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A angústia universal

História Universal da Angústia, do escritor W. J. Solha

Em seu novo livro, W. J. Solha especula sobre a psicologia humana

Sabino Rorov

   O poeta solitário de João Pessoa W. J. Solha (Waldemar José) ganhou o prêmio João Cabral de Melo Neto, da União Brasileira de Escritores, por seu livro Trigal com corvos, publicado em 2004, com o qual provou que a poesia pode conviver com referências altamente eruditas (literárias, musicais, científicas, humanísticas, filosóficas, etc) sem perder o dom de emocionar, de segurar o leitor pelo pescoço e obrigá-lo a pensar e se comprazer com o reflexo de seu pensamento.

   Complementando a proeza de seu livro de versos, ele nos traz agora, pela editora Bertrand do Brasil, esta impactante História universal da angústia, em que analisa (e não só, cria, discute, empolga) o tema em seu aspecto universal, desde episódios bíblicos (o evangelista Lucas, incorporado em um interno do manicômio Juliano Moreira, ou o rei Saul ante Davi, que derrotou o gigante Golias).

   Passa também pelas tragédias gregas clássicas (como Édipo rei); pelo império romano (a família Graco, que tentou implantar uma reforma agrária na Antiguidade); por Parsifal menino (um dos cavaleiros da Távola Redonda do rei Arthur, que depois de muitas peripécias é coroado rei do Santo Graal), futuro guerreiro apartado da realidade pela mãe, que se isola do mundo enquanto lá fora as atrocidades se multiplicam e o menino vive um sonho no qual a violência não existe nem como idéia, fora mais de uma centena de perturbadoras cenas num mosaico demoníaco da trajetória do homem sobre o planeta: uma campanha incansável de agressões infindáveis e inomináveis.

   Mas será talvez na análise da angústia de Hamlet que Solha (artista plástico, ator, escritor e teatrólogo) atinge o ápice de sua capacidade de especulação psicológica, subvertendo a noção de tempo e convivendo em termos de hoje com a indecisão angustiosa do príncipe dinamarquês.

   Você não será o mesmo depois da leitura deste livro.

(© JB Online)


Em "História Universal da Angústia", W.J. Solha revisita trajetórias dramáticas de grandes personagens

   Ao narrar sua História Universal da Angústia, W. J. Solha revisita de forma original as dramáticas trajetórias dos grandes personagens de nossa cultura. Através de sete narrativas longas, o autor recria à sua maneira - meio paulista, meio paraibana, totalmente brasileira, porém sem nunca perder o caráter universal - figuras históricas, mitológicas e literárias. Da Bíblia às catástrofes do século XX, passando pelas obras de Shakespeare e pelas tragédias gregas, Solha mescla arte e realidade ao elaborar uma obra erudita e, ao mesmo tempo, popular.

   Personagens bíblicos, como Lucas e Saul, são expostos aos desafios terríveis do Velho Testamento. Os gregos, por sua vez, surgem engolfados pelas piores tragédias, recriadas com tintas fortes por Solha após terem sido contadas e cantadas pelo teatro e a literatura. O autor vai também aos dramas literários e exibe uma visão particular da angústia de Hamlet, esmagado pela missão de vingar o pai e frustrar-se até a mais funda melancolia com a traição da mãe. Mas na História Universal da Angústia há também espaço para nomes históricos e/ou anônimos, protagonizando cenas da vida cotidiana em diversos países do mundo - Estados Unidos (crimes raciais e violência gratuita), Japão (bomba atômica, cultura do suicídio), países da África (submissão cruel das mulheres), Europa (guerras e mais guerras)...

   Como o próprio Solha afirma, História Universal da Angústia "tem muito de Zé Limeira... e dos nossos grandes poetas e cantadores Zé Ramalho e Vital Farias": o livro mostra o evangelista Lucas internado em um sanatório do Nordeste brasileiro, debatendo as razões divinas; o rei Saul diante da coragem de Davi derrotando o gigante Golias; centenas de cenas de violência moderna, incluindo torturas do tempo da ditadura militar e assassinatos domésticos; a lenda de Parsifal, escondido da violência do mundo pela mãe que o superprotege a ponto de negar-lhe conhecimentos fundamentais acerca da vida e dos homens, proteção que se revelará insana e inútil; Édipo e seu crime duplo, o parricídio e o incesto, e a conclusão de que a consciência é terrível, além de inútil; e Hamlet, com seu destino inquietante que eternamente inspira a arte.

   Embora no título esteja a palavra "angústia", o tema é a violência - física e moral. O termo escolhido por W. J. Solha refere-se à forma como todos lidamos com essas tragédias, de um jeito perturbador, sempre angustiado. Não poderia ser diferente. Para o escritor e crítico Paulo Bentancur, "a angústia encontrou, afinal, não seu remédio, mas um lugar fiel que reúne grandes capítulos de tormento da humanidade: o da ficção e o real".

Sobre o autor

   W. J. Solha nasceu em Sorocaba (São Paulo) em 1941 e renasceu na Paraíba em 1962. Publicou os romances Israel Rêmora (Prêmio Fernando Chinaglia, 1975), A Canga, A Verdadeira Estória de Jesus, Zé Américo foi Princeso no Trono da Monarquia, A Batalha de Oliveiros (Prêmio INL, 1998) e "Shake-up". Produziu, com José Bezerra Filho, o longa-metragem O Salário da Morte (1970) e trabalhou como ator nos filmes A Canga, Soledade, Fogo Morto, O Salário da Morte e Lua Cambará. Em 2004 publicou pela Palimage, de Portugal, o poema longo Trigal com Corvos (Prêmio João Cabral de Melo Neto pela União Brasileira de Escritores, 2005). É também autor dos painéis "Homenagem a Shakespeare" (3,20 x 7,20m, acrílico sobre tela), do auditório da reitoria da UFPb, e "A Ceia" (1,60 x 3,60m), do Sindicato dos Bancários da Paraíba.

Livro: História Universal da Angústia
Lançamento: dezembro de 2005
Autor: W. J. Solha
Preço: R$ 55,00
Capa: Rodrigo Rodrigues
Formato: 16 x 23cm
Páginas: 448

(© Portal Verdes Mares)

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