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O escultor, pintor, desenhista, professor e ativista político Abelardo da Hora ganha, aos 80 anos, seu primeiro livro de arte no Ensaio com Abelardo da Hora, com texto do jornalista Weydson Barros Leal e fotos de Hans von Manteuffel. A idéia de registrar a iconografia e a biografia desse que é professor de uma geração de artistas pernambucanos foi de Pablo Magalhães, diretor da Publikimagem Comunicação, que se afastou em setembro do comando de sua agência para assumir a diretoria de Cultura da Prefeitura de Olinda. Idealizador do projeto, Magalhães se cercou de bons parceiros para imprimir 1.500 exemplares de um livro com 158 páginas, em papel couché 150 gr/m2, que será vendido a R$ 50 e distribuído para escolas públicas e de artes, bibliotecas públicas, arquivo público, universidades e faculdades. Funcultura, governo do Estado, Chesf e Gráfica Santa Marta, responsável pela impressão, participam com recursos do projeto. O jornalista Weydson Barros Leal passou três meses frequentando a casa de Abelardo da Hora, na Rua do Hospício, 307, no Recife, a quem chama carinhosamente de um “ateliê aberto para a rua”, por causa da quantidade de obras, maquetes e esboços espalhados pela casa. “Ele chegava a qualquer hora, conversava com meu pai, olhava as obras e via o artista trabalhando”, conta Abelardo da Hora Filho, idealizador do Instituto Abelardo da Hora, que pretende reunir a obra do artista, exibí-la em exposições críticas e fazer debates sobre o conjunto de obra deste que ainda influencia a nova geração de artistas plásticos em Pernambuco. ”Ali, cada escultura - no chão ou num pedestal - conta um capítulo, um instante de sua vida”, resume Weydson. “Naquele corredor (da casa), a história de Abelardo avança e recua, esconde-se no gesto de seus personagens e dissolve-se na eternidade de suas recordações”, pontua e completa o biógrafo. O livro é dividido em capítulos que marcam a vida de Abelardo: a Escola de Belas Artes do Recife, onde foi professor e ajudou a formar uma geração de pintores, a arte e a política, o envolvimento com o PCB, com Miguel Arraes e o Movimento de Cultura Popular (MCP), os anos que passou no engenho São João da Várzea, onde conheceu e ficou amigo de Francisco Brennand e Ricardo Brennand, o poeta maldito, a face de escritor do escultor, o Clube da Gravura, de onde saíram gravuristas como Gilvan Samico, o mais ilustre do País, o Sítio da Trindade, a experiência de levar arte ao povo, Meninos do Recife, a série que a ditadura militar mandou destruir, 1964 e depois, os anos de chumbo, a perseguição política, a prisão, os novos desafios, a renovação artística que não parece ter fim. O projeto do Instituto Abelardo da Hora é tão ambicioso que Abelardo da Hora Filho já está elaborando a realização de um segundo livro, ainda mais denso que o primeiro, sobre a obra do pai. O livro ainda não tem nome, mas tem prazo para ser lançado, o próximo ano. “Meu pai nunca se preocupou em catalogar as obras. Assim, estamos sabendo agora que suas obras estão em Campina Grande (PB), em várias cidades do Nordeste e espalhadas em coleções particulares no Brasil e no exterior”. Por isso, prevê que a pesquisa deverá ser intensa para catalogar o maior número possível de peças. Ele lembra que Abelardo da Hora teve, até agora, apenas um livro tratando de sua obra - uma brochura impressa há décadas pela Prefeitura do Recife, de autoria do artista plástico Paulo Bruscky, chamada Abelardo de todas as horas, com fotos em preto-e-branco. E para quem pensa que Abelardo da Hora está parado aos 80 anos, o filho adianta que o escultor inaugura, no próximo dia 28, às 16h, o Monumento ao frevo, na frente do Aeroporto dos Guararapes, obra de 2005 adquirida pelo prefeito João Paulo (PT). E que somente este ano já terminou outras quatro esculturas - batizadas de Agreste, Busto de mãe, Cabeça de Jarbas Vasconcelos e Casal de namorados. E inicia Maternidade, escultura mostrando uma mãe com seu filho doente, lembrando as antigas esculturas e desenhos das décadas de 60 e 70, quando seu trabalho ficou marcado pelas denúncias sobre a miséria no Nordeste. E capricha, ainda, numa imagem de sua mulher, Margarida Lucena, para ser um retrato definitivo da companheira de uma vida inteira. |
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