05-06-2008
Bernardo Araujo
De vez em quando, projetos culturais
trazem ao Rio manifestações folclóricas como o bumba-meu-boi e o tambor de
crioula, além de artistas contemporâneos de estados distantes e suas
criações que, de outra forma, as pessoas por aqui dificilmente conheceriam.
Isso é ótimo, mas fica restrito ao “de vez em quando”. Pois o intrépido
Hermano Vianna, fascinado pelo pop do Maranhão, pela música eletrônica do
Mato Grosso do Sul e pelo samba gaúcho, decidiu que todo mundo deve ter
acesso a tudo.
— Participei, como representante do
Ministério da Cultura, de uma reunião em que se discutiam os projetos que
pleiteavam patrocínio do Programa Petrobras Cultural, e quis conhecer tudo o
que era apresentado — lembra ele, que trabalhou para o MinC em 2003. — Então
pensei que a internet seria o melhor meio de disponibilizar as músicas, os
filmes e a produção em geral para as pessoas.
Uma revista eletrônica feita em todos os estados do Brasil
Como o projeto é virtualmente
incomensurável, Hermano já tem os passos iniciais bem pensados.
— O site vai ser descentralizado,
virá de todo o país — diz. — Quero começar com uma revista eletrônica, que
terá reportagens sobre a cultura atual de cada estado brasileiro.
A idéia dele é colocar o site no ar
já em fevereiro de 2005.
— É muito trabalho, mas acho que dá
tempo — diz. — Vamos angariando contribuições, aos poucos, e logo teremos um
conteúdo muito legal.
A fase seguinte é disponibilizar, na
rede, os projetos patrocinados pela Petrobras, que serão apresentados em
entrevista coletiva na manhã de hoje. Esta edição do Projeto Petrobras
Cultural tem um orçamento previsto de R$ 61 milhões. No futuro, Hermano
gostaria de congregar diversas empresas e iniciativas.
— Estive em Cuiabá e conheci o Espaço
Cubo, um lugar bancado por uma espécie de sindicato dos artistas de lá —
conta ele. — Cada artista dá uma porcentagem do que ganha, e o Cubo tem
salas de ensaio, é um lugar onde as pessoas se reúnem e ficam sabendo do que
está acontecendo. Imagine o intercâmbio que eles podem fazer com o resto do
Brasil!
Também está nos planos do irmão
antropólogo de Herbert Vianna a criação de comunidades relacionadas às áreas
e regiões diversas.
— O sucesso do Orkut no Brasil é uma
amostra de como as pessoas precisam de ferramentas para se reunir, discutir
assuntos em comum — avalia ele. — No site, os próprios usuários vão poder
determinar como e por que se reunir.
Ele combate uma noção consagrada no
meio cultural brasileiro.
— Acho errada essa idéia que se tem
de levar cultura a todo o Brasil — diz. — O país todo produz cultura, o que
temos que fazer é permitir que todo mundo a conheça. Fui a um forró na
periferia de Manaus e comprei um CD para a minha empregada, Maria, que é a
rainha do forró. Ela colocou o disco para tocar e sabia cantar todas as
músicas! As pessoas já encontram meios de divulgar sua produção. Minha idéia
é apenas facilitar isso através da internet, que hoje já está ao alcance de
mais gente, e muitas vezes com boa conexão.
Com a idéia — que, ele mesmo
ressalta, já existe em sites como o Trama Virtual, de música, e o Viva
Favela, que reúne comunidades — o patrocínio cultural será completo.
— Vamos tentar encontrar uma
ferramenta que permita ao Brasil conhecer o Brasil — conclui.
(© O Globo)
‘Blips’ e ‘pzóings’ do
Oiapoque ao Chuí
Um pouco da diversidade cultural que
se produz pelos rincões do Brasil atualmente estará no Centro Cultural Banco
do Brasil a partir da próxima semana. O festival Isto É Música?, programado
com a curadoria de Hermano, mostrará a música eletrônica de diversos estados
brasileiros, do carioca Chelpa Ferro ao paraibano Chico Correa, passando por
apostas como os mineiros Esquadrão e a dupla Roger Moore e Daniela Ramos.
— São 16 artistas de diversos lugares
do Brasil, como o Pio Lobato, do Pará, e o Marcelo Birck, de Goiânia — diz
Hermano. — Acho que as pessoas vão ficar muito impressionadas.
O festival terá a duração de quatro
semanas, sempre de quinta a domingo, no Teatro III do CCBB, no Centro. A
primeira semana terá Chico Correa, Pio Lobato, Obaachan (de Brasília) e
Chelpa Ferro, a partir do dia 11, respectivamente. Na semana seguinte, tocam
Anvil Fx (São Paulo), Marcelo Birck (Goiânia), Roger Moore e Daniela
Ramos/Laptropic (Belo Horizonte) e Observatório (Rio). Depois, a partir do
dia 25, é a vez do tara_code (Salvador), Satã Bárbara (São Paulo), Gerador
Zero (Rio) e Esquadrão Atari (Belo Horizonte). O festival termina, já em
dezembro, com Paulo Vivacqua/Monjope (Rio), Nery Bauer (Florianópolis), Ima
Metzaltzelin (Niterói) e Re:Combo (Recife).
(© O Globo)
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