em fevereiro deste ano, os dois músicos foram os homenageados oficiais do Carnaval do Recife e, no último dia 14, receberam tributo da Academia Pernambucana de Música. Com a proximidade das datas efetivas dos aniversários, as festividades se intensificam. Nascido em Surubim, Lourenço da Fonseca Barbosa, Capiba, era filho de pai maestro, orquestrador, arranjador, professor e intérprete. No Recife, integrou a legendária Jazz Band Acadêmica, da qual fizeram parte outros notáveis maestros oriundos do interior. Já nos anos 20, Capiba começou a se destacar como autor não apenas de frevo, mas também de valsas, serestas, guarânias, tangos, choros, foxtrotes, rags e peças eruditas. Apesar de haver sido consagrado com o ritmo símbolo do Carnaval pernambucano, é essa versatilidade que vem sendo destacada nas lembranças sobre Capiba. Dentre as homenagens desta e da próxima semana, a que mais denota esse aspecto é o lançamento do álbum Gonzaga Leal Cantando Capiba... E Sentirás o Meu Cuidado, do cantor Gonzaga Leal, no próximo dia 4. O disco traz o repertório menos conhecido do compositor e demonstra o prestígio que ele possui no meio musical nacional. Para realizar este trabalho, o cantor Gonzaga Leal conseguiu reunir um elenco respeitável que inclui nomes como os da cantora Olívia Himme, do pianista Francis Himme, dos violonistas Marco Pereira e Maurício Carrilho, do bandolinista Pedro Amorim e do percussionista Naná Vasconcelos. Com a autorização da família de Capiba, Gonzaga Leal conseguiu que compositores como Luiz Tatit e Hermínio Bello de Carvalho dessem versos a dois choros instrumentais: Relembrando Nazareth e Cem anos de choro (Amigo é casa), respectivamente. O álbum, que tem 14 faixas, foi gravado no Rio de Janeiro e no Recife e sai independente com 4 mil cópias. (© JC Online) Amigos falam com saudade e revivem suas músicas As homenagens ao centenário de Capiba e de Edgard Moraes contam com o lançamento de mais três discos. São dois do primeiro compositor e um do segundo, que integram a série Carnaval da gravadora Revivendo. O lançamento ocorre durante o evento 100 Anos de Capiba e Edgard Moraes, previsto para a próxima sexta-feira, no Museu do Homem do Nordeste (Casa Forte).A programação, que tem início às 9h, conta ainda com palestras dos compositores Marcelo Melo, João Araújo e Reinaldo Oliveira, exibição do vídeo Capiba e Edgard Moraes: Um Século de Música e Lirismo, e apresentação do Coral Edgard Moraes. Em outra fundação, a Gilberto Freyre, em Apipucos, Capiba é lembrado em outro evento no dia de seu aniversário, na próxima quinta. Lá, a programação começa às 15h com a abertura da exposição Capiba: Do Carnaval ao Armorial. Ao longo da tarde, segue com exibição de vídeos – um deles, Capiba Ontem, Hoje e Sempre, de autoria do cineasta Fernando Spencer, conversas com João Suassuna, Aldemar Paiva e Vanda Phaelante, e execução de músicas de Capiba por alguns de seus intérpretes – Expedito Baracho, Nadja Maria, Claudionor Germano e Clóvis Pereira. ‘GENERAL DA FOLIA’ – Nascido no bairro recifense da Madalena, Edgard Ramos de Moraes, a exemplo de Capiba, começou os estudos musicais ainda na infância, por sua vez influenciado pelo irmão mais velho, Raul Moraes (1891-1937). Compositor de valsas, choros, maxixes, baiões, sertanejas, maracatus, sambas e foxtrotes, no entanto, tinha sempre participação ativa no circuito carnavalesco da cidade, chegando a fundar vários blocos e a receber o título de ‘General Cinco Estrelas da Folia’. Esse seu lado folião é o destaque do tributo que o músico recebe no próximo dia 1º, no Pátio de São Pedro, durante o Grande Encontro de Blocos Líricos em Homenagem aos 100 Anos de Edgard Moraes. Nessa data, que foi instituída Dia do Frevo por lei municipal, a partir das 19h, além do encontro das agremiações haverá apresentações da Orquestra de Pau e Corda do Maestro Marco César e do Coral Edgard Moraes. no palco fixo do pátio. Edgard Moraes e Capiba são ainda, ao longo desta semana, motivo de reverências em duas atrações da Rádio Universitária FM. Na quinta, Hugo Martins, apresentador do programa O Tema É Frevo (todos os sábados e domingos, às 16h), comanda o especial Centenário de Capiba, das 14h às 16h. Além de tocar as músicas do homenageado, transmite depoimentos de personalidades sobre o compositor. No domingo, Miriam Leite apresenta uma edição especial de seu programa O Bloco Está na Rua totalmente dedicada a Edgard Moraes, às 8h. Durante uma hora, o autor será lembrado em 20 músicas por intérpretes como o Bloco da Saudade e orquestra de Oswaldo Borba. (M.T.) (© JC Online)
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