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11/06/2008
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O
pernambucano Romero Britto |
Radicado em Miami, Romero Britto fala da influência de Brennand e
Keith Haring em sua formação, considera pintar um "ato religioso" e defende
que aquilo que as pessoas buscam na arte é a felicidade
JULIANA MONACHESI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Na semana de abertura da 27ª Bienal de São Paulo, quando as atenções se
voltam para as pesquisas de ponta no campo da arte contemporânea, a Folha
faz o caminho inverso e investiga o fenômeno cultural e comercial Romero
Britto.
Sucesso de vendas e público no Brasil e no mundo, sobretudo nos EUA, o
artista de 42 anos que saiu de uma família pernambucana pobre para se tornar
um "self-made man" modelo nos EUA é criticado no meio especializado das
artes visuais, mas incensado (e consumido) pelo público leigo e por um
círculo de celebridades internacionais. Isso lhe rendeu, por exemplo, um
convite para dar uma palestra no Fórum Econômico Mundial, em Davos, em
janeiro passado, sobre arte e globalização.
Sobre o que ele falou na palestra? "Falei de como o que os artistas
plásticos fazem está longe de ter um impacto global. As pessoas se
beneficiam quando podem ver arte na TV, num outdoor, em produtos que
circulam mais do que a arte, restrita a museus e galerias."
É conhecido o projeto "The Most Wanted Paintings" (As Pinturas Mais
Desejadas), da dupla de artistas russos Vitaly Komar e Alex Melamid, que
empreenderam uma pesquisa do gosto, primeiramente nos EUA (1994) e, nos anos
seguintes, com o apoio do Dia Center for the Arts, em vários países do
mundo.
Questionário aplicado em larga escala, os artistas produzem a pintura
preferida da população de cada país, invariavelmente uma paisagem tranqüila
de céu azul. Em registro diverso, Mark Kostabi, o maior oportunista do
mercado de arte, que tem um séquito de assistentes que fazem pinturas
surrealistas, cubistas, realistas e em qualquer outro estilo que o artista
queira, para depois as assinar e vender por uma fortuna, também lida em seu
trabalho -de caráter rasgadamente comercial- com questões de gosto e
mercado.
A ironia de Komar e Melamid é incensada no campo da arte contemporânea; o
cinismo de Kostabi é execrado por críticos e público especializado. Qual o
lugar de Romero Britto nesse contexto?
Seis curadores e críticos de arte brasileiros foram ouvidos pela
reportagem da Folha a esse respeito (leia textos na página ao lado) e
apontaram o hiato entre a inventividade da produção artística contemporânea,
como aquela que pode ser vista na atual Bienal de São Paulo, e a diluição
comercial da visualidade pop empreendida por Romero Britto.
"O circuito que legitima Romero Britto é o circuito das celebridades
políticas e do entretenimento. O circuito da arte não o reconhece porque seu
trabalho é ornamento, não é arte. Como a maioria das pessoas não detém
informações e um olhar crítico sobre a arte, consome Romero Britto da mesma
maneira que consome os valores apregoados pelas revistas de celebridades",
afirma a curadora Cristiana Tejo.
De fato, há 20 anos vivendo nos EUA, Romero Britto tem obras em coleções
de celebridades que vão de Madonna e Michael Jackson a Bill Clinton e Arnold
Schwarzenegger, de quem é amigo pessoal.
Ele participa de diversos projetos sociais, doando para serem leiloadas
obras que alcançam cifras na casa das dezenas de milhares de dólares.
Recentemente, teve uma obra pública comissionada pelo fundador da feira Art
Basel, Ernst Beyeler, para enfeitar a entrada da meca do comércio mundial da
arte contemporânea.
Em sua galeria na rua Oscar Freire, em São Paulo, a Britto Central, suas
criações são acessíveis a todos os bolsos: vão de R$ 8 (cartões-postais) a
R$ 250 mil (telas originais). Na entrevista abaixo, concedida no mês passado
em Campinas (SP), na abertura de exposição sua em um hotel da cidade, Britto
falou de sua trajetória e de suas influências.
FOLHA - A que você atribui o fato de nunca ter sido convidado para
uma Bienal de São Paulo?
ROMERO BRITTO - Eu realmente não sei. Às vezes você tem alguma coisa
acontecendo tão perto de você que você não nota. Em geral, o que acontece
também é que, pelo fato de eu não estar muito no Brasil, no cenário de arte
brasileiro, as pessoas não acompanham tanto meu trabalho. Pode ser por isso,
mas eu realmente não sei.
FOLHA - Como foi seu início?
BRITTO - Desde muito jovem eu pintava, mas nunca imaginei que arte
pudesse ser uma profissão. Eu imaginava que seria um hobby e que teria um
outro trabalho. Já aos 14 anos eu era muito influenciado pelo trabalho de
Francisco Brennand; então comecei a pintar coisas bem locais, ligadas ao
Nordeste e à natureza.
Acho que até hoje minha arte tem a ver com a natureza, com os sentimentos, e
talvez isso explique seu sucesso, o motivo por que as pessoas são tão
atraídas pela minha arte. As pessoas, especialmente do mundo das artes, às
vezes criticam meu trabalho dizendo que é muito leve.
Um crítico uma vez falou que eu não me preocupava com o que está acontecendo
no mundo, mas não é que eu não me preocupe, é que eu acho que, do mesmo
jeito que é importante uma consciência sobre o mundo, também é importante
pensar na felicidade.
Se você imaginar o que se gasta hoje na procura da felicidade... As pessoas
trocam de sexo, trocam de cidade, se casam dez vezes, têm vários filhos,
deixam os filhos, constroem pontes, tudo por conta da procura da felicidade,
de um momento de paz.
A felicidade é algo importante na vida das pessoas, e acho que deve ser
disso que elas mais sentem falta. Na hora de colocar alguma coisa em suas
casas, preferem ter algo alegre, e não algo com que vão se sentir mal.
FOLHA - Você é uma pessoa feliz?
BRITTO - Eu me sinto uma pessoa feliz, sim. Eu me sinto bem comigo
mesmo, hoje em dia. Faço o que adoro, acordo de manhã e faço aquilo de que
gosto. Claro que a vida tem altos e baixos, mas, quando estou fazendo a
minha arte, é como se fosse um ato religioso.
FOLHA - Como foi o caminho das pinturas de cajus e outros temas
ligados à cor local do Recife e à obra de Brennand até a linguagem pela qual
você é tão conhecido hoje?
BRITTO - No caso de Brennand, ele tem murais na cidade inteira de
Recife. Isso para mim foi uma coisa fascinante, ver e admirar o trabalho de
Brennand onde quer que fosse na cidade.
Uma das coisas que achei fascinantes quando eu cheguei aos EUA foi o fato de
a arte ser mais democrática, o fato de a arte ser uma coisa que as pessoas
vivem mais no dia-a-dia, ao invés de ser algo que as pessoas só vêem no
museu.
Então, quando comecei também a ler bastante a respeito de [Andy] Warhol e
[Keith] Haring e de outros artistas cujo trabalho pode ser visto em todo
canto dos EUA, fiquei fascinado e imediatamente tive esta certeza: quero que
a minha arte seja uma coisa que as pessoas possam ver. Quero alcançar o
maior público possível.
FOLHA - Mas como é que os trabalhos de Andy Warhol ou Keith Haring,
além do aspecto de conseguirem atingir um público mais amplo, influenciaram
sua linguagem? Porque existe um diálogo, do ponto de vista plástico, entre
sua produção e a de Haring, principalmente, não?
BRITTO - Acho que o vocabulário dele era um vocabulário que as
pessoas podiam entender. Assim também o meu vocabulário. O que estou
fazendo, o que estou desenvolvendo nos últimos anos é pegar coisas do meu
dia-a-dia, coisas do universo que me rodeia e colocando na minha arte...
FOLHA - Mas por que você define sua obra como neo-cubista-pop?
BRITTO - Isso foi uma conversa que tive com uma pessoa do meio de
arte, Eileen Guggenheim, que falou que minha arte tinha algo do cubismo,
algo da pop art, algo novo. Mas, quando você fala em pop art, a referência
que temos é de uma produção que aconteceu nos anos 1960, 1970, mas que
infelizmente não evoluiu. Aconteceu, alguns artistas levaram para a frente,
mas outros artistas não evoluíram, e de lá para cá houve outras tendências
que aconteceram, mas que são fragmentadas, cada um fazendo uma coisa. A
Eileen falou que havia essas influências e sugeriu que eu chamasse assim.
FOLHA - Pergunto isso porque chamar simplesmente de neo-pop já
daria o sentido de que você pretende levar adiante o legado da pop.
BRITTO - A referência ao cubismo vale para a composição de alguns
trabalhos que fiz, está muito mais voltada para o que fiz antes do que para
o que faço agora. Uma coisa é o que as pessoas falam, porque diante do que
estou fazendo você pode ver uma coisa completamente diferente daquilo que
estou imaginando.
Eu me lembro que, na última vez em que vi [o marchand] Marcantonio Vilaça
[1962-2000], ele disse: "É engraçado, Romero, que no seu trabalho de agora
eu vejo mais figuras surgindo". E aquilo foi para mim uma surpresa, porque
eu nem tinha prestado atenção.
FOLHA - Na exposição há obras sobre tecido. Isso é uma novidade?
BRITTO - Sim, isso é novo, usar apenas o desenho em trabalhos bem
monocromáticos. Foi um experimento, gosto muito de tecido, de texturas, já
fiz projetos em parceria com designers e estilistas, mas usando todas as
cores. Então tive vontade de pegar tecidos diferentes e trabalhar só o
desenho.
FOLHA - Esta é uma característica muito marcante na sua trajetória:
a opção por trabalhar também em outros "circuitos" que não só o da arte,
produzindo objetos utilitários, transpondo suas pinturas para estampas de
roupa etc. Por que a opção por esse trânsito?
BRITTO - Acho que como tudo está relacionado no mundo, em termos de
comunicação, comportamento, arquitetura, acho que a arte pode também
participar disso, ela pode realmente acrescentar muito ao dia-a-dia das
pessoas, então se até os músicos, hoje em dia, estão usando instrumentos
digitais, novas tecnologias, por que não a arte, por que não aplicar a arte
de outras maneiras?
Eu gostaria muito de em breve fazer alguma coisa diferente, além de estar
pintando para colocar na parede. Estou sempre pensando nisso: onde mais dá
para a arte aparecer, por onde mais a arte vai poder circular?
Porque em geral a arte é uma coisa muito exclusiva, que se faz para a elite,
e um artista, quando realiza seu trabalho, quer que as pessoas o vejam, quer
dividir sua arte com as pessoas. Como é que eu poderia alcançar um milhão de
pessoas com uma única exposição?
FOLHA - Qual a repercussão de seu trabalho junto ao público? BRITTO
- É fantástica. É como ter um instrumento, uma imagem que as pessoas
vêem, imediatamente codificam na cabeça e aquilo já pertence à pessoa, é
algo que lhe faz bem.
FOLHA - E no meio de celebridades em que você circula?
BRITTO - Acho fantástica a história do governador da Califórnia,
Arnold Schwarzenegger, filho de militares que foi exilado, que se tornou um
ator, o que é uma coisa difícil, e tornou-se governador de um dos maiores
estados americanos... Para mim, alguém como ele colecionar o meu trabalho é
uma enorme honra.
FOLHA - Por que optou por abrir um espaço próprio, em vez de
trabalhar com alguma galeria no Brasil?
BRITTO - As galerias no Brasil e na América Latina como um todo
trabalham em consignação com os artistas, mas não vendem, o que deixa o
artista muito preso. Então como o artista vai sobreviver? Então, quando tive
a oportunidade de abrir um espaço próprio aqui, com base na experiência de
ter feito o mesmo em Miami Beach, abri. Também queria que minha arte se
tornasse parte do cenário cultural do Brasil.
FOLHA - Como você definiria o gosto americano por arte? É diferente
do gosto brasileiro?
BRITTO - O que acontece é que no Brasil, por causa da exuberância da
natureza, do sol e das cores, o público acaba não querendo trazer isso para
dentro de casa. Você vê o Carnaval, vê que o amarelo é tão amarelo que pode
acabar achando que amarelo não é elegante.
Nos EUA a vida é muito diferente; lá os filhos crescem e vão embora, então
fica aquele espaço que as pessoas querem preencher. Então quem tem dinheiro
compra uma casa, um carro, vai viajar... Está chateado, então vai para um
spa. E acaba resolvendo comprar arte, se rodear de coisas estimulantes. O
poder aquisitivo nos EUA ajuda muito.
FOLHA - E onde você vende mais?
BRITTO - Nos EUA, depois na Alemanha, na Suíça e França.
(©
Folha de S. Paulo)
"Ele é uma Bauhaus de um homem só", diz Teixeira Coelho
TEIXEIRA COELHO
ESPECIAL PARA A
FOLHA
O que Britto faz é a "image d'Épinal" do século 21; ele é o Jean-Charles
Pellerin do século 21. Pellerin [que morava na cidade de Épinal] foi
pioneiro na publicação em série, no começo do século 19, de pequenas
gravuras com temas religiosos, históricos, cotidianos ou extraídos dos
romances famosos, expressos numa diluição dos traços eruditos da arte da
época, a figurativa, as belas-artes (hoje, Britto dilui a op art, a pop art,
o concretismo etc.).
Eram uma espécie de quadrinhos e revistinha de passatempo, quebra-cabeça
("ache o animal escondido"); às vezes, "santinho". A expressão virou
sinônimo de representação ingênua, kitsch, feita para decorar, dar boas
mensagens, o que se chama hoje de politicamente correto.
Produtos para a massa
A "image d'Épinal", assim como Britto, está na linhagem de uma arte
popular que vem desde o século 15 pelo menos e que se destinava ao público
iletrado da cidade ou do interior. Um produto que não agrega nada, apenas
repete e desbasta.
Britto faz, um pouco, a mesma coisa: toma da cultura do cinema, do
desenho animado, da publicidade e até da arte: tem uma versão do "Abaporu",
da Tarsila (se fosse artista erudito, diriam que pratica o
apropriacionismo...).
Mas é bom lembrar que Britto é uma Bauhaus de um homem só. Guardadas
todas as proporções, também a Bauhaus desbastou a arte erudita, de
vanguarda, para gerar produtos em série ao alcance do gosto da massa. Também
com a Bauhaus a carga estética inicial se perdia largamente na passagem da
tela de Kandinsky para o liquidificador da cozinha.
O que a Bauhaus fez foi visto como revolucionário. Ou será que a Bauhaus
apenas aplainou o caminho para os brittos? De resto, essa lógica da tradução
(ou degradação) do que é exclusivo para o que é de massa está inscrita tanto
no sistema capitalista (liberal ou neoliberal) como no socialista (marxista,
populista ou outro).
E, de vez em quando, há algo em Britto não muito distante do que fez
Lichtenstein, por exemplo, ao se apropriar dos quadrinhos para fazer suas
telas (misto de ironia, culto à estética popular, tiração de pêlo do
comprador disposto a pagar uma fortuna por nada). Quando uma peça de Britto
aparece, às vezes o problema é muito mais da arte contemporânea do que dele.
Educação zero
O abismo entre o gosto da arte contemporânea e as escolhas cotidianas das
pessoas se explica, neste país, pela educação zero para a arte e a cultura,
em todos os níveis de ensino. No máximo, as pessoas reconhecem os hábitos
culturais, os valores oficiais, como esses vistos na novela, cultura oficial
do Brasil. Não é um problema só daqui.
Mas aqui a incultura virou ícone, objeto de louvação... E há a questão do
preço, também: arte contemporânea custa caro... O complicado é que Britto
também custa caro...
De um lado, o des-gosto virou moda. De outro, Britto faz o que o cinema
de Hollywood faz: dá ao público, se não ao povo, o que o público quer. Não
existe um "problema Britto", Britto não é o problema. Britto é a diversidade
cultural. O que faz tem a função de valorizar a ponta oposta do eixo.
O que ele faz aparece por si, é por geração espontânea; já seu oposto
precisa ser amparado, incentivado.
A batalha pelo gosto vem de longe, e na formação do gosto o conflito é
essencial. Espero que o conflito continue.
TEIXEIRA COELHO é professor titular da Escola de
Comunicações e Artes da USP e curador-chefe do Masp. É autor de "História
Natural da Ditadura" (Iluminuras), entre outros livros.
(©
Folha de S. Paulo)
De "ornamental" a "ki-suco de framboesa", obra é atacada pelos críticos
Agnaldo Farias
(curador do Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo)
"A confluência entre o excelente trabalho de marketing -divulgar em altos
brados a presença em coleções tão importantes como a de Bill Clinton e
Silvester Stallone faz grande efeito em gente facilmente impressionável- e a
natureza decorativa e agradável do seu trabalho -próximo do "ki-suco" de
framboesa, uma suave diluição de poéticas pop, a começar por Lichtenstein,
muito ao gosto do quarto de crianças e sandálias de dedo- explica o sucesso
de Britto."
Fernando Cocchiarale
(curador do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro)
"Atribuo o "sucesso" dele ao sucesso que a mídia brasileira noticiou que ele
fazia nos EUA. Foram citados nomes de celebridades políticas e do show
business como colecionadores de Britto. Não sei as razões que o levaram (se
é que é verdade... Talvez o tenham tomado como um mangá exótico dos
trópicos... Sei lá. Eles também são muito cafonas) a fazer sucesso nos EUA,
mas aqui foi por um fascínio mimético pelo Primeiro Mundo cultivado pelas
elites brasileiras."
Luiz Camillo Osório
(crítico e curador)
"Sucesso de venda é algo que exige competência, não traduz necessariamente
qualidade artística (ou falta dela). Não tenho nada a dizer sobre o sucesso
das pinturas dele, mas não gosto delas, acho um trabalho fácil
-diferentemente da boa arte, que é simples, mas não é fácil. Se for para
ficar no campo da pintura, prefiro defender a obra de Eduardo Sued, Carlos
Vergara, Cristina Canale ou Paulo Pasta."
Cristiana Tejo
(curadora da Fundação Joaquim Nabuco, em Recife)
"Por se tratar de algo ornamental, o trabalho de Britto fica bem em caixas
de sabão, sandálias e cadernos, pois algumas estampas são realmente
"bonitas". Mas como a arte deixou de ser algo destinado ao deleite estético
simplesmente e passou a ser um questionamento do que é arte e de seus
limites, seu trabalho se presta perfeitamente a enfeitar, mas não nos traz
nenhuma crítica ou mesmo reflexão."
Rafael Campos Rocha
(crítico de arte do Centro Cultural São Paulo)
"A prática artística é complexa. Exige conhecimento tanto da tradição quanto
do contexto contemporâneo cultural e artístico. Agregar uma mídia nova de
forma acrítica não acrescenta nada não só à arte como à técnica empregada.
No caso dos construtivistas, que tinham uma postura de anti-arte que era, na
verdade, anticonservadora, foi diferente. Eles queriam acabar com todas as
esferas idealistas autônomas e previlegiadas. Coisa que eu não acho que uma
loja nos Jardins [bairro de SP em que fica a loja de Romero Britto] queira,
mesmo porque, que me conste, o que Britto e outros artistas querem é vender
utensílio doméstico a preço de arte, não o contrário."
(JM)
(©
Folha de S. Paulo)
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