|
|
"Estou surpresa e indignada com essas declarações do monsenhor Bellucci (...)", disse a cantora em comunicado à imprensa, referindo-se ao padre Giuseppe Bellucci, que organizou o show. "Além de nunca ter afirmado que iria fazer qualquer tipo de manifestação a favor do uso da camisinha no Concerto de Natal do Vaticano, deixei clara esta posição em carta enviada por mim ao monsenhor Bellucci, no dia 18 de novembro de 2005." Para Mercury, "só posso concluir que não fazem nenhum sentido estas alegações do Vaticano neste momento." Daniela Mercury, que é embaixadora do Unicef e do programa anti-Aids da ONU, tinha sido convidada para cantar no espetáculo, realizado no último sábado e que contou com a presença das cantoras sul-africana Miriam Makeba e da irlandesa Dolores O'Riordan, entre outros artistas. Na sexta-feira, o Vaticano afirmou ter decidido excluir Daniela Mercury do elenco "porque (ela) havia anunciado que, durante o concerto, promoveria abertamente o uso de preservativos para combater a praga da Aids", disse Bellucci, em entrevista coletiva para apresentar o show beneficente. "As convicções de uma pessoa são uma coisa, mas fazer declarações como essa é outra", disse Bellucci. O show é uma forma tradicional de arrecadar fundos para obras de caridade. O papa não comparece, mas dezenas de cardeais e autoridades do Vaticano assistem à apresentação. O concerto é transmitido pela TV italiana na véspera de Natal. Na semana retrasada, Daniela Mercury havia lamentado a decisão de cancelar sua participação, completando que tinha o direito de discordar da posição da Igreja Católica quanto ao uso de métodos anticoncepcionais. No show de 2003, a cantora norte-americana de hip hop Lauryn Hill chocou as autoridades do Vaticano ao pedir-lhes que se arrependessem, aludindo ao escândalo de abuso sexual de crianças por padres nos EUA. As declarações foram cortadas na versão que foi ao ar na noite de Natal. A Igreja opõe-se ao uso de preservativos, exceto em raríssimos casos, por se tratar de um método anticoncepcional. Para a Igreja, a fidelidade no casamento, a castidade e a abstinência são os melhores meios de impedir o avanço do HIV/Aids. A Igreja alega que promover o uso de preservativos incentiva o que considera um estilo de vida imoral, e comportamentos que só contribuirão para o alastramento da doença. |
|
|
|
© NordesteWeb.Com 1998-2005