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05-06-2008
Avaliação pública da sétima edição, que levou 11 mil pessoas ao teatro,
indica amadurecimento da mostra e aponta para a necessidade de abrir o
evento para grupos estrangeiros Salas lotadas, ingressos a R$ 1,00, programação equilibrada, homenagens a Luiz Marinho e uma série de atividades paralelas voltadas para a formação de público e da classe artística. A sétima edição do Festival Recife do Teatro, que chegou ao fim ontem à noite, foi passada a limpo em avaliação pública no Teatro Apolo, reunindo desde o secretário de Cultura, João Roberto Peixe, aos coordenadores do evento, curadores, atores e público. Depois de anos equilibrando-se em programações irregulares, com altos e baixos, a mostra municipal atingiu a sua melhor performance, o que abre caminho para vôos mais altos: “É um processo pedagógico. A cada ano o festival cresce, oferecendo uma visão do teatro nacional. Estamos a caminho de fazer do evento uma mostra internacional”, anunciou Peixe. A empolgação do secretário de Cultura foi seguida pela do português Antônio Augusto Barros, diretor do festival Cena Lusófona, de Lisboa, pela primeira vez no evento. “Me surpreendeu a adesão do público. Este festival é uma porta aberta do teatro feito no Brasil e uma espécie de preâmbulo para a internacionalização. Particularmente, ele lança um desafio a Portugal e aos países africanos de língua portuguesa. Há uma clara disponibilidade para isso já no próximo ano”, revelou. Outro convidado internacional, Michelle Panella, do Intercity Festivale e Teatro Della Limonaia, de Florença (Itália), destacou o tema da mostra: Identidade e Contemporaneidade. “Acho que o tema foi ótimo para a cidade, que tem a particularidade de atrair os jovens. E o teatro permite discutir a identidade, não só nas peças, mas nas atividades paralelas. O meu festival criou conexões internacionais e assim desenvolveu a sua identidade. O de Recife está maduro e pode pensar nisso”, salientou. AVALIAÇÃO – Coube ao avaliador do festival, o gaúcho Clóvis Massa, traçar comentários minuciosos sobre os erros e acertos do evento. Massa foi convidado para acompanhar toda a mostra e redigir um texto crítico. Novamente o tema do festival foi um dos principais pontos positivos observados por ele. Segundo Massa, o festival acertou ainda ao colocar no centro da cena o ator, no papel de narrador, uma tendência observada na atual produção nacional. “O teatro se afirma como arte de comunicação, função que nunca deixou de ter, mas que vinha negando como hegemonia, ao se opor à estrutura dramática e à clareza da fábula. De ator-criador, que permanece sendo, de ator-bailarino, que há algum tempo tem sido, de ator-compositor, o ator de novo é, simplesmente, ator-narrador. O atuante reencontra as fontes que originaram o teatro, retoma a mesma função narradora das manifestações arcaicas da história do teatro ocidental, na Grécia antiga, e nas fontes folclóricas brasileiras”, analisou o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. O avaliador criticou ainda alguns pontos relacionados à infra-estrutura das casas de espetáculo. As arquibancadas do Teatro Hermilo, desconfortáveis, e o ar-condicionado do Apolo, desligado em algumas peças a pedido das produções, geraram incômodo ao público. Alguns erros na definição dos espetáculos para cada teatro também foram apontados. A peça Aldeotas exigia uma casa menor, devido ao clima intimista da encenação, e teria sido prejudicada por ter sido encenada no Teatro Barreto Júnior. A variada programação paralela do festival, com cursos, workshops e ciclo de reflexões foi uma unanimidade entre os participantes da avaliação (curiosamente não havia representantes das produções locais participantes do festival, a não ser do Aprendiz Encena). Atores e convidados salientaram a importância desses eventos para a formação da classe artística e como espaço para a troca de experiência entre encenadores e atores. OS MELHORES – O Que Diz Molero, Aldeotas, Agreste, O Inspetor Geral, A Mulher do Trem, Sinfonieta Braguinha. Esses foram alguns dos destaques da mostra, que contou com 16 peças. Algumas delas tiveram sessões com ingressos esgotados, especialmente as encenadas nos fins de semana. A comédia A Mulher do Trem foi a que obteve maior público numa noite tendo sido assistida por 917 pessoas na sexta. Em dez dias, o evento levou para as salas um público estimado em 11 mil pessoas. (© JC Online) Molero é diversão garantida em montagem inteligente PAULO SÉRGIO SCARPAO que faz de O que Diz Molero um espetáculo irresistível? Elementar, meu caro: um instigante texto de Dinis Machado, o grandioso cenário de José Manuel Castanheira e cerca de 200 personagens fellinianos e tipos humanos facilmente reconhecidos pelo público. E a marca da encenação de Aderbal Freire-Filho. O diretor não teve medo de manter no palco a íntegra do romance original português e “roubar” cenas chaplinianas, de filmes noir e do tipo B e até de histórias em quadrinhos famosas. Mas o que vale tudo isso sem a total integração de uma equipe de ótimos atores-criadores com os figurinos de Biza Vianna, com a fantástica luz criada por Maneco Quinderé e com a trilha sonora sempre em tom de comentário de Dudu Sandroni? Equipe unida jamais será vencida? Deve ser isso mesmo diante do sucesso que Molero fez no 7ª Festival Recife do Teatro Nacional. E o Teatro Santa Isabel, quase lotado, agradeceu com muitas palmas. Aos atores, por certo, cabe a maior responsabilidade pelo espetáculo. Entre eles, o fôlego descomunal de Chico Diaz, o mais conhecido do público pernambucano por causa da Globo, numa interpretação humana e despojada. Mas existem ainda Orã Figueiredo, o Zuca, que dá um invejável ritmo à peça, Augusto Madeira, que pratica um tragicômico suicídio em uma cadeira de rodas, e Cláudio Mendes, irresistível na criação de mulheres totalmente submissas a seus homens e maridos. Afinal, Morelo tem humor, lirismo e diversão garantidos. O texto, como não pode deixar de ser, tem altos e baixos. Pudera, com três horas e vinte minutos de duração não há quem consiga prestar total atenção ao que se diz e à intensa movimentação dos atores no palco. Pode até cansar um pouquinho, jamais fatigar e decepcionar. Espetáculo inteligente esse Molero! (© JC Online) Companhia carioca mostra estudo cênico Palco Giratório do Sesc apresenta Uma Coisa que Não Tem Nome (E que se Perdeu), da Cia de Teatro AutônomoUma Coisa que Não Tem Nome (E que se Perdeu) é título do espetáculo-estudo que a Cia de Teatro Autônomo, do Rio de Janeiro, apresenta a partir de hoje no Estado, pelo Projeto Palco Giratório do Sesc. Para compor a montagem experimental, o grupo, dirigido por Jefferson Miranda, trabalha o desencanto, o abandono e a perda de referência como aspectos centrais da encenação. Hoje o espetáculo pode ser visto no teatro do Sesc Santo Amaro, às 20h. Amanhã, é a vez do Teatro Capiba, no Sesc Casa Amarela, às 20h, na quarta, em Piedade, às 19h, na quinta, no Caruaru, às 20h, em Garanhuns, no domingo, às 20h, em Arcoverde, no dia 2, às 20h, e em Petrolina, no dia 3, às 20h. No Sesc Arcoverde, a Companhia também realizará uma oficina, nos dias 30 deste mês e primeiro de dezembro. As aulas abordarão o teatro como espaço de reflexão incondicional da vida, a cena composta por elementos heterogêneos e abordagens diferenciadas de atuação. GRUPO DA QUINTA – Hoje também tem início, às 20h, na unidade de Santa Rita, o projeto do Sesc O Circuito Rosa dos Ventos, que percorre todos os Sescs de Pernambuco. O trabalho é do Grupo da Quinta e surgiu com o lançamento do livro A Voz e a Palavra na Cena do Recife Hoje. O grupo é composto por alunos de Artes Cênicas e de Música da UFPE, que trabalham neste espetáculo a interpretação vocal e cênica. Alguns têm experiência em canto lírico, canto popular, execução instrumental e outros, além de teatro e dança. Na apresentação do projeto, o grupo explora um repertório de músicas brasileiras. Uma Coisa que Não Tem Nome (E que se Perdeu), hoje, às 20h, no Sesc Casa Amarela, Rua Prof. José dos Anjos, 1109, Mangabeira. Fone: 3267.4400 (© JC Online)
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