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O compositor brasileiro, autor de 240 obras de música clássica interpretadas por orquestras de todo o mundo, ganhou o Prêmio Ibero-Americano da Música EFE Madri - O compositor brasileiro Marlos Nobre ganhou hoje o Prêmio Ibero-Americano da Música Tomás Luis de Vitoria, concedido pela Sociedade Geral de Autores (SGAE), de Madri. O prêmio reconhece sua “maravilhosa trajetória criativa e a originalidade de seu pensamento sinfônico”, segundo o diretor de orquestra venezuelano José Antonio Abreu, presidente do júri que escolheu Nobre por unanimidade. O compositor, pianista e diretor brasileiro, nascido no Recife em 1939, atualmente preside o Comitê Nacional de Música IMC/Unesco. Nesta 6ª edição, concorreram ao prêmio 57 candidatos de 17 países. "É um prêmio que pode chamar atenção no país para uma atividade que parece que não existia no Brasil. Aqui, só querem se divertir com música dançante", disse à EFE. Segundo Nobre, autor de 240 obras de música clássica interpretadas por orquestras sinfônicas de todo o mundo, mas praticamente um desconhecido no Brasil, só é valorizado o fato de um compositor de música popular fazer uma viagem pela Europa, enquanto os compositores brasileiros mais eruditos são desconhecidos. "Tenho penetração no mundo todo, mas praticamente nenhuma repercussão no Brasil", afirmou o músico, que no exterior é considerado o sucessor de Heitor Villa-Lobos (1987-1959), o compositor clássico brasileiro mais conhecido no mundo. Marlos Nobre, o livre
(Matéria publicada no JB em 25.07.2004) A conversa gira em torno do ''espírito de iniciativa'', em matéria de vida musical. Alguém sugere que Marlos Nobre tome a frente de um ''esforcinho a mais'' para que o Rio de Janeiro saia do relativo marasmo em que se encontra. O maestro se exime: - Não, agora eu quero me dedicar apenas a minha música. Hoje com 98 números de opus em seu catálogo (total que quase chega ao dobro com os desdobramentos e adaptações destas obras, compostas em cerca de 40 anos de atividade), Nobre quer ficar ao largo do exercício do poder e das funções oficiais que acumulou nos anos 70 e 80, e que trouxeram muitos resultados, mas também dissabores e desafetos. A partir de sua base (o apartamento onde mora, em Laranjeiras, no Rio), as viagens e as turnês pelo mundo para divulgar sua música ou dar aulas e master classes de composição são sua principal atividade, fora a composição. Neste terreno, escreve no momento o seu terceiro quarteto de cordas, por encomenda do Quarteto Emerson, conjunto americano que está entre os mais prestigiados do mundo no nicho da música de câmara. Como compositor residente do Festival internacional de inverno de Campos do Jordão, Nobre criou uma Fanfarra que abriu o concerto da última sexta-feira, quando também se deu a estréia mundial de sua Kabbalaah, peça orquestral de grande energia e força, inspirada na multi-secular filosofia judaica da cabala. O próprio Marlos Nobre explica: - Eu queria compor uma peça extrovertida, não muito complicada, tendo em mente que seria executada por uma orquestra formada pelos jovens bolsistas do festival. Trabalhando com números cabalísticos e com o tema nacional de Israel, quis expressar a força magnética do que não se vê, daquilo que pode ser intuído no ocultismo da cabala, a magia do cérebro usada na imaginação criadora, e expressa em duas fontes essenciais do homem: a luz e a energia, títulos das duas partes desta composição. Festejado pela liberdade com que sempre combinou variadas técnicas (atonalismo, serialismo) a uma expressão que nem por ter elementos tipicamente brasileiros (especialmente no ritmo) pode ser considerada nacionalista, Nobre se diz hoje um compositor em fase de grande ''liberação mental'': - Hoje eu me sinto no domínio de diversas técnicas, com muita acuidade. Uso os materiais (o serial, o atonal, o politonal) com muita flexibilidade, conforme a necessidade que sinto. E neste nosso terceiro milênio a tendência é mesmo a liberação sonora e estilística. A responsabilidade maior do compositor é com ele mesmo, e não com alguma escola. Habituado a transmitir sua experiência em fóruns estrangeiros, como na Universidade de Yale, Marlos Nobre falou aos bolsistas do festival dos Dilemas do compositor contemporâneo, título de seu curso, abordando escrita e orquestração, forma e estrutura, a dosagem equilibrada das tensões e também a tradição, ''sobre a qual não pode ser feita tábula rasa, como julgam alguns criadores iniciantes'', diz ele. Dosagem de tensões e consideração do lastro pré-existente estão realmente inseridos em Kabbalaah, obra de tonificante expressão sonora, que confirma uma apreciação da música de Marlos Nobre registrada já na década de 80 pelo crítico Eurico Nogueira França. No texto de um ensaio, Nogueira França falava então da mesma ''vitalidade extenuante'' e de uma ''paroxística intensidade rítmica'' que o público do Auditório Cláudio Santoro pôde saborear e aplaudir dias atrás. (C.M.) |
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