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05-06-2008
Editora também recauchuta quatro volumes da dramaturgia completa LUIZ FERNANDO VIANNA Em 2003, depois de disputa com outras editoras, a Nova Fronteira manteve em seu catálogo a obra teatral de Nelson Rodrigues. Em 2004, começou a refazer -para melhor- as edições das peças. Saem agora os quatro volumes recauchutados do "Teatro Completo" e mais cinco edições de bolso com peças avulsas, que se somam às quatro já lançadas. As outras oito estão previstas para 2005. As versões de bolso têm um fundamento comercial/educacional. Avulsas, as peças são vendidas com mais facilidade para as redes escolares. Por essa razão, há roteiros de leitura do professor Flávio Aguiar acompanhando as obras. Embora haja um texto fazendo um panorama da carreira de Nelson, falta uma cronologia detalhada que ajude os iniciantes. Mas ter as peças em livros do tamanho da mão e a bom preço já é fundamental para a difusão dos textos. Os lançamentos não estão seguindo a cronologia das peças ou os grupos em que elas são habitualmente divididas. Depois do lote que contava com as psicológicas "Vestido de Noiva" (1943) e "Viúva, Porém Honesta" (1957) e com as míticas "Álbum de Família" (1945) e "Senhora dos Afogados" (1947), agora é a vez da psicológica "Valsa nº 6" (1951) e das tragédias cariocas "Perdoa-me por me Traíres" (1957), "Os Sete Gatinhos" (1958), "Boca de Ouro" (1959) "Otto Lara Resende ou Bonitinha, Mas Ordinária" (1962). Ainda faltam algumas de suas
melhores peças: a mítica "Dorotéia" (1949) e as tragédias cariocas "A
Falecida" (1953) e "Toda Nudez Será Castigada" (1965). Mas a expressão "peças psicológicas" ainda é um recurso para reunir num livro coisas dispersas. "Viúva, Porém Honesta" é um caso isolado, pouco tendo de psicológica. E a otimista (daí o título) "Anti-Nelson Rodrigues" também tem características próprias. Magaldi já disse que sua divisão não era um cânone e poderia ser repensada. Como com a biografia "O Anjo Pornográfico", de Ruy Castro, e as remontagens recentes de suas peças, foi concluída a transição de Nelson da condição de maldito para a de gênio, talvez seja a hora de contestar algumas das "verdades absolutas" de sua obra. Até para mantê-lo como um clássico vivo, não uma bíblia de onde saem frases engraçadas. TEATRO COMPLETO DE NELSON RODRIGUES. Ed.: Nova
Fronteira. Quanto: R$ 42 (cada vol.). (© Folha de S. Paulo) Obra põe canalhice em perspectiva DA SUCURSAL DO RIO Se fossem escritos por mulheres, os cinco contos de "Meu Querido Canalha" provavelmente associariam esse importante tipo social a mau-caratismo e pilantragem. Como foram escritos por homens -e homens que entendem do riscado- os textos retiram o canalha do campo moral e põem em seu verdadeiro lugar: o amoralismo das relações entre seres humanos, todos falíveis e sujeitos aos clamores da fisiologia. É em sexo que pensam, na maior parte do tempo, os protagonistas das histórias de Ruy Castro, Carlos Heitor Cony, Geraldinho Carneiro (a partir de uma sinopse de Bráulio Pedroso), Aldir Blanc e Marcelo Madureira. E é assim porque são humanos, não porque são homens. O que os diferencia de outros segmentos do gênero masculino é que eles não se culpam por pôr em prática o que lhes passa pela cabeça. Seduzindo virgens, uma viúva de general, uma falsa irmã ou sete mulheres por semana, os personagens aplicam seus instintos com doses de inteligência, alguma elegância e até honestidade. Ninguém rouba ou bate. "Sou do bem", repete o cafajeste de Madureira; "O Bom Canalha" é o título de Carneiro. O único mal deles é amar demais. Se há mulheres que não gostam, paciência. (LFV) MEU QUERIDO CANALHA. Autores: Ruy Castro, Carlos Heitor Cony, Geraldo Carneiro/Bráulio Pedroso, Aldir Blanc e Marcelo Madureira. Editora: Objetiva. Quanto: R$ 25,90 (142 págs.). (© Folha de S. Paulo)
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