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Loucos por mais atenção aos seus trabalhos musicais

LanLan, durante show "Tresloucados"
 

João Pimentel

   Muita gente pode achar que o encontro entre Preta Gil, Davi Moraes e Lanlan surgiu no embalo dos Tribalistas ou coisa assim. Há quem questione o fato de suas carreiras estarem mais bem-sucedidas em páginas de revistas de fofoca por seus parentescos, por suas atitudes ou por suas relações pessoais. Mas ao juntarem força no show “Tresloucados”, que já apresentaram em algumas lonas culturais e mostram hoje, às 19h30m, no Rival BR, os três afirmam que suas carreiras vão bem, com as dificuldades previstas, e que a inspiração foi outra. Amigos desde os primeiros anos de vida, Preta e Davi cresceram em meio a ambientes de interação musical. Ela, presenciando o pai, o hoje ministro da Cultura Gilberto Gil, no antológico Doces Bárbaros, juntamente com Caetano Veloso, Gal Costa e Maria Bethânia. Ele, molecote, transitando no colo de Moraes Moreira entre os Novos Baianos Pepeu Gomes, Baby Consuelo, Galvão e companhia.

   — Formamos quase uma família. Eu, Davi e a Lanlan somos amigos desde pequenos. Crescemos e tomamos rumos musicais diferentes, mas sempre acompanhando o outro. A nossa motivação é a mesma de nossos pais. Músico gosta de interagir, mas o dia-a-dia afasta um pouco. Não é uma jogada. Nossas carreiras são algo à parte. Estamos começando. Por que não podemos juntar forças? — diz Preta.

   A idéia do encontro, segundo os três inevitável, surgiu numa temporada que Lanlan fazia com sua banda, Os Elaines, no Teatro Odisséia, na Lapa. No dia que Preta Gil foi dar uma canja, Davi, que fizera uma participação na semana anterior, estava na platéia:

   — Por acaso, nesse dia o baterista e o baixista da minha banda não puderam ir.Chamei o Gil e o Betão Aguiar, filhos do (Paulinho) Boca de Cantor, músicos tanto da Preta quanto do Davi. Quando vi, já estávamos no palco como se estivéssemos juntos há tempos, o que não deixa de ser verdade — conta Lanlan.

Davi lembra que seus discos são baseados na mistura

   Davi Moraes lembra que sempre fez questão da mistura de estilos, dos encontros. Antes mesmo de seguir carreira solo. O cantor e guitarrista, que já tocou com meio mundo da música brasileira: Marisa Monte (com quem namorou), Margareth Menezes, Ivete Sangalo (de quem se separou há dois meses, depois de dois anos de casamento) e Nega Giza, diz que a intenção é sempre romper barreiras:

   — No meu trabalho sempre teve essa coisa de misturar. Os meus dois primeiros discos são frutos dessa minha filosofia. Gosto da conversa saudável entre os instrumentos tradicionais e a eletrônica — diz. — O grupo tem a função de quebrar a onda solo para curtirmos em conjunto.

   E curtir em conjunto significa ficar o tempo todo no palco. Ou seja: quando Davi está mostrando suas músicas, Preta vai para o coro, juntamente com a irmã Nara Gil, e Lanlan acompanha na percussão. Quando Lanlan mostra as músicas de seu primeiro disco, Davi empunha sua guitarra.

   O repertório, além de trabalhos individuais dos três, inclui referências musicais dos anos 80. Os Tresloucados vão lembrar Luiz Caldas (um dos precursores, juntamente com Gerônimo, do que viria a ser a axé music) em “A nega”, e vão cantar sucessos de artistas do BRock como Ultraje a Rigor (“Dinheiro”) e Lobão (“Decadance avec elegance”).

   Os três não pensam em gravar discos ou sair em turnê, mas, em janeiro, vão se apresentar no Circo Voador e, em fevereiro, abrir o carnaval baiano do trio Expresso 2222:

   — Estamos fazendo o que dá na telha, nada para se levar a sério demais — diz Preta.

O Globo)

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