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Memorial do Amor de Zélia Gattai

05-06-2008

Zélia Gattai
 

Este livro, que Zélia Gattai terminou de escrever aos 88 anos, em plena forma de sua espantosa juventude, foi inspirado na saudade, no amor, na amizade e na generosidade

Agência Carta Maior

   Zélia Gattai é a maior memorialista do Brasil. Autora dos inesquecíveis Anarquistas, graças a Deus, Códigos de família, entre outros, já vendeu mais de meio milhão de exemplares de sua obra no Brasil. Em Memorial do Amor, Zélia Gattai resgata novas memórias de sua vida ao lado de Jorge Amado na casa do Rio Vermelho.

   Ao lado de Jorge, Zélia viveu 56 anos. Destes, 40 o casal passou na Bahia. Juntos procuraram, compraram e moraram na famosa casa por onde passaram algumas das mais significativas personalidades do século XX. Depois da morte de Jorge, Zélia achou que não fazia mais sentido ficar ali e decidiu abrir a casa para a legião de amigos e admiradores do escritor baiano. A casa do Rio Vermelho será transformada num museu em homenagem ao homem da vida de Zélia, ao escritor mais brasileiro de todos.

   A idéia do Memorial Jorge Amado fez nascer este Memorial do Amor, livro que a autora terminou de escrever aos 88 anos, em plena forma de sua espantosa juventude. Inspirado na saudade, no amor, na amizade e na generosidade que permearam sua vida, Memorial do Amor é um livro simples e belo, que reflete a essência da vida de Zélia Gattai e de sua vida ao lado de Jorge Amado.

   Zélia Gattai estreou como escritora aos 63 anos, ultrapassando todos os obstáculos e consagrando-se como uma das melhores representantes da literatura brasileira. Anarquistas, graças a Deus foi seu primeiro romance e narrou a saga da família Gattai. Filha de imigrantes italianos que chegaram a São Paulo no começo do século, Zélia conta histórias da sua família, composta por anarquistas que pregavam a fundação de uma sociedade sem leis, sem religião ou propriedade privada, em que mulheres e homens tivessem os mesmos direitos e deveres. Como pano de fundo, a descrição do cotidiano de uma cidade em desenvolvimento.

   Filha e neta de imigrantes italianos, Zélia Gattai nasceu no dia 2 de julho de 1916. Aos vinte anos, casou-se em São Paulo com o intelectual e militante do Partido Comunista, Aldo Veiga, com quem teve seu primeiro filho, Luiz Carlos. O casamento a aproximou de renomados intelectuais: Oswald de Andrade, Lasar Segall, Tarsila do Amaral, Mário de Andrade, Rubem Braga, Vinicius de Moraes, entre outros. Em 1938, seu pai, Ernesto Gattai, foi preso pela Polícia Política e Social de São Paulo, durante o Estado Novo, o que fez Zélia se tornar cada vez mais atuante na vida política. Em 1945, separou-se de seu primeiro marido e conheceu Jorge Amado, durante o I Congresso de Escritores. Após um período de trabalho, militância e flerte, Jorge confessou seu amor por Zélia e os dois decidiram viver juntos. No ano seguinte, mudaram-se para o Rio de Janeiro, após o ingresso de Jorge na Assembléia Constituinte. Em 1948, Jorge e Zélia foram exilados e viveram na Europa por cinco anos. Nesse ínterim, nasceu Paloma, segunda filha do casal, natural de Praga. Neste período, o casal participou intensamente da vida cultural européia, ao lado de personalidades como Pablo Neruda, Nicolás Guillén, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Paul Éluard, Picasso, Fréderic Curie. No início da década de 1960, o casal mudou-se para Salvador, Bahia, bairro do Rio Vermelho. Em 1978, Jorge e Zélia, após 33 anos de vida em comum, oficializaram a união.

   Um ano após a mudança para a Bahia, Zélia lançou seu primeiro livro, Anarquistas, graças a Deus, um relato emocionante da vida dos imigrantes italianos na São Paulo do começo do século. Em 1982, com a mesma leveza de quem conta uma história para uma amiga, Zélia publicou Um chapéu para viagem, no qual conta histórias sobre o fim da Segunda Guerra Mundial, a queda da ditadura Vargas, a anistia dos presos políticos, a redemocratização do país. Senhora dona do baile, o terceiro livro, tem como cenário dois mundos separados por uma cortina de ferro e apresenta a seus leitores algumas das personagens mais importantes da História deste século. Seu quarto livro, Jardim de Inverno, reúne recordações do exílio e do continente europeu dividido em leste e oeste. A obra recebeu o Prêmio Destaque do Ano e acabou gerando um convite para uma visita à Rússia de Gorbatchev e sua mulher Raissa. Crônica de uma namorada, publicado em 1995, embaralha personagens reais e fictícios para contar as experiências e emoções de uma adolescente que descobre, na São Paulo dos anos 1950, o amor. Para o público mais jovem, dois livros: Pipistrelo das Mil Cores e O segredo da Rua 18. Em 1999, Zélia lançou A casa do Rio Vermelho, coletânea das memórias do casal e da casa em que viveram durante 21 anos. Neste período, freqüentaram a sala de visitas do casal Gattai-Amado os mais ecléticos convidados do Brasil, Europa e América, desde Pablo Neruda até Antonio Carlos Magalhães. Em 2000, lançou Cittá di Roma e em 2001 Códigos de família.

Memorial do Amor
Zélia Gattai
Editora Record
144 páginas
R$ 29,90

Agência Carta Maior)

Visite o site da Fundação Casa de Jorge Amado

 

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