Notícias
O lírico e dramático

11/06/2008

João Cabral de Melo Neto:
´O amor comeu meu nome,
minha identidade,
meu retrato´

Elis Denise Lélis dos Santos

Amanhã completam-se sete anos da morte de um dos maiores poetas de nossa literatura, João Cabral de Melo Neto. Ele nasceu no dia 9 de janeiro de 1920 na cidade de Recife. Passou quase toda sua infância em engenhos de açúcar no interior de Pernambuco. Depois retornou com a família para a ´Veneza brasileira´, onde encontrou o rio Capibaribe que constituiu forte presença em sua vida e em sua poesia.

João Cabral era irmão do historiador Evaldo Cabral de Melo e primo do poeta Manuel Bandeira e do sociólogo Gilberto Freyre, e cedo aprendeu a ler e recitava para os cassacos (operários em engenhos de açúcar) durante os intervalos da jornada de trabalho os romances de cordel por eles comprados nas feiras. Com a saúde precária não continuou os estudos e nem a jogar futebol, sua segunda paixão, além da literatura.

Em 1942 estreou na poesia com o livro Pedra do Sono, em edição paga por seu pai, e mudou-se para a cidade do Rio de Janeiro, onde conheceu outros escritores como Murilo Mendes, Ledo Ivo, Vinícius de Moraes, Rubem Braga e Carlos Drummond de Andrade (que mais tarde tornou-se seu desafeto).

 
 
 
 
 

Por ter sido diplomata, serviu em vários países diferentes, propiciando-lhe uma percepção distanciada de uma realidade do Brasil, outrora próxima. Daí por diante quase toda sua obra foi elaborada no estrangeiro, mas sem perder o olhar para as paisagens e o homem de Pernambuco.

Morte e Vida Severina (1955) é, sem dúvida, seu livro mais popular. O auto de Natal pernambucano foi escrito a pedido de Maria Clara Machado para o seu teatro, o Tablado, e ganhou grande impacto com a encenação pelo Tuca - Teatro da Universidade Católica de São Paulo, tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro, e, posteriormente, no Festival de Teatro Universitário em Nancy (França), em 1966. O poeta dizia não gostar desse texto e muito menos da música, mas por uma rasgo, digamos, do destino, foi musicado por Chico Buarque de Holanda e o sucesso internacional do texto repercutiu de uma tal forma no Brasil que chegou às telas pela Rede Globo; o volume Poesias Completas, de 1968, esgotou-se rapidamente.

 
 
 
 
 

Poucos sabem, mas a primeira montagem de Morte e Vida Severina foi encenada por um grupo de teatro amador de Belém. Informação a nós concedida pelo filósofo Benedito Nunes (em entrevista realizada em janeiro deste ano).

Segundo Nunes, a montagem ocorreu por volta de 1956-57: ´Nessa época eu e minha mulher tínhamos um grupo de teatro e ela resolveu, então, com dramaturgos, que tinha que fazer uma montagem de Morte e Vida Severina. Fez um projeto. Eu escrevi para um amigo meu nessa época, o poeta Mário Faustino, e pedi a ele que entrasse em contato com João Cabral e submetesse a ele esse projeto. Ele foi o intermediário para João Cabral. O poeta gostou e ela apresentou a peça no

I Festival de Teatro de Estudantes, em Recife, no ano de 1957. Pela primeira vez a montagem da peça não foi do Tuca, foi a do nosso teatro de Belém, Norte Teatro Escola, como se chamava o grupo. Isto em geral não consta.´

Em 15 de agosto de 1968, João Cabral foi eleito, por unanimidade, para a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira de nº 37, pertencente a Assis Chateaubriand, tendo como patrono o também poeta Tomás Antônio Gonzaga. Além das fortes dores de cabeça que o perseguiram durante toda a vida e lhe renderam o célebre poema ´Monumento à aspirina´, nos últimos anos de sua vida o escritor padeceu de uma cegueira causada por degeneração da retina e de uma profunda melancolica. Veio a falecer em 9 de outubro de 1999 em seu apartamento no bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro.

Para quem deseja saber mais sobre a vida do poeta, acaba de ser lançado pela editora Bertrand Brasil, João Cabral de Melo Neto: O homem sem alma, e Diário de Tudo, do jornalista e crítico literário José Castello. A biografia foge aos moldes tradicionais e traz como princípio ordenador a própria poesia de João Cabral, com diversas informações e sem deixar de lado o caráter reflexivo.

Sabemos que no âmbito literário o poeta se inclui, injustamente, segundo alguns, e justamente, segundo outros, na Geração de 45. A respeito desta questão é o próprio João Cabral quem nos esclarece em entrevista dada a Antonio Carlos Secchin, um dos importantes críticos da poética cabralina na atualidade, no livro João Cabral: a poesia do menos. O poeta nos diz que ´pertencer a uma geração é um fenômeno biológico, não se pode mudar o ano do nascimento. Mas alguns reduzem uma geração à idéia de escola literária; nessa perspectiva, nada tenho a ver com a escola de 45 e com seu ideário estético, formulado, aliás, por um pequeno grupo dentre os nascidos em 1920 e adjacências.´

Há alguns anos, tenta-se explicar o denominador comum da Geração de 45, contudo os estudos literários ainda não conseguiram mostrar uma visão de conjunto dessa época, no que diz respeito à estética. Portanto, não é de estranhar que acabem classificando, indevidamente, como pertencentes a esse grupo, escritores com uma poética própria e diferenciada, como é o caso de nosso autor.

Em muitos não havia a consciência crítica, sempre latente no poeta. Para os escritores da Geração de 45, os elementos que permaneciam fora da poética, como a prosa, constituiam uma influência altamente perigosa, pelo fato do prosaico estar muito mais próximo da realidade; para esses jovens a poesia poderia se exigir tudo, menos integração com a realidade. Ora, exatamente o contrário do que aplicava João Cabral em seus textos, onde o ´eu´ pessoal do poeta dá lugar a uma visão objetiva, expressa principalmente nos versos que mostram a realidade nordestina numa crítica social dura.

Calma! Não podemos negar que a criação de um poema dependa, também, dos valores do poeta, entretanto a solução alcançada por João Cabral consiste em enfatizar os dados objetivos da realidade, através da contenção da subjetividade poética. Nisto, ao invés de uma visão sentimental, preferiu a representação desses fatos, imitando a configuração que eles têm na realidade. A subjetividade permanece, porém ela é delimitada pelos dados objetivos.

Em 1965 João Cabral lança A Educação pela Pedra, obra de um poeta mais amadurecido por suas experiências com a linguagem. O uso renovado das palavras em seus textos obrigou o leitor a sair de sua condição passiva para a ativa. João Cabral sempre teve alta consciência crítica de sua construção poética, rompendo com o mito da inspiração do escritor, tradicionalmente associada à criação da lírica.

João Cabral desembarca pela primeira vez em Sevilha, no ano de 1956, com a missão de fazer uma pesquisa oficial no Arquivo das Índias. Começou a partir daí sua paixão pela cidade que se tornou verso pelas mãos do poeta.

Situada bem ao sul da Espanha, Sevilha é a capital da famosa província da Andaluzia, onde segundo a tradição popular, mora a alma espanhola. Ela tem ainda flamenco, touradas, praias e o povo mais simpático e hospitaleiro do país. A cidade desenvolveu-se por ambos os lados do Rio Guadalquiver, que é navegável, sendo que a maioria das suas atrações e pontos turísticos está na parte leste, dominada pela Catedral, que se tornou o símbolo da cidade.

Segundo Castello, ´Sevilha Andando é uma espécie de balanço final do longo amor que o poeta tem pela Andaluzia e pelas mulheres sevilhanas. Se a poesia de João Cabral tem um coração, ele só pode estar em Sevilha. Sevilha Andando é, seguramente, seu livro mais apaixonado.´

Essas duas paixões de João Cabral podem ser vistas logo no poema que abre o livro, ´A sevilhana que não se sabia´. A sevilhana em questão é a poetisa Marly de Oliveira, sua segunda esposa, que para o poeta ´viesse a encalhar por engano/ nas praias do Espírito Santo´ chegando a confundir sua imagem com a da cidade, misturando-se no colorido das cores ´de onde as casas de cor, caiadas/ cada ano em cores papagaias,/ que fazem casa rua uma festa/ que a sevilhana sem modéstia/ passeia com em sala sua, multivestida porém nua´.

Em determinados poemas há toques de sensualidade como em ´As plazoletas´ no qual o poeta fala do habitar do homem nesta cidade ´Quem fez Sevilha a fez para o homem,/ sem estentóricas paisagens./ Para que o homem nela habitasse,/ não os turistas, de passagem./ E claro, se a fez para o homem, fê-la cidade feminina,/ com dimensões acolhimentos,/ que se espera de coxas íntimas´ e ´Tenho Sevilha em minha cama,/ eis que Sevilha se fez carne´ de ´Lições de Sevilha´.

Sevilha para nosso escritor adquire significado feminino, pois para ele a cidade era feminina. Ele andou pela cidade como um homem que percorre o corpo da mulher amada. As imagens que pulam dos versos andam juntas com as das sevilhanas, até num determinado momento em que não se sabe de quem está falando, se é da mulher ou da cidade e eis que as duas se unem em ´mulheridade´.

Estranho dizer isto de um poeta rotulado antilírico, seco, cerebral, como ele próprio fez questão de ser. O livro chegou a ser desprezado por alguns críticos e segundo Castello (em entrevista realizada recentemente) a explicação estaria ´Por ser um livro mais carregado de emoções, desmente de uma forma mais escandalosa, as teses do poeta puramente cerebral.´ O lado lírico de João Cabral também é apontado por Nunes: ´João Cabral não é antilírico por excelência. João Cabral deveria ser contra uma certa lírica que acentuou nos anos 45.´

As dificuldades que os leitores encontram na poesia de João Cabral os levam a uma postura crítica diante do texto rompendo com o emocional e o individualismo da tradição poética romântica ainda dominantes em nossa cultura. Portanto, não se trata de uma leitura alheatória, mas condicionada pelas estruturas do texto. O rigor da construção de seus poemas prevê lacunas interpretativas que deverão ser preenchidas pela criticidade do leitor e por que não desse lado lírico que o poeta tanto quis esconder?

Elis Denise Lélis dos Santos
Mestranda em Letras / Literatura Brasileira pela UFC

(© Diário do Nordeste)


POESIA

O espelho e a pedra: A POÉTICA DE JOÃO CABRAL DE MELO NETO

Natural de Recife, (PE) João Cabral de Melo Neto, exerceu as funções de diplomata (servindo em Barcelona, Sevilha, Londres, Marselha, Genebra etc). Sua estréia, na literatura, deu-se com a publicação de ´A pedra do sono´ (1942); a este livro seguiram-se ´O engenheiro´; ´Psicologia da composição´; ´O cão sem plumas´; ´A educação pela pedra´; ´Morte e vida severina e outros poemas em voz alta´.(1966) Sua escritura caracteriza-se por ser um poeta do ´não-eu´, isto é, aquele que dispensa o tom confessional, o lirismo derramado, realizando, pois, a poética das coisas, dos objetos, da pedra. O interesse maior dessa edição reside na discussão de alguns elementos configuradores da expressão literária desse autor.

Carlos Augusto Viana
Editor

Sendo a literatura a linguagem carregada de significado no seu mais alto grau, tem, na poesia, a forma mais concentrada da expressão verbal. A poesia, em seu mais alto grau, é, som sombra de dúvidas, aquela que, em seu bojo, concentra uma singular aliança entre as palavras, pondo o leitor diante do imponderável, desconcertando-o diante do pergaminho descortinado por tudo o que é inaugural.

Há, no Brasil, um considerável número de poetas que nos desestruturam, pois, em face de uma imagem, conduz-nos a um encontro decisivo com os nossos limites. Refaz-se, assim, a misteriosa aventura de Narciso: como se estivéssemos em frente a um espelho, desejaríamos alcançar o outro lado, mas sem quebrar o espelho ou turvar a água. Mas há um mundo que nos cerca, nos divide e nos limita.

A poética de João Cabral de Melo Neto nos põe em face desse sempre renovado desafio. Trata-se de um discurso feito, essencialmente, não para ser lido, mas,
sobretudo, para ser relido, pois, consoante Eduardo Dall´Alba, a ´releitura permite o processo auto-referencial que condensa a matéria do poema, criando um diálogo interno onde cada novo poema carrega o sentido de outros pela alusividade ou pelos termos reutilizados´(1)

Em João Cabral de Melo Neto, o paradigma da poética se amplifica pela remodelação dada a cada poema que o reinventa: reiterando o conteúdo e sua dilatação semântica, o poeta não se serve apenas de uma estilística da repetição, mas, sim, fortalece a articulação entre os espaços do poema e sua sonoridade verbal. Seu discurso, portanto, alicerça-se na recriação de novos elementos, conforme, por exemplo, o poema ´O sertanejo falando´:

A fala a nível do sertanejo engana:
as palavras dele vêm, como rebuçadas
(palavras confeito, pílula), na glace
de uma entonação lisa, de adocicada.
Enquanto que sob ela, dura e endurece
o caroço de pedra, a amêndoa pétrea,
dessa árvore pedrenta (o sertanejo)
incapaz de não se expressar em pedra.

Daí porque o sertanejo fala pouco:
as palavras de pedra ulceram a boca
e no idioma pedra se fala doloroso;
o natural desse idioma fala à força.
Daí também porque ele fala devagar:
tem de pegar as palavras com cuidado,
confeitá-las na língua, rebuçá-las;
pois toma tempo todo esse trabalho. (2)


´Poetas por poetas sejam lidos e entendidos´ - sentencia um axioma clássico. Nesse sentido, é esclarecedora leitura do poema ´João´, de Adriano Espínola:

Conter esta chuva nos lábios
é adensar nuvem repleta
e sua exata estação lambendo
a terra.

Amansar este rio nos dedos
é fisgar nas locas do tempo
o peixe arisco da busca,
atento.

Reter a explosão desta flor
é pesar a pólvora das pétalas
e a carga lírica nas mãos,
à espera.

Domar este potro nos olhos
é recortar o espaço,
planície madura ao verde
e ao salto.

Apreender o homem no chão
é aguçar o fio das palavras,
faca ferindo certeira
o espanto.

Fazer o verso quando João
é plantar a palavra na pedra,
horta sonora brotando,
severa.


Trata-se de uma homenagem ao poeta João Cabral de Melo Neto, através da apreensão de elementos-chave de sua criação literária: o rigor formal, a escolha meditada do vocabulário, a preferência por rimas toantes, a serviço de uma temática voltada para o telúrico, para a preocupação social e para o próprio fazer poético.

A contenção da ´chuva´ e o adensamento da ´nuvem´ configuram a genuína estação nordestina: a seca, transmudada, assim, em tema e expressão para a poesia do pernambucano. E o esforço da construção textual vem, metaforicamente, expresso pela acepção da palavra poética como um rio a ser dominado, um ´peixe arisco´, o ´potro´ selvagem. Desse modo, o exercício de racionalização que lhe compreende a composição poética entra em harmonia com seu antilirismo, que lhe impede a explosão da flor.

Apreendendo o ´homem no chão´, em seu cantar a palo seco, João Cabral de Melo Neto colhe-o da terra de que, constantemente, é expulso: ora pela seca, ora pelo latifúndio, ora pela violência.

Escrever poema à semelhança de João é, por fim, como ele, receber lições da pedra: com ela apreender a exatidão da forma, a impassibilidade, a resistência à porosidade, sendo, portanto, impermeável a sentimentalismo, sob a severidade das rimas toantes: pedra - severa.

O que, a rigor, o poeta Adriano Espínola apreendeu do universo de João Cabral de Melo Neto foi, antes de tudo, o modo por que este realizou, em suas composições, a anulação do eu ou o distanticamento deste, amordaçando, assim, o lirismo derramado que, amiúde, impregnou e impregna a poética universal. Seu poema é, pois, um poema pensado; e, em suas mãos, refaz-se aquele cinzel a que tanto aspiravam os parnasianos, só que com uma lâmina muito mais sob o esmerial do encantatório. Nesse sentido, à proporção que a poesia se revela mais enxuta, mais concisa, mais objeto no ápice de sua composião, mais se realiza ainda a autodestruição do eu, como se lê em ´Agulhas´:

Nas praias do Nordeste, tudo padece
com a ponta de finíssimas agulhas:
primeiro, com a das agulhas da luz
(ácidas para os olhos e a carne nua),
fundidas nesse metal azulado e duro
do céu dali, fundido em duralumínio,
e amoladas na pedra de um mar duro,
de brilho de peixe também duro, de zinco.

Depois, com a ponta das agulhas do ar,
vaporizadas no alísio do mar cítrico,
desinfetante, fumigando agulhas tais
que levam a areia do lixo e do vivo.

Entretanto, nas praias do Nordeste,
nem tudo vem com agulhas e em lâmina:
assim, o vento alíseo que ali visita
não leva debaixo da capa arma branca.

O vento, que por outras leva punhais
Feitos do metal do gelo, agulhíssimos,
no Nordeste sopra brisa: de algodão,
despontado; vento abaulado e macio;
e sequer em agosto, ao enflorestar-se
vento-Mata da Mirueira a brisa arbusto,
o vento mete metais dentro do soco:
então bate forte, mas sempre rombudo.


Observa-se, portanto, a expressão de um poeta que, não sendo expansivo, derramado, não deixa, ainda assim, de nos emocionar, uma vez que nos põe, súbito, ante a inquietação do belo - fruto este do lirismo em estado de alto grau. Concentrando-se no outro - os objetos, os seres -, não deixa, paradoxalmente, de realizar a busca de um eu, naquele, o outro, submerso; aliás, o próprio João Cabral de Melo Neto, num metapoema, discorreu acerca desse dualismo:

Sempre evitei falar de mim,
falar-me. Quis falar de coisas.
Mas na seleção dessas coisas
não haverá um falar de mim?


O próprio poeta, portanto, abre a crosta que, até então, envolvia o enigma. Em sua poética, a pura descrição, em que o objeto ou o ser se descreve ao mostar-se, só aparentemente não dá margens a ambigüidades; mas, como bem acentuou Massaud Moisés, ´tudo se passa como se o objeto se autodescrevesse no ato de ser, e vice-versa, como se o ato de ser correspondesse à descrição do que o objeto faz de si próprio´.(4) Parece não haver, mas há um eu, uma consciência que descreve ou vê a realidade - e esta é a sua carta geográfica.

(© Diário do Nordeste)

Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)


powered by FreeFind


Google
Web Nordesteweb