Notícias
Faces está mais vivo que nunca

05-06-2008

 
Áudio
» Perito em rima
» Mais sério do que você imagina
 

Banda do Alto José do Pinho anuncia o quarto CD, Perito em Rima, que flerta com o repente e reafirma o regional como fonte de inspiração do grupo

JOSÉ TELES

   Faces do Subúrbio volta ao disco cobrando o que lhe é de direito, ou seja, reivindicando o pioneirismo em ligar as rimas iradas do rap com os improvisos bem-humorados da embolada. “Perito em rima/ Improviso poesia, sina/ Representando com orgulho a nação nordestina”, jactam-se os rappers do Alto José do Pinho, na faixa que abre seu quarto CD Perito em Rima (com selo da ONG Alto Falante). Um disco que começa com um trecho de baião de viola.

   “A gente vê os caras falando nesta coisa do rap com o repente e cita Os Racionais. Ora, quem teve a coragem de chegar no Anhangabaú, em 1995, com um pandeiro foi o Faces. Neguinho achando que a gente era um grupo de pagode, e aí entramos com rap com embolada”, lembra Zé Brown. Apesar da viola no início do disco, os rappers do Faces ainda não participaram de desafios com repentistas, mas garantem que escutam de cantoria de viola a bregas clássicos como Evaldo Braga: “A gente insiste nessa coisa de regionalização porque tem mais a ver com a gente. Houve uma época em que eu não gostava de rap, porque achava que os caras se ligavam mais aos Estados Unidos. Agora, já vejo que o rap começa a ter uma cara nacional”, diz o guitarrista Oni. “É preciso valorizar nossa cultura. Com a gente não tem isso de ‘mano’, ‘ó nóis na fita’. Com Faces é ôxente, vixe, é o linguajar da gente”, acrescenta Zé Brown.

   Já Tiger garante que eles escutam tudo, do brega ao reggae popular de Edson Gomes: “Não me interesso muito pelo rap americano atual, porque, pelo que vejo na TV, aquilo é o Tchan!, com aquelas bailarinas com pouca roupa, igualzinho”.

   O grupo, ao longo de 12 anos de carreira, perdeu três dos integrantes da formação original, o que levou muitos a pensar que o Faces do Subúrbio tinha acabado. Mas eles garantem que nunca estiveram tão fortes e integrados com os três novos músicos da banda: Eduardo Slap (baixo), Perna (bateria) e o DJ Beto. “É um pessoal que a gente conhece há anos. Perna foi até roadie do Faces”, conta Brown.

   O grupo começa a fazer contatos com produtores do Sudeste para trabalhar o disco por lá. Aqui não tem data marcada para o show de lançamento. “No Recife, é complicado porque o pessoal acostumou-se a só fazer shows em festivais, na rua. Então, quando uma banda faz um show individual, cobrando, ninguém quer pagar porque já viu de graça. Ao mesmo tempo, isso de rua é bom, porque se está passando cultura para uma população que não tem condições de consumir”, diz Tiger.

JC Online)


Grupo atinge sua melhor fase em CD

   Perito em Rima é o disco mais bem-resolvido do Faces do Subúrbio. As bases são muito ricas, com timbres variados, e pouco samplers, (Deram uma sampleada em Enquanto engomo a calça, de Ednardo), e algumas participações especiais (Canibal, da Devotos, Isaar, ex-Comadre Fulôzinha, Marcelo Massacre, da MM Dub), a mais curiosa é a dos africanos, que viajavam clandestinos e foram atirados ao mar pela tripulação do navio. Um incidente rumoroso, acontecido em novembro do ano passado: “A gente os conheceu no Pátio de São Pedro. Daí começamos a levar um papo, a improvisar, descobrimos que eles também fazem rap. Então, convidamos os caras para gravar com a gente”, conta Zé Brown.

   Faces dos Subúrbios e os africanos estão na faixa Terra mãe, música que fala da África: “É uma das boas músicas do CD e das mais melodiosas. A participação dos africanos, em francês, é breve, mas está muito boa”.

   Brown garante que faz rimas de improviso e não admite versos quebrados. Isto, ele mostra na faixa de abertura, Perito em rima, na qual mistura com perícia o rap e a embolada. Mais sério do que você imagina volta a reforçar a importância do improviso. Assim como a maioria das faixas deste CD, esta também é autobiográfica, de cunho social e realça o orgulho de ser nordestino.

   A boataria do fim da banda eles desfazem em De volta ao cenário, na qual não apenas certificam que continuam na parada: “Faces do Subúrbio está de volta/ Dominando o cenário que está em sua volta/ A nossa luta é promissora/ O som é quente não é morno/ Agora agüente as conseqüências do retorno”, avisam, para irromper mais adiante numa embolada à Caju e Castanha.

   Um naipe de metais em Chega de sangue deve assustar os fundamentalistas do rap. A música tem uma vinheta com balanço funk, que se funde num rap cadenciado, e um riff que se repete ao longo da música, cuja letra fala da violência conhecida muito bem pelos integrantes do Faces do Subúrbio.

   Em vez de mudar para o Sudeste, o grupo optou por permanecer no Alto Zé do Pinho, ajudando a mudar a face do morro: “A melhor coisa nesses 12 anos de banda é saber de que condições nós viemos, e como somos agora respeitados na comunidade, como músicos. Todo mundo da banda hoje sabe muito bem o que quer”, diz Tiger.

   Faces do Subúrbio também foi pioneiro no rap brasileiro ao levar para o palco, além dos cantores e DJs, uma banda, provavelmente pela experiência de roqueiros que alguns integrantes traziam. Os ritmos regionais e o rock tornam o rap da banda diferente, e fazem deste CD um dos dos melhores lançamentos do gênero este ano (J.T.).

JC Online)

 

Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)


powered by FreeFind

© NordesteWeb.Com 1998-2004

O copyright pertence ao veículo citado ao final da notícia