05-06-2008
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O economista paraibano
Celson Furtado |
Globo Online
SÃO PAULO - O economista Celso
Furtado morreu neste sábado, aos 84 anos, de infarto, em sua residência, no
Rio de Janeiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que seja
decretado luto oficial de três dias no país em homenagem ao seu amigo. O
corpo do economista - membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) e
considerado um dos maiores intelectuais brasileiros - está sendo velado
neste sábado na sede da ABL, no Centro do Rio. Segundo o ministro-chefe da
Casa Civil, José Dirceu, a presença de Lula está confirmada no velório. O
enterro será realizado neste domingo no Cemitério São João Batista.
Furtado era considerado o "pai" dos
chamados desenvolvimentistas, corrente que defende o planejamento econômico
de Estado, a maior intervenção do governo na economia e a flexibilização da
política de juros altos, de forma a promover maior crescimento econômico
mesmo que isso signifique um aumento relativo da inflação. A morte do
economista aconteceu dois dias após Lula ter demitido Carlos Lessa da
presidência do BNDES. Lessa é considerado um dos maiores seguidores das
idéias desenvolvimentistas de Furtado e opositor dos chamados monetaristas,
por darem mais ênfase à estabilidade de preços que ao crescimento econômico.
Essa corrente teria vencido a disputa política atual dentro do governo Lula,
o que tem provocado críticas dos aliados à esquerda.
Furtado participou diretamente do
movimento de apoio à permanência de Lessa na presidência do BNDES. Ele
assinou o documento articulado por uma frente parlamentar, ao lado de
políticos, empresários, professores de universidades e famosos como o
compositor Chico Buarque e o arquiteto Oscar Niemeyer.
O presidente Lula divulgou nota
oficial afirmando que recebeu com "enorme pesar e tristeza" a morte do
economista. Lula, na nota divulgada pelo Palácio do Planalto, disse que
"guarda os ideais" do economista, a quem chamou de amigo.
A cúpula do PT foi informada da morte
do economista durante encontro do Diretório Nacional, em São Paulo, e fez um
minuto de silêncio em respeito ao economista. Reunidos em Belo Horizonte, os
líderes do PMDB também prestaram essa homenagem ao intelectual.
Em nota, o PT afirma que a morte de
Celso Furtado deixa o país mais pobre "do ponto de vista intelectual,
político e ético". O partido afirma ainda que os ensinamentos teóricos e o
exemplo ético do economista serão referência para o partido, neste momento
em que é preciso pensar o projeto de desenvolvimento do país.
O ex-presidente do BNDES Carlos Lessa
disse que se sente "arrebentado" com a morte do amigo:
- O Brasil perdeu um brasileiro com B
maiúsculo.
Lessa lembrou que Furtado "foi alguém
que, mesmo tendo uma vida intensa, alcançado sucesso internacional e
reconhecimento no mundo acadêmico, nunca deixou de ser um sertanejo".
- Ele só deixou o Cariri no último
pau-de-arara. O Cariri dele era o Brasil. Um país que ele sonhava mais justo
para todos os brasileiros.
O ministro da Fazenda, Antonio
Palocci, que está em Berlim, na Alemanha, na reunião do G-20, divulgou nota
sobre a morte do economista Celso Furtado. O ministro lamentou a morte,
acrescentando que é uma grande perda para o país, pois Celso Furtado criou
legiões de admiradores e discípulos por ter sido o primeiro a falar sobre a
importância de se eliminar as desigualdades para alcançar o desenvolvimento
do Brasil.
- Ninguém superou Celso na
compreensão dos desafios regionais e do desenvolvimento nacional - diz a
nota.
O ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso lamentou a morte do imortal Celso Furtado e afirmou que o economista
foi um dos "grandes teóricos da América Latina".
- Tivemos uma convivência próxima no
combate ao regime autoritário. Celso Furtado foi um dos grandes defensores
da democracia. Era um homem generoso e deu uma enorme colaboração à teoria
sobre as assimetrias econômicas e sociais na América Latina - disse Fernando
Henrique, cujo governo foi alvo de duras críticas de Furtado.
(© O Globo Online)
Saiba mais sobre Celso
Furtado, o economista do social

O
Globo
Globo Online
RIO - Considerado o economista do
social, o paraibano Celso Furtado está entre os mais importantes economistas
brasileiros. Cotado no ano passado para o Prêmio Nobel, Furtado foi lembrado
pela amiga Maria da Conceição Tavares como o maior intelectual brasileiro
dos últimos tempos:
- Se houvesse justiça nesses
concursos, o Nobel de Economia seria dele.
Formado em Direito em 1948, terminou
o doutorado em Economia pela Universidade de Paris, com a tese "A economia
colonial brasileira". Em 1953 foi presidente da comissão BNDE-Cepal
(Comissão Econômica para a América Latina) avaliando métodos de planejamento
econômico.
Lecionou em Cambridge, Inglaterra, em
1958, e publicou em 1959 seu mais importante trabalho: "Formação econômica
do Brasil". Foi ministro do Planejamento do Governo João Goulart (1963/64) e
dedicou boa parte de sua vida à Sudene (Superintendência de Desenvolvimento
do Nordeste), que ajudou a fundar em 1959.
Em 1964, seguiu para o exílio e, na
França, a convite da Faculdade de Direito e Ciências Econômicas da
Universidade de Paris, assumiu a cátedra de professor de Desenvolvimento
Econômico, se tornando o primeiro estrangeiro nomeado para uma universidade
francesa, por decreto presidencial do general de Gaulle.
Em 1979, com a Lei da Anistia, volta
com freqüência ao Brasil, retoma a vida política e é eleito membro do
Diretório Nacional do PMDB. Em 1985, é nomeado embaixador do Brasil junto à
Comunidade Econômica Européia, em Bruxelas, Bélgica. Integrou também a
Comissão de Estudos Constitucionais, presidida pelo jurista Afonso Arinos,
para elaborar projeto de nova Constituição.
Em março de 1986 é nomeado ministro
da Cultura do governo do presidente José Sarney. Sob sua iniciativa, é
aprovada a primeira lei de incentivos fiscais à cultura. Em julho de 1988
pede demissão do cargo, retornando às atividades acadêmicas no Brasil e no
exterior.
Em agosto de 1997, Celso Furtado é
eleito para a cadeira número 11 da Academia Brasileira de Letras(ABL), pelo
conjunto de sua obra.
Em 2002, apoiou publicamente o então
candidato Luiz Inácio Lula da Silva, acreditando que era "uma grande chance
ter um candidato deste padrão". E elogiou: "eu admiro esse rapaz".
(© O Globo Online)
Economista
Celso Furtado morre no Rio, aos 84 anos
da Folha Online
O economista Celso Furtado morreu
hoje, ao meio-dia, em seu apartamento em Copacabana (zona sul do Rio), aos
84 anos, vítima de um colapso cardíaco. O corpo será velado na sede da ABL
(Academia Brasileira de Letras), para a qual ele foi eleito em agosto de
1997. O enterro será amanhã, às 11h, no mausoléu da ABL, no cemitério São
João Batista, em Botafogo (zona sul).
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29.set.2003/Folha Imagem |
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| O economista
Celso Furtado, que morreu hoje, no Rio |
Doutor em economia pela Sorbonne,
de Paris (França), Furtado foi o primeiro ministro do Planejamento da
história do país (1962-64) no governo do presidente João Goulart (1961-64).
Ele também ocupou a pasta da Cultura no governo de José Sarney (1985-90).
Entre suas realizações, está a criação da Sudene (Superintendência para o
Desenvolvimento do Nordeste) na década de 50.
Em uma de suas últimas manifestações
política, Furtado assinou um abaixo-assinado organizado por petistas e
personalidades em defesa da manutenção de Carlos Lessa no comando do BNDES
(Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que acabou demitido
na última quinta-feira (18).
Na última semana, o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva telefonou para o economista para explicar os motivos da
demissão de Lessa.
Em novembro do ano passado, o Senado
aprovou a indicação da candidatura de Furtado para o Prêmio Nobel de
Economia por suas teorias sobre os países em desenvolvimento, formuladas
principalmente na década de 60.
Minuto de silêncio
O anúncio da morte foi feito pelo
senador Aloizio Mercadante (PT-SP), autor de um requerimento que indicou no
ano passado o nome de Furtado para concorrer ao Prêmio Nobel de Economia. O
petista estava na reunião do diretório nacional do Partido dos Trabalhadores
em São Paulo. Os membros do PT prestaram homenagem ao economista fazendo um
minuto de silêncio.
Mercadante disse que Furtado era um
desenvolvimentista. "É um homem que nos ajudou em todo esse governo,
incentivando, apoiando, sugerindo caminhos", disse. "Não só este, mas todos
os governos democráticos do país tiveram de alguma forma a sua contribuição.
É uma perda irreparável."
O líder do governo no Senado também
lembrou que, em comum acordo com a economista Maria da Conceição Tavares,
foi Furtado quem indicou Lessa para presidir o BNDES.
Homenagem
Em junho deste ano, Furtado foi
homenageado durante a abertura oficial da Unctad (Conferência das Nações
Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento).
Na ocasião, imagens da vida de
Furtado foram projetadas em dois telões no auditório do Anhembi (zona norte
de SP), enquanto o secretário-geral Rubens Ricupero relembrava a trajetória
do economista.
Também foi apresentada, durante a
homenagem, uma rara imagem de Furtado como militar brasileiro enviado à
Itália para lutar na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
A Prefeitura de São Paulo mudou o
nome do Grande Auditório do Anhembi, onde aconteceu a Unctad, para
Economista Celso Furtado. O espaço foi reinaugurado, em um novo formato, por
ocasião do encontro da Unctad, em junho.
(© Folha de S. Paulo)
Saiba mais sobre a vida de Celso Furtado
da Folha Online
O economista Celso Monteiro Furtado
nasceu em Pombal, na Paraíba, no dia 26 de julho de 1920. Aos sete anos
mudou-se com a família para a capital do Estado.
Formado em direito pela Universidade
do Brasil (atual UFRJ), no Rio de Janeiro, em 1944, era doutor em Economia
pela Sorbonne, de Paris, e pós-doutor pela Universidade de Cambridge, na
Inglaterra.
Serviu na Força Expedicionária
Brasileira durante a 2ª Guerra Mundial, quando sofreu acidente durante
missão na Itália.
Entre 1949 e 1957 foi diretor da
Divisão de Desenvolvimento da Cepal (Comissão Econômica para a América
Latina), agência das Nações Unidas, em Santiago do Chile.
Em 1959 publicou o livro "Formação
Econômica do Brasil", hoje um clássico, e assumiu a direção da Sudene.
Foi o primeiro ministro do
Planejamento da história do país (1962-64), pasta que assumiu durante o
governo de João Goulart (1961-64). Com o golpe de 1964 foi cassado e
exilado.
Foi professor de universidades nos
EUA (Yale, Harvard e Columbia), na Inglaterra (Cambridge) e
França(Sorbonne), onde foi nomeado professor por decreto do presidente
francês Charles de Gaulle. Após a anistia, em 1979, voltou ao Brasil e, em
1986, assumiu o ministério da Cultura no governo José Sarney (1985-90).
Em 1997 foi eleito para a Academia
Brasileira de Letras e, em 2003 foi eleito para a Academia Brasileira de
Ciências.
Era doutor Honoris Causa pela
Universidade Técnica de Lisboa (Portugal), Universidade Estadual de Campinas
(São Paulo), Universidade Nacional de Brasília, Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, Universidade Federal da Paraíba, Université Pierre
Mendès-France (Grenoble, França), Universidade Estadual do Ceará,
Universidade Estadual de São Paulo e Universidade Federal do Rio de Janeiro.
(© Folha de S. Paulo)
Veja a bibliografia de Celso Furtado
da Folha Online
Um dos mais importantes intelectuais
brasileiros, o economista paraibano Celso Furtado, que morreu hoje em seu
apartamento no Rio de Janeiro, aos 84 anos, publicou mais de 30 livros,
traduzidos em diversos idiomas, inclusive chinês, japonês, sueco e polonês.
Ele é autor do clássico "Formação Econômica do Brasil", uma das principais
análises da história econômica brasileira.
Veja a seguir a lista dos seus principais trabalhos:
-"Economia colonial no Brasil nos séculos 16 e 17" ("L'économie coloniale
brésilienne", tese de doutorado, Universidade de Paris, 1948)
-"A economia brasileira" (1954)
-"Uma economia dependente" (1956)
-"Perspectivas da economia brasileira" (1958)
-"Formação econômica do Brasil" (1959)
-"A Operação Nordeste" (1959)
-"Desenvolvimento e subdesenvolvimento" (1961)
-"A pré-revolução brasileira" (1962)
-"Dialética do desenvolvimento" (1964)
-"Subdesenvolvimento e estagnação na América Latina" (1966)
-"Teoria e política do desenvolvimento econômico" (1967)
-"Um projeto para o Brasil" (1968)
-"Análise do modelo brasileiro" (1972)
-"A hegemonia dos Estados Unidos e o subdesenvolvimento da América Latina"
(1973)
-"O mito do desenvolvimento econômico" (1974)
-"A economia latino-americana" (1976)
-"Criatividade e dependência na civilização industrial" (1978)
-"Pequena introdução ao desenvolvimento, um enfoque interdisplinar" (1980)
-"O Brasil pós-milagre" (1981)
-"A nova dependência, dívida externa e monetarismo" (1982)
-"Não à recessão e ao desemprego" (1983)
-"Cultura e desenvolvimento em época de crise" (1984)
-"A fantasia organizada" (1985)
-"Transformação e crise na economia mundial" (1987)
-"A fantasia desfeita" (1989)
-"ABC da dívida externa" (1989)
-"Os ares do mundo" (1991)
-"Brasil, a construção interrompida" (1992)
-"Obra autobiográfica de Celso Furtado, 3 vol" (1997)
-"O capitalismo global" (1998)
-"O longo amanhecer" (1999)
-"Em busca de novo modelo, reflexões sobre a crise contemporânea" (2002)
-"Raízes do Subdesenvolvimento" (2003)
(© Folha de S. Paulo)
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