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 Bienal do Livro de Pernambuco explora os extremos da literatura

DA REPORTAGEM LOCAL

   Se habitar limites é um dos objetivos da literatura brasileira, se não de qualquer literatura, talvez ele esteja para se cumprir num local inusitado, fora de seus eixos habituais. De hoje até o dia 16, a 5ª Bienal Internacional do Livro de Pernambuco ocorre em um Centro de Convenções localizado exatamente na divisa entre as cidades de Recife e Olinda.

   E, obviamente, não será esse o único limite habitado. Outras relações fronteiriças, como a existente entre literatura nacional e local, nova literatura e literatura canônica, vanguardas e tradições, também podem se depreender da ampla grade de debates, palestras, conferências e oficinas que o evento- que se vangloria de ser a maior feira literária do Nordeste- oferece.

   Da programação do auditório principal, denominado com justiça Manuel Bandeira, homenagem a esse filho da terra, salta aos olhos a profusão de discussões sobre a realidade artística nordestina e pernambucana, como em debate sobre a obra de Gilberto Freyre ou na palestra "A Artéria da Poesia no Território da Mata", ministrada por Flávio Chaves.

   Por outro lado, a lista de convidados que têm se tornado nomes importantes no cenário da literatura nacional é extensa, contando com Luiz Ruffato, Cristóvão Tezza e Marcelo Mirisola, entre muitos outros. E, se é permitido um terceiro lado, valem destaque também nomes mais conhecidos, como Fernando Morais e Pedro Bial, ou outros mais tradicionais e antigos, como o do crítico literário Fábio Lucas ou o do próprio escritor homenageado pela Bienal, Marcos Vinícios Vilaça.

   Quanto à parte comercial, em grande medida a razão desse tipo de encontro, o organizador Rogério Robalinho espera que passem cerca de 350 mil pessoas pelos mais de 200 estandes, de 400 editoras. Uma movimentação de aproximadamente R$ 8 milhões.

(© Folha de S. Paulo)


Vacatussa lança segunda edição de zine na Bienal

Revista tem oito contos de variados temas
Do JC OnLine

   Um grupo de jovens escritores que se encontrou pela primeira vez na Oficina Literária de Raimundo Carreiro, em 2003, resolveu se juntar para discutir sobre literatura e avaliar seus próprios trabalhos. Um ano depois, estava criado o Vacatussa. A publicação dos contos ocorreu em maio último, quando foi lançado e distribuído gratuitamente o primeiro zine autoral. Nesta sexta (7), às 16h, a segunda edição do livreto ganha vida, no espaço Café Continente da Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, que se instala até dia 16 no Pavilhão do Centro de Convenções.

   A revista - em preto e branco - conta com textos de alguns dos fundadores do grupo - Joana Rozowykwiat, Mário Lins e Thiago Corrêa - e ainda com cinco colaboradores: Aline Arroxelas, Lula Oliveira, Paula Melo, Jacques Waller e Marcelo Pedroso. Já no editorial, algumas explicações sobre o material: diferente do primeiro, este zine não tem tema definido. "Cada um escreveu sobre o quis", disse Thiago. Os textos falam de solidão, amor, morte, dúvidas... são contados ora em diálogos curtos, ora em letras densas.

   As obras, anuncia o editorial, foram enviadas para vários artistas talentosos, que transformaram o conceito de cada história em belíssimas ilustrações. O projeto gráfico também mudou. Foi desenvolvido pela mooz, que chegou a criar as fontes denominadas Uno Leste, Oeste e Bats especialmente para a edição.

   Com recursos próprios, foram rodados 500 exemplares do Vacatussa, que serão distribuídos na Bienal. Depois do evento, o grupo informa que o zine pode ser encontrado em livrarias, bibliotecas, cafés e espaços culturais. A distribuição é gratuita

(© JC Online, 07.10.2005)

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