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Gero Camilo impõe sua dramaturgia

05-06-2008

Gero Camilo

 

Ator foi a grata surpresa do primeiro fim de semana da mostra, com A Procissão. Hoje, ele apresenta sua outra empreitada, Aldeotas, no Barreto Júnior

JANAÍNA LIMA

   Uma das qualidades de um festival de teatro é dar a oportunidade ao público de conhecer trabalhos que dificilmente viriam à cidade sem o apoio de um evento de grande porte. Ou por serem produções caras, com elenco grande (como O Inspetor Geral, do Galpão) ou por serem trabalhos de atores independentes, que fazem do teatro uma verdadeira profissão de fé. É justamente nesse campo que está o ator Gero Camilo, que brindou o público com A Procissão (no Teatro Hermilo, sábado e domingo), e hoje estréia Aldeotas, no Teatro Barreto Júnior, às 21h.

   O ator, que se apresentou pela primeira vez no Recife, assina os dois textos, que seguem a escola do ator narrador, um dos pontos norteadores da mostra.

   O trabalho de Gero Camilo em A Procissão é forte, arrebatador. O espetáculo começou ainda na rua, defronte ao teatro, quando ele, já no papel do sertanejo Zé, convidou a todos para seguir com o seu grupo (ele e duas ‘anjas’). Foi em procissão que o público seguiu para o interior do teatro e se acomodou nas arquibancadas. Como tinha mais gente que lugar, alguns sentaram no chão.

   Foi só o começo da ‘brincadeira’. Em A Procissão, ninguém assiste apenas à cena, todos são personagens, romeiros, assim como Zé.

   O que se viu depois foi o trabalho de um grande ator. Fértil de idéias, sensibilidade e de olhar penetrante. Zé contou a sua história devagarinho, sobre o sonho da terra prometida. Ele e seus romeiros deixaram a cidade natal atrás de Tonho, que teve um sonho com o anjo e saiu atrás do lugar onde jorra leite e mel. Leite e mel, mais doce que a rapadura que o personagem viu nas mãos de um espectador.

   O tempo inteiro o ator provoca o público: pergunta se conhecem Tonho (“Não conhecem? Então o que estão fazendo aqui? Por que vieram atrás dele?”), depois, identifica conterrâneos já falecidos no meio da multidão. É entre recordações e improvisos, música e lágrimas que Gero Camilo tece uma teia delicada, na qual o ingrediente principal é a própria vivência do ator e da platéia.

   ALDEOTAS – O outro espetáculo que Gero Camilo traz ao festival de teatro também se desenvolve em tom memorialista. Em Aldeotas (hoje e amanhã no Barreto Júnior), o ator divide a cena com Marat Descartes, para enfocar o reencontro de dois amigos após anos afastados. Levi e Elias viveram juntos na infância, eram inseparáveis, parceiros de todas as travessuras. Ao crescerem, seguiram caminhos opostos: Levi era ‘grande’ demais para caber em sua aldeia e quis conhecer outras terras, conquistar espaços maiores e bem distantes da pequena Cotia das Fuças, onde viviam.

   Elias não teve a mesma coragem de sair de lá e ficou, vivendo ali mesmo, naquele mundinho de cidade pequena. O reencontro dos dois se dá por meio das lembranças do tempo de meninice, despertadas por um presente inesperado que Levi manda para Elias. Um dia antes de chegar à cidade, ele envia para o amigo uma peça de teatro que resgata as lembranças em comum dos dois, as aventuras e os sonhos.

   Aldeotas foi indicado ao Prêmio Shell nas categorias Autor e Ator (ambas com Gero Camilo), direção (Cristiane Paoli-Quito) e iluminação (Marisa Bentivegna).

   HOJE – Além da estréia de Aldeotas, o festival promove hoje a despedida da peça infantil Sinfonieta Braguinha, às 16h, no Teatro do Parque. De manhã, às 10h, no Teatro Hermilo, será realizada a palestra A Novíssima Dramaturgia, com os autores pernambucanos Newton Moreno e Luiz Felipe Botelho e ainda Gero Camilo.

JC Online)


"As Bastianas" reestréia em novembro no Oficina Boracea
 

Cena de As Bastianas, de Gero Camilo

da Folha Online

   Adaptação do livro "Macaúba da Terra", de Gero Camilo, o espetáculo "As Bastianas" reestréia no dia 13 de novembro no Oficina Boracea, em São Paulo.

   Quarta montagem da Cia. São Jorge de Variedades, conhecida por abordar temas que refletem o homem e a sociedade, "As Bastianas" foi concebida no Albergue Municipal Canindé, em um processo aberto de montagem e contato diário com a população do espaço.

   Encenada agora no Boracea, albergue com 17 mil m2 que abriga os catadores de papel, seus carrinhos e animais, a peça promove o encontro entre o público e os moradores de rua. A temporada encerra o projeto Tabajara-Boracea, desenvolvido desde novembro de 2003 com apoio do Programa Municipal de Fomento ao Teatro.

   Em "As Bastianas" as personagens fazem uma viagem pelo sertão nordestino em busca de uma identidade perdida. Interativa e itinerante, o espetáculo é apresentado ao ar livre. Por isso, quando chove a apresentação é cancelada.

   Dirigida por Luís Mármora, a peça traz no elenco as atrizes Ana Cristina Petta, Carlota Joaquina, Georgette Fadel, Mariana Senne, Patrícia Gifford e Paula Klein, além dos missionários Alexandre Faria, Alexandre Krug, Marcelo Reis, Rogério Tarifa e Walter Machado.

AS BASTIANAS
De:
Gero Camilo
Direção: Luís Mármora
Com: Cia. São Jorge de Variedades
Onde: Oficina Boracea (r. Norma Pieruccini Giannotti, 77, Barra Funda)
Quando: sábados e domingos, às 19h30 (a partir de 13/11)
Quanto: gratuito (retirar o convite no local a partir das 18h30; em caso de chuva o espetáculo é suspenso)

Folha Online)

 

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