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05-06-2008
InCité traz uma seleção do ótimo show que o pernambucano deu em Paris em abril Luiz Chagas A exemplo de Gilberto Gil e seu Eletracústico, Lenine também gravou ao vivo o seu mais novo CD. Mas, ao contrário do baiano, o pernambucano preferiu o risco do novo. InCité foi gravado em Paris com uma banda nova e sete das 12 faixas escolhidas são inéditas. A elas se junta Virou areia, composta com Bráulio Tavares há mais de uma década, que ele nunca havia gravado. A primeira vez que Lenine se apresentou no Cité de La Musique, magnífico complexo arquitetônico criado pelo badalado arquiteto Christian de Porzamparc, foi em 1999 no projeto Carte Blanche, a convite de Caetano Veloso. Em abril deste ano, os franceses deram “carta branca” para seu show, que terá também uma versão em DVD com mais oito músicas. O palco foi dividido exclusivamente com a baixista cubana Yusa, também responsável pelos vocais, e o percussionista argentino, radicado no Brasil, Ramiro Musotto. Curiosamente, o repertório é composto por duplas de parcerias – duas com Dudu Falcão em Todos os caminhos e Anna e eu, duas com Ivan Santos em Do it e Ninguém faz idéia e duas com Carlos Rennó em Vivo e Todas elas juntas num só ser. Outros encontros se deram com o velho amigo Lula Queiroga, com Tavares e com Paulinho Moska, em Relampiano. Na faixa Sentimental, Arnaldo Antunes se juntou a Queiroga, quebrando a fórmula bem-sucedida de InCité, um disco em que nada falta, nada sobra. A começar pela execução sóbria, apesar de a formação – um trio – sempre tender a prolongados solos. As músicas de Rennó e Santos são hits instantâneos. Para provar a aceitação do músico em Paris, a ovação de sete minutos que se segue a Marco Marciano, última música do show, foi incluída no CD. Só resta dizer OK, Lenine, você venceu. (© Revista ISTO É) DISCOS/LANÇAMENTOS
PEDRO ALEXANDRE SANCHES Talvez nem o próprio Lenine soubesse disso exatamente, mas seu novo disco chega para fechar a tampa da participação brasileira da multinacional BMG como ela era conhecida até agora. Entre a apresentação do DVD e CD "In Cité" pela BMG, na semana passada, e, agora, a fusão com a Sony chegou a um termo no Brasil, com uma onda de demissões apanhando em cheio a BMG. A casa teria perdido 15 funcionários (dentro de um total de cerca de 70), contra apenas um da Sony. Dos funcionários de alto escalão da BMG, restou apenas o diretor artístico Sérgio Bittencourt, de perfil mais popular. A Sony, ao que tudo indica, deve ocupar os principais cargos da nova Sony BMG -mas não responde apelos da Folha desde o início para comentar o novo panorama. A nova onda não atinge, por enquanto, os elencos das duas casas, mas o próprio "In Cité" de Lenine, 45, é resultado de transformações que vêm encolhendo a participação das multinacionais no negócio musical brasileiro. Abrigado e difundido pela BMG desde o seu álbum solo de estréia, em 97, o já veterano Lenine (que antes lançara discos em dupla com Lula Queiroga, em 83, e com Marcos Suzano, em 93) teve de reformular seu contrato para poder lançar "In Cité", gravado num show ao vivo na França. "Fiz um trabalho em euros, cercado de gente competente do Brasil que levei para lá, num ano que não foi fácil para ninguém. É um sonho de consumo para qualquer um", começa. "Eu e a BMG tivemos que encontrar uma maneira de viabilizar a parceria, que deve ser o modelo daqui para a frente", continua, referindo-se também ao selo Casa Nove, que ele inaugura e do qual a BMG cuida (ou cuidava) de marketing, promoção, divulgação etc. "Mas isso não é novo para mim, o disco "Olho de Peixe" [de 93, em parceria com Suzano] já foi assim, feito pela Mameluco [sua produtora, que hoje se desdobra também em selo]", completa, encarando os velhos novos tempos. À parte o emagrecimento da indústria, "In Cité" vem refletir uma pujança que não é de fábrica, mas de artesanato. É fruto de um namoro bem-sucedido entre Lenine e a França, que culminou em dois shows em abril deste ano, na casa parisiense Cité de la Musique. Lenine chegou ali integrado ao projeto "Carte Blanche", segundo o qual a casa de espetáculos dá carta branca a artistas convidados para criarem espetáculos exclusivos -antes, o único brasileiro convidado fora Caetano Veloso. Com um pé lá e outro no Brasil, Lenine formulou um projeto híbrido, que hoje origina o CD/ DVD "In Cité". Quase metade do material é feito de canções inéditas, que se somam a releituras intimistas de canções de seus álbuns passados. Híbrido, "In Cité" se acondiciona em parte no formato conservador "ao vivo", hoje hegemônico entre gravadoras e músicos brasileiros; de resto, belisca a ousadia e o ineditismo de canções programadas especialmente para o público francês. "Ele não difere dos meus outros discos, que são sempre muito autorais", defende. Lenine tenta desterritorializar diferenças: "Os curiosos franceses são iguaizinhos aos brasileiros. O que faço vem se cristalizando como um todo, não como uma música específica". A seu favor há o argumento de que, sob o desmonte da BMG, o CD/DVD "In Cité" foi concretizado graças a apoio oficial de Pernambuco, o Estado natal de Lenine. LENINE IN CITÉ. CD e DVD de Lenine. Lançamento: Casa Nove/BMG. Quanto: R$ 30 (o CD) e R$ 50 (o DVD), em média. (© Folha de S. Paulo)
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