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Quando o mundo é um brinquedo

05-06-2008

 

 

Infográfico
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Festival Sesi Bonecos do Mundo nesta final de semana, no Largo do Pátio de São Pedro, em Olinda, com mais três atrações internacionais, peças locais e show de Antonio Nóbrega

DIANA MOURA BARBOSA

   Não se sabe se a vida seria melhor se fôssemos todos bonecos – sim, porque manipulados, todos já somos –, mas certamente ela seria mais bela. Que tal ter o poder de voar, sentar no ar, dividir-se em pedacinhos para depois juntar tudo de novo? Essa é a graça dos espetáculos que fazem parte do festival Sesi Bonecos do Mundo, iniciado quarta-feira e que segue até amanhã (ver programação ao lado). O evento traz uma série de espetáculos de teatro de bonecos tecnicamente irrepreensíveis, que conquistam o público por parecerem extremamente reais, ao mesmo tempo que fazem coisas impossíveis aos humanos. Essa dupla condição dos bonequinhos – meio gente, meio mágicos – tem cativado pessoas de todas as idades, que têm lotado as platéias das apresentações.

  Hoje e amanhã, a programação está ainda mais animada, com espetáculos que acontecem ao ar livre, no Largo do Mosteiro de São Bento, na Cidade Alta de Olinda. Estão em cartaz neste fim de semana três peças internacionais e oito apresentações de cinco Estados do Brasil, sem contar com o show Lunário Perpétuo, de Antonio Carlos Nóbrega. Em meio a tantas produções de companhias respeitadas internacionalmente, fica difícil apontar as melhores, mas a peça Stop, do grupo Mikropòdium (Hungria) deve ser uma das mais disputadas. O trabalho tem protagonistas de até cinco centímetros de altura, bonequinhos que certamente vão cativar o público infantil e impressionar os adultos. Visualmente encantador é também o espetáculo Histórias da Carrocinha, da companhia gaúcha Caixa do Elefante.

   O Sesi Bonecos do Mundo também abre espaço para a prata da casa. E não poderia ser diferente, principalmente quando se considera que os mamulengos pernambucanos foram a primeira forma de teatro de bonecos surgida no Brasil. Estão em cartaz quatro atrações locais: A Cartola Encantada (Mão Molenga), Festança (grupo Só-Riso), e os mestres Zé de Vina e Zé Lopes.

   SOB A LONA – E para quem perdeu a primeira apresentação da companhia tcheca Karromato, que aconteceu na quinta-feira à noite, há uma nova chance de ver El Circo de Madera, amanhã, no Largo do Mosteiro de São Bento. Como o nome aponta, o espetáculo remonta uma apresentação circense, com palhaços, trapezistas, domadores de leões, cavalinhos e até malabaristas, com malabares que se movem mesmo, correndo os fios até a mão dos bonecos.

   Apesar da destreza dos três bonequeiros que comandam o espetáculo, se comparado à atração que abriu o festival (Antologia, de Jordi Betran), El Circo de Madera não empolgou tanto. Técnica e conceitualmente, o espetáculo não prende tanto a atenção da platéia quanto Antologia, que dosa melhor as cenas de humor e lirismo. Já o grupo tcheco fez uma apresentação animada, bem movimentada, mas num ritmo único, sem variações, que acaba por tornar-se cansativa para o público adulto. A apresentação é perfeita para a criançada, que se impressiona com a graça dos bonequinhos em forma de animais: leão, macaco e cavalo.

JC Online, 11.12.2004)

 

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