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Pernambucanos se dão bem no Rio

11/06/2008

Karin Ainouz comemora prêmios no Festival do Rio


Cheiro de Ralo, de Heitor Dhália, curta sobre o jogador do Íbis Mauro Shampoo e atuação da atriz Hermilla Guedes saem consagrados da Première Brasil

KLEBER MENDONÇA FILHO

O documentário Mauro Shampoo – jogador, cabeleireiro e homem, do pernambucano Leonardo Cunha Lima e do carioca Paulo Fontenelle, levou três dos quatro prêmios disponíveis para o formato curta-metragem na noite de quinta-feira, no encerramento do Festival do Rio 2006. Os prêmios foram entregues no Cine Odeon e destacaram também o longa metragem O céu de Suely, de Karim Aïnouz, sagrado Melhor Filme de Longa Metragem segundo o júri oficial presidido pelo cineasta Nelson Pereira dos Santos.

Durante o festival, os organizadores fizeram enquete com o público e convidados sobre o nome do troféu do Festival do Rio, até então sem nome. O “Carioca” era uma das opções, mas ficou decidido que ele seria batizado de “Redentor”. E o filme de Aïnouz foi o primeiro a receber o troféu Redentor nas categorias Melhor Filme, Melhor Diretor (Aïnouz) e Melhor Atriz para a pernambucana Hermilla Guedes (vista em Cinema, aspirinas e urubus e, ano que vem, estará também Deserto feliz, longa pernambucano de Paulo Caldas). Ao microfone, Hermilla Guedes prometeu não chorar porque, “normalmente, caio em prantos”.

Cheiro do ralo, do pernambucano radicado em São Paulo Heitor Dhália, foi reconhecido com três prêmios: o Especial do Júri, o de Melhor Ator para Selton Mello e Melhor Filme Latino-Americano segundo o júri da Federação Internacional de Imprensa (Fipresci). Os três prêmios para Dhália são uma vitória e tanto para o filme, que dividiu bastante a crítica após a sua exibição semana passada.

Selton Mello dividiu o seu prêmio de Ator com o paulistano Sidney Santiago pela sua atuação como um motoboy nas ruas de São Paulo em Os 12 trabalhos, filme de Ricardo Elias. Melhor Documentário foi para o já inúmeras vezes premiado À margem do concreto, do carioca radicado em São Paulo Evaldo Mocarzel. Os prêmios de público para longas foram para o fofinho Quando meus pais saíram de férias, de Cao Hamburger, e, na categoria documentário, para Fabricando Tom Zé, de Décio Matos Jr. Três outros documentários saíram reconhecidos pelo júri da Associação Brasileira de Documentaristas e Curtas-Metragens: Onde a coruja dorme, de Márcia Derraik e Simplício Neto, sobre os compositores que ajudaram a criar o universo de Bezerra da Silva, ganhou Menção Especial, Acidente, de Cao Guimarães e Pablo Robato, ficou com Melhor Documentário, e Caparaó, de Flávio Frederico, sobre a guerrilha em época de ditadura, recebeu Menção Honrosa.

SHAMPOO – Nos curtas-metragens, o belo filme paulista Joyce, da diretora Caroline Leone sobre duas garotinhas numa comunidade pobre imprensadas entre a infância e noções comerciais impostas de sensualidade, foi o ganhador do Redentor de Melhor Filme do júri oficial. O documentário sobre o jogador do Íbis Futebol Clube, Mauro Shampoo, também levou prêmio da ABD como Melhor Curta-Metragem. Ganhou ainda Melhor Curta pelo júri popular e ainda o prêmio aquisição do site Porta Curtas (www.portacurtas.com.br). Produzido no Recife de forma totalmente independente por um mix de pernambucanos e cariocas, Mauro Shampoo – jogador, cabeleireiro e homem deverá se tornar um dos mais bem-sucedidos curtas-metragens da safra 2006/2007 com um relato humano e afetuoso do seu personagem título, cidadão bem-humorado, cabeleireiro aparentemente competente, jogador de futebol do mítico e quixotesco Íbis.

Os diretores/roteiristas Lima, Fontenelle e Daniele Abreu e Lima nunca o transformam numa atração, mas o respeitam com uma generosidade contagiante que soa real e investigadora. De fato, Shampoo tornou-se uma das figuras mais populares do Festival do Rio 2006, sempre vestido a caráter (uniforme completo do Íbis + bola no colo), na companhia da sua esposa “pente fino”. Foi entrevistado no programa do Jô Soares, deu uma dezena de entrevistas e posou para fotografias tendo seu cabelo cortado por ninguém menos do que Tom Zé. Que figura...

(© JC Online)


''O CÉU DE SUELY'' É O GRANDE VENCEDOR DO FESTIVAL DO RIO

Longa de Karim Aïnouz, diretor de "Madame Satã", levou os prêmios de melhor filme, direção e atriz

Carla Meneghini, do G1, no Rio

A atriz Hermila Guedes, em cena de 'O céu de Suely', de Karim Aïnouz Confirmando seu favoritismo, “O céu de Suely”, de Karim Aïnouz, levou para casa três dos principais prêmios do júri oficial do Festival do Rio em cerimônia nesta quinta-feira (5) no Odeon. Além dos prêmios de melhor longa de ficção e direção, o filme consagrou Hermila Guedes melhor atriz em competição e nova musa do cinema brasileiro.

“Estou muito feliz por receber esse reconhecimento por um trabalho em que a liberdade de experimentação foi meu foco principal”, disse Aïnouz ao G1.  Com estréia prevista para 17 de novembro, “O céu de Suely” é o segundo longa do cineasta, que ficou famoso por “Madame Satã”.

“O cheiro do ralo”, de Heitor Dhalia, também saiu vitorioso, com os prêmios especial do júri, da Fipresci (federação internacional de imprensa) e de melhor ator, para Selton Mello, que dividiu a estatueta com Sidney Santiago, de “Os 12 trabalhos”. A categoria documentário premiou “À margem do concreto”, de Evaldo Mocarzel, sobre o drama dos sem-teto, e na de curta-metragem, “Joyce, de Caroline Leone, saiu vencedor. O júri oficial do festival foi presidido pelo cineasta Nelson Pereira dos Santos.

A surpresa da noite ficou por conta do voto popular, que elegeu “O ano em que meus pais saíram de férias”, de Cao Hamburguer, como melhor longa de ficção, “Fabricando Tom Zé” como melhor documentário e “Mauro Shampoo” entre os curtas.

A cerimônia também marcou o batizado das estatuetas do Festival do Rio, que a partir de agora serão chamadas de “Redentor”. Dez longas de ficção, 7 documentários e 14 curtas participaram da competição.

(© G1)

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