05-06-2008
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Cena de Caetana,
durante apresentação no FIG 2004 |
A primeira
montagem pernambucana no festival – considerando que o Aprendiz Encena
antecedeu a abertura oficial – será Caetana. A produção do diretor
Moncho Rodriguez é levada à cena hoje e sábado ,
às 21h, no Teatro Apolo.
Nesta sua mais recente montagem,
que estreou no Festival de Inverno de Garanhuns deste ano, Moncho
Rodriguez continua a busca por defender um fazer teatral de identidade
nordestina. Desta vez, ele contou com a ajuda de um estreante em
dramaturgia, o poeta Weydson de Barros Leal, responsável pelo texto da
encenação.
O tema é um dos mais tratados no
teatro: a morte. Ela própria, em carne e osso, vem ao encontro de Benta,
rezadeira que já encomendou dezenas de defuntos. De certa forma, as duas são
parceiras: uma vem buscar e a outra despacha. O problema se dá quando a
primeira, a Caetana (como bem diz Ariano Suassuna em suas obras), vem atrás
da sertaneja e ela faz de tudo para despistar a visita indesejada.
Benta não é bem-sucedida no seu
intento de enganar a morte e é levada para o Reino do Encantado, espécie de
área comum a bons e maus depois da vida na terra. Lá, encontra cinco almas
que vêm tomar satisfações.
As personagens são vividas pelas
atrizes Fabiana Pirro e Lívia Falcão. A primeira vem se afirmando como
intérprete a cada novo trabalho e a segunda traz no currículo vários
trabalhos na cena local. Entre eles a peça Mamãe Não Pode Saber, de
João Falcão, e Lisbela e o Prisioneiro. Lívia atuou tanto na peça
como no filme de Guel Arraes.
Caetana estreou no último
Festival de Inverno de Garanhuns, fez algumas apresentações no Recife,
Olinda e em cidades do interior. A proposta é apresentar a peça
gratuitamente, em locais abertos e alternativos. Ontem, o espetáculo fez uma
apresentação especial, para presidiários da Barreto Campelo, em Itamaracá.
A encenação dura uma hora e vinte
e segue a escola do teatro mambembe, explorando o circo (o cenário lembra um
picadeiro), a literatura de cordel e o mamulengo. Os bonecos, manipulados
por Fabiana Pirro, entram em cena representando as almas que reencontram
Benta. São esculturas confeccionadas a partir de materiais reciclados e de
tecelagem.
Caetana – sexta e sábado, 21h. Teatro Apolo (Rua do Apolo, Bairro do
Recife, fone: 3224.1114)
(©
JC Online)
Galpão traz o teatro do bom humor
Publicado em 11.11.2004
Grupo mineiro abre festival de teatro, no Santa Isabel, com adaptação
de O Inspetor Geral, de Nikolai Gógol
JANAÍNA LIMA
As produções do Grupo Galpão são sinônimo de riso e música em cena. Até
as peças que não são comédias encenadas pela companhia mineira têm toques
de humor de uma forma ou de outra. E, quando a encenação é declaradamente
voltada para despertar o riso, como a atual O Inspetor Geral, a
certeza de diversão é garantida. É dessa forma, em ritmo de gargalhadas,
que começa o 7º Festival Recife do Teatro. A mostra abre às 21h, no Teatro
Santa Isabel.
É a segunda vez que o Grupo Galpão participa do evento. Na estréia, há
sete anos – isso porque o festival foi suspenso um ano –, eles
conquistaram o público pernambucano com duas montagens emocionantes: Um
Molière Imaginário e Rua da Amargura. A primeira foi encenada
na rua, no Bairro do Recife, num dos melhores momentos da mostra naquele
ano. Depois disso, o Galpão voltou à cidade em 2002, quando realizou turnê
nacional nos 20 anos da companhia. Romeu e Julieta e, novamente,
Um Molière Imaginário foram as atrações.
Agora, o Galpão apresenta uma montagem de cunho mais crítico (não que
Molière não ironize as mazelas da sociedade), sobre corrupção, desmandos e
hipocrisia. A peça mostra a ‘maquiagem’ que os poderosos de uma
cidadezinha russa tentam realizar para esconder seus erros de um tal
inspetor, que estaria visitando o local na surdina. No intuito de
descobrirem o temido censor, eles bajulam um pobre coitado, um funcionário
público que está de passagem na região. A comédia cresce à medida que o
mal-entendido vai se avolumando. A platéia, que sabe da verdade desde o
princípio, participa como cúmplice do forasteiro.
O espetáculo é fruto de uma parceria recente, com o ator e diretor
Paulo José. “Conhecemos o Paulo nas gravações do filme Primeiras
Estórias, de Pedro Bial, que foi rodado em parte em Minas e do qual
participamos. De lá para cá, nos aproximamos e hoje ele conhece o nosso
trabalho a fundo. Ele tem o projeto de gravar um documentário sobre o
Galpão. É uma pessoa maravilhosa, um homem que sabe tudo de teatro”,
elogia o ator Eduardo Moreira, porta-voz da companhia.
Segundo ele, Paulo José receou um pouco dirigir o texto O Inspetor
Geral, de Nikolai Gógol. O motivo é que o ator fez cenários e
figurinos de uma das montagens brasileiras mais famosas da peça, a do
Teatro Arena, nos anos 60. “Ele resistiu fazer de novo, então demos
voltas, estudamos outros textos. Mas, no final, concluímos que deveríamos
montar O Inspetor. É uma obra-prima da dramaturgia e nela está o
espírito de Gógol”, destaca o intérprete, que divide a cena com mais 10
atores.
A versão encenada é resultado da pesquisa desenvolvida pelo grupo com
várias traduções do texto (em português, inglês e francês), que data de
1836. “Foi um trabalho intenso de dramaturgia com o Cacá Brandão. Chegamos
à nossa versão”. O gênero de alguns personagens foi a principal mudança.
“A peça traz mais papéis masculinos, que transformamos em femininos”. A
trilha sonora é outro ponto alto. O elenco toca e canta em cena músicas
folclóricas russas, como Barqueiros de Volga.
(©
JC Online)
Luiz Marinho de
volta à cena
Publicado em 10.11.2004
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Jornalista Anco Márcio Tenório Vieira lança hoje, no Teatro Hermilo, a
biografia sobre o autor de Um Sábado em 30, um dos maiores sucessos do TAP
JANAÍNA LIMA
Mais um evento dedicado a lembrar o dramaturgo pernambucano Luiz
Marinho aquece o 7º Festival Recife, que só começa oficialmente amanhã. Na
véspera da solenidade no Teatro Santa Isabel, é lançado o livro Luiz
Marinho – O Sábado que Não Entardece, do jornalista Anco Márcio
Tenório Vieira. Ele autografa a obra às 19h, no Teatro Hermilo.
O lançamento da biografia de Marinho, editada em livro curto de 173
páginas, pela Coleção Malungo da Fundação de Cultura Cidade do Recife,
mantém a decisão do festival de publicar algo sobre ou escrito pelo
homenageado do evento. O mesmo já foi feito com o comediante Barreto
Júnior, há dois anos, e, no ano passado, com Osman Lins. Antes deles, o
festival lançou a obra completa de Joaquim Cardozo, que também já mereceu
tributo na mostra.
Diferentemente de Osman Lins, Luiz Marinho não é figura celebrada
nacionalmente. A produção teatral do escritor (14 peças) não está
acessível aos estudiosos, diretores e atores, já que 70% dela sequer foi
publicada. O livro de Anco Márcio, que é doutor em Literatura Brasileira e
vice-coordenador do programa de pós-graduação em Letras da UFPE, pode ser
o pontapé para uma revalorização da dramaturgia do autor de Timbaúba.
“Este é outro projeto que merece ser feito, mas que não será fácil. Luiz
Marinho alterava as obras com freqüência, então há peças com vários
finais, como A Última Ceia, por exemplo”, explica o professor.
No livro, Anco Márcio conta que o primeiro texto e o mais famoso de
Luiz Marinho, o clássico Um Sábado em 30, imortalizado pelo Teatro
de Amadores de Pernambuco (TAP), tem três finais.
A OBRA – Anco Márcio escreveu o livro por encomenda, no prazo de
90 dias. Durante metade desse tempo, ele pesquisou a obra do dramaturgo,
que só conhecia dos palcos. “Tive resistência no começo, porque só
conhecia as peças das montagens. Quando li os textos, me surpreendi com um
grande autor teatral e vi que não gostava era das encenações”, revela Anco
Márcio.
Neste ponto, o jornalista se aproxima dos pedidos deixados nas rubricas
das peças por Marinho. “Ele ressalta em muitas peças que o tom não deve
ser caricatural. É muito interessante isso porque ele começou a escrever
justamente por não gostar das caricaturas que eram feitas do matuto”,
completa o escritor, que vasculhou o acervo deixado por Marinho. “Ele
deixou um acervo muito bom, são mais de mil documentos. O problema é que a
maioria dos recortes de jornais sequer tem o nome do veículo”, diz.
No meio da papelada, Anco Márcio encontrou também vários contos
inéditos. “Não me demorei estudando eles, porque não era esse o objetivo e
o tempo era curto, mas é um material que também não foi publicado”.
Mais que uma obra útil para o público de teatro (pesquisadores, atores
e diretores), o livro de Anco Márcio se destaca por abordar parte
importante da história cultural do Recife, como as realizações do
Movimento de Cultura Popular. O começo do TAP e do Teatro Popular do
Nordeste, a fase mais produtiva de mestres como Hermilo Borba Filho,
Ariano Suassuna e Valdemar de Oliveira também são tratadas por tabela na
obra. A figura central, no entanto, é mesmo Luiz Marinho, que tem as fases
da vida, influências e carreira citadas em detalhes.
Além do livro, vale a pena conferir o último dia do projeto Aprendiz
Encena. É uma oportunidade única de conhecer uma obra não regionalista do
autor consagrado por narrar como ninguém o modo de vida no interior nas
primeiras décadas do século passado. A peça em questão no Hermilo é
Corpo Corpóreo, monólogo intenso sobre um homem solitário, confinado
numa casa com seus fantasmas. A apresentação é logo após o lançamento do
livro, às 21h.
(©
JC Online)
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