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05-06-2008
Carlinhos Brown, 42, une percussão e eletrônica no álbum duplo `Candyall beat´, feito com o argentino DJ Dero "Como vai, rei Juan Carlos?". Antonio Carlos Santos de Freitas, o Carlinhos Brown, 42, sorri da graça do repórter ao lhe comparar com o dono do trono espanhol. É que desde o lançamento de Carlito Marrón (2003), o compositor baiano se transformou em pop star na Espanha, dividindo a parada do país europeu com Beyoncé, Norah Jones, Usher, Avril Lavigne, etc. Gravado para a BMG daquele país e editado em seguida no Brasil, onde foi ignorado, Carlito Marrón vendeu 150 mil cópias na Espanha e abriu caminho para Brown arrastar 400 mil pessoas pelas ruas de Barcelona, em maio último, no Fórum de las Culturas, e protagonizar com o cantor cubano Bebo Valdés o documentário O milagre do Candeal, de Fernando Trueba (Sedução). As boas vibrações hispânicas incluem também o sucesso internacional dos Tribalistas (com os parceiros Marisa Monte e Arnaldo Antunes) e o reconhecimento pelo trabalho social desenvolvido pelo artista na comunidade do Candeal Pequeno de Brotas. Brown recebeu o VI Prêmio à Cooperação Internacional, concedido anualmente pelo grupo financeiro CajaGranada. "Estou feliz com o meu trabalho na Espanha. Na verdade, comecei a focar o mercado espanhol quase dois anos antes de Carlito Marrón. Depois desse disco, teve Candyall beat, que vendeu 60 mil cópias e emplacou o single Mariacaipirinha no topo da parada e nas pistas de Ibiza, e há cinco semanas a trilha de O milagre do Candeal é o CD mais vendido lá", afirma. Batuque eletrônico - Lançado em junho na Europa, o álbum duplo Candyall beat chega às lojas brasileiras numa parceria do selo de Brown, o Candyall Music, com a major Universal. Feito em dupla com o DJ Dero, 37, um russo criado em Buenos Aires, o CD 1 de Candyall beat possui um título que entrega a senha para a compreensão de todo o projeto: Eletrônica artesanal. "É um disco artesanal com ritmo de eletrônica. Conheço Dero desde 1992, quando ele remixou Batucada, faixa que gravei no álbum de Sergio Mendes, e a música emplacou nas pistas da Europa. No começo de 2003, num aeroporto da Espanha, o produtor Tuti Gianakis me falou do desejo de Dero em gravar um álbum comigo. Foi ótimo e divertido fazer o CD", explica Brown. Entre junho e dezembro do ano passado, Dero veio oito vezes à "Salvador de Bahia" para gravar Candyall beat. Um processo coletivo que incluiu Léo Bit Bit, Boghan Costa, Nicolás Guerrieri e Gianakis (e mais 50 percussionistas). "Eu e Brown temos maneira parecida de sentir a música e vamos mostrar essa química no Carnaval baiano, num trio eletrônico", diz Dero. Mas, Brown, você não tinha preconceito contra a música eletrônica? "Não, nunca tive preconceito. O Fricote, com Luís Caldas, já tinha a eletrônica e, depois, em 1996, utilizei elementos da linguagem em Alfagamabetizado, minha estréia solo. Eu não curtia era que o ato de samplear, de apenas extrair as coisas boas de uma música, fosse sinônimo de eletrônica". O cantor não nega, porém, que o seu interesse pela e-music cresceu à medida que ele foi fazendo sucesso nas pistas da Europa e conhecendo DJs e produtores da cultura clubber. "Dandalunda (na voz de Margareth Menezes) já era eletrônica percussiva e Maimbê dandá, este ano, com Daniela Mercury, também", lembra o autor dos dois referidos hits do Carnaval baiano. Existiria alguma semelhança entre Candyall beat e Carnaval eletrônico, disco que Daniela Mercury lançou em fevereiro? "Não vejo. O disco de Daniela, embora tenha experimentações, trabalhou em cima de beats eletrônicos já conhecidos, como house, tecno, trance e drum''n''bass. Eu e DJ Dero experimentamos mais na tentativa de criar beats e levadas novas". O mix de percussão afro-brasileira e eletrônica soa mais orgânico em Candyall beat do que em Carnaval eletrônico, e o trabalho de Brown e Dero ainda recebe a influência de ritmos latinos e hispânicos. Puxado pelos hits Bocarriba (uma rumba contagiante) e Maria Caipirinha, o CD 1, Eletrônica artesanal, representa a face, digamos, mainstream do projeto. Por sua vez, Candyall beat club, o CD 2, é mais direcionado para os iniciados em e-music, dos DJs aos que se jogam nas pistas embalados por remixes. "O primeiro é o meu disco de samba. O segundo é techno-batuque, variando de acordo a tribo", manda Carlinhos, cada vez mais empolgado em levar a folia baiana para as pistas de dança e as ruas da Europa. Evoé Brown! (© Correio da Bahia)
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