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HQCD, de Clériston, promove um diálogo entre linguagens

05-06-2008

O cartunista e músico Antônio Clériston

Compositor, cantor e cartunista concretiza projeto de transpor sonoramente e com fidelidade o universo das histórias em quadrinhos para um álbum musical

   O tão sonhado projeto do cartunista, compositor e intérprete Antonio Clériston de Andrade, acalentado ao longo de seis anos, de reunir quadrinhos e música, finalmente está pronto e faz valer todo o perfeccionismo de seu autor. O Projeto HQCD... E o Som Virou Quadrinhos traz um álbum caprichado que mistura proposta artesanal com impressão de alta qualidade e um CD no qual o músico e a sua Banda Dialógica transpõe sonoramente e com fidelidade o universo das histórias em quadrinhos (HQ).

   Formada por Clériston (voz, guitarra, violão e sonoplastia), Fred Andrade (guitarra e manola), Leopoldo Nunes (baixo e guitarra) e Ebel Perrelli (bateria), a banda interpreta canções compostas pelo autor entre 1991 e 2004. Temas que representam – mesmo os que não foram idealizados especificamente para o projeto – o universo dos quadrinhos, dos infantis aos adultos. Quem já leu HQ algum dia, certamente achará o que é cantado e tocado familiar.

   As letras, porém, funcionam como roteiro de HQs reunidas em um álbum que acompanha o CD. Para ilustrar as faixas, Clériston resolveu experimentar e entregou as letras para alguns dos principais colegas cartunistas do Estado. Assim, que cada história é ilustrada do álbum por figuras como Leugim (cognome de Miguel, deste JC), Samuca, Lailson, Cariello, Rinaldo, Mascaro, Lin, Felic, Jarbas, Greg, Flavão, Luciano Félix, Zizo, Arnaldo, Hélder, Marcelo Coutinho e do próprio compositor.

   O resultado do álbum é um trabalho bastante heterogêneo, quase tanto quanto o disco que, apesar de essencialmente de rock, flerta com maculelê, mangue, blues, frevo, baião e flamenco. Tudo, no entanto, de forma discreta. Repletas de riffs criativos, as músicas tiveram um trabalho de pós-produção que as enriqueceram com intervenções de samplers e teclados (do co-produtor e finalizador Paulinho Germano), além da percussão de Lulu Oliveira.

   Temas como o surpreendente Chapéu de touro (“... Ninguém quis comer sua noiva/ a não ser uma vez no Carnaval/ no oitão da igreja/ e no quintal/ da casa de um artista de Olinda...”) ganham arranjos especiais (no caso, de violão) de Fred Andrade. Clériston se vê surpreso com soluções como a que Marcelo Coutinho encontrou para Morte!, letra de 1996. “Eu nunca teria pensado algo assim”, confessa, feliz com o resultado original que, no fim das contas, é o predomina em todo o projeto. (M.T.)

Lançamento do Projeto HQCD... E o Som Virou Quadrinhos, com show de Clériston e Banda Dialógica. Hoje, a partir das 21h, no Armazém 14 (Porto do Recife). Ingressos: R$ 5 ou R$ 15 (com o álbum e o CD)

JC Online)


Encarte luxuoso traduz enredo das músicas para os quadrinhos

   Impresso como se fosse um caderno de estudante mais interessado em fazer a caricatura do professor do que exatamente estudar, o álbum E o Som Virou Quadrinhos é certamente um dos mais luxuosos encartes que a música popular brasileira conseguiu produzir. Criado a partir do disco, o livro de histórias em quadrinhos é uma das iniciativas mais criativas no mercado nacional de HQ desses últimos tempos.

   O mérito do álbum organizado por Clériston se dá por dois motivos: antes de mais nada, criou-se uma nova forma de lançar histórias em quadrinhos, como parte de um produto, de fato, multimídia. Segundo, o livro reúne a geração veterana de quadrinistas com as novas revelações do cartum pernambucano. Do já experiente Lailson, passando por Cariello (que hoje trabalha em São Paulo) até o jovem premiado Jarbas, vários puderam contribuir para o álbum (16 ao todo).

   Os desenhos são muitas vezes melhores que sua idéia sonora, e por si só, independente da música, já funcionam muito bem. O prêmio HQ Mix 2005 que se prepare, pois o álbum E o Som Virou Quadrinhos é um forte concorrente no páreo de lançamentos independentes. (C.A.)

JC Online)

 

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