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05-06-2008
Museu reabre com mostra reunindo 110 peças do seu acervo, incrementado
com obras de alguns dos melhores artistas brasileiros da atualidade A palavra ‘moderna’ que batiza o segundo ‘m’ do Mamam é extensiva no tempo ao qual ela se refere. Pois o Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, que está reabrindo, é agora mais do que nunca tão contemporâneo quanto moderno. O espaço apresenta seu mais novo montante de obras adquiridas, uma soma de 110 trabalhos doados por 44 artistas da mais fina estampa da arte contemporânea brasileira. O museu amplia seu acervo particular em mais de 10%, sendo assim um dos principais depositários do que há de mais recente na expressão plástica e conceitual do Brasil. Entre os artistas que doaram peças para o Mamam estão nomes importantes da arte contemporânea no País, como Cildo Meireles, Vik Muniz, Regina de Paula e, claro, boa parte dos nomes pernambucanos que já conseguiram um reconhecimento nacional e internacional por seus respectivos trabalhos. Entre eles, Paulo Bruscky, Gil Vicente, José Paulo, Eudes Mota, Guita Charifker e outros. Os trabalhos expostos foram doados nos últimos quatro anos da curadoria de Moacir dos Anjos, diretor geral do museu. Ele, que sempre deixou claro que é preciso dar uma importância extra para um acervo permanente, sem deixar de lado as exposições temporárias, tem agora a oportunidade de dar sua assinatura de curador na nova ‘biblioteca’ do Mamam. Percebe-se que boa parte dos artistas que entraram para a mostra já passaram anteriormente pelo mesmo museu, o que deixa a exposição com um certo ar de retrospectiva. Apesar dessa ‘sensação’, é bom destacar que muitos dos trabalhos nunca foram antes vistos em Pernambuco. “Não deixa de ser uma prestação de contas com o que venho desenvolvendo aqui e é também um resumo do que foram esses quatro anos”, explica Moacir. O diretor do Mamam ainda antecipa que, no fim do ano, lançará um inventário com imagens de todo o acervo. Da exposição que abre esta semana, o que se pode dizer é que se trata tão-somente de um dos melhores extratos da arte contemporânea já expostos no Estado. Reunidos pelos três andares do museu, nomes já consagrados da arte contemporânea como Antonio Dias e Guita Charifker dividem espaço com jovens cientistas do experimento conceitual, como Oriana Duarte e Lucia Kock, gaúcha que, ao lado de mais quatro jovens artistas, ganhou este ano o Prêmio CNI Sesi Marcantonio Vilaça. Apesar de representar inúmeras tendências da arte contemporânea, os trabalhos ganharam uma curadoria que divide a exposição segundo uma ordem guiada ora pelas semelhanças plásticas, ora pelos conceitos que as obras exprimem. De uma maneira geral, no entanto, o bom mesmo é observar a mostra por sua unidade aleatória, onde cabe tanto o enorme quadrado de dominós de José Patrício quanto o submarino invertido de Maurício Castro, escultura que somente é vista em sua posição padrão quando refletida em um espelho fixado no chão. Cabe também a pintura genial de Vik Muniz, que doou o quadro Sócrates, quase ao lado da brilhante interferência fotográfica de Albano Afonso, com uma tela de sua série de auto-retratos. Ganham destaque ainda trabalhos como o de Adriana Varejão, série pinturas de plantas com efeitos alucinógenos serigrafadas em azulejo e fixada em uma das paredes do Mamam. É a única obra que não poderá ser retirada do local e guardada. Um andar acima de onde estão os azulejos de Adriana, também montadas na parede, estão as roupas pintadas de Alex Flemming, artista que também doou duas telas de sua série com mapas e corpos. A maior parte dos trabalhos são datados do começo dos anos 90 para cá. Mas, como não houve qualquer tipo de critério cronológico, artistas como Cildo Meireles, com suas ‘coca-colas’ e Paulo Bruscky, com a arte postal, puderam doar trabalhos feitos nos anos 70. JUÍZO DE VALOR – Com o novo acervo adquirido, todo ele por demanda e pedido do próprio museu, o Mamam se firma como um dos grandes redutos da arte contemporânea nacional. No Nordeste, apenas o Museu de Arte Moderna da Bahia tem um acervo de porte semelhante. “Nós conseguimos criar o primeiro núcleo de arte contemporânea em um museu de Pernambuco”, afirma Moacir. A idéia dele é de que, a partir de agora, o Mamam consiga realizar ao menos uma exposição anual de seu acervo próprio. “Essa exposição se insere na vontade utópica, partilhada por diretores e curadores de museus de arte de todo o País, de que as exposições temporárias, por mais importantes que sejam para a formação visual das comunidades que os freqüentam, cedam aos acervos permanentes o lugar de primazia que hoje ocupam, passando a desempenhar um papel especulativo ou de releitura dos juízos de valor assentados por suas coleções”, resume ele no texto de apresentação da nova coleção. Após a mostra o acervo volta para a reserva técnica. Em tempo: o Mamam acaba de concluir um trabalho patrocinado pelo Instituto Vitae que modernizou o sistema de controle de temperatura e umidade do acervo técnico e deve concluir, até o fim do ano, a higienização e restauração do acervo em papel do museu. Serviço Coleção Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, doações 2001.2004. Rua da Aurora, 265, Boa Vista. Aberto de terça a domingo, das 12h às 18h. Ingressos: R$ 1. Até 30 de janeiro (© JC Online)
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