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11/06/2008
Diretor
João Falcão lança no Recife seu segundo longa-metragem, Fica comigo esta
noite, mais uma adaptação de um sucesso do teatro
MARCOS TOLEDO Esta semana o diretor de teatro, TV e cinema João Falcão esteve em sua Recife natal acompanhado das atrizes Clarice (também sua filha) e Alinne Moraes para fazer o lançamento oficial de seu mais novo longa-metragem, Fica comigo esta noite. Esta comédia romântica, que tem estréia nacional na próxima sexta-feira (27), é um exemplo do quanto o cinema brasileiro está distante de consolidar uma indústria como nos países da América do Norte e Europa. Se em Hollywood, por exemplo, um diretor de referência do primeiro time, como Falcão, recebesse uma encomenda como Fica comigo, certamente cumpriria seu papel funcional, que é o máximo que esse trabalho exige, e retomaria seu rumo autoral sem maior repercussão. Em se tratando da Sétima Arte do patropi, na qual cada trabalho, cada pé de película é uma oportunidade para se exercitar, para mostrar habilidade, até um trabalho simples como essa sua obra mais recente ganha uma projeção além da esperada. A realização do longa – adaptação da peça teatral homônima, de Flávio de Souza – é uma idéia de Diler Trindade, produtor que costuma trabalhar com diretores especialistas em obras de mero entretenimento, como os filmes estrelados por Angélica, Xuxa, Renato Aragão e padre Marcelo Rossi. Mas Diler já viveu a experiência de convocar um profissional do primeiro time para agregar valor a suas produções – foi o caso da cineasta Tizuka Yamazaki, que dirigiu Lua de cristal, Xuxa requebra e Popstar. No caso de Fica comigo, há uma troca, pois foi Diler quem co-produziu A máquina, projeto pessoal de Falcão. O pernambucano conta que, quando o produtor apresentou o projeto, aceitou com a condição de ficar livre para reescrever a história apenas inspirado na idéia original, que é encenada apenas por uma atriz e um ator. Ela, a esposa que vela o corpo do marido na própria cama, enquanto recebe os amigos e familiares (invisíveis em cena), ele, o marido que, mesmo morto, levanta-se para discutir a relação. O filme, que multiplica personagens e locações, levou sete meses para ficar pronto.
(©
JC Online) Diretor-roteirista
se divide entre trabalhos para cinema e teatro Não é da intenção do diretor, porém, especializar-se em adaptações de
peças para o cinema, embora um de seus projetos futuros possa vir a ser
a versão cinematográfica de seu primeiro grande sucesso nos palcos, o
espetáculo Mamãe não pode saber. “Os atores querem muito fazer. O
fotógrafo Mauro Pinheiro (diretor de fotografia de Fica comigo) é
louco para fazer”, conta. Mas isso, segundo ele, fica para o futuro mesmo. No momento, prefere
trabalhar com as duas linguagens separadamente. Enquanto escreve um
roteiro original “baseado em nada”, na vida e nas coisas que vê a seu
redor, dedica-se paralelamente a uma nova adaptação do espetáculo O
bem amado, de Dias Gomes, com Marco Nanini no elenco, prevista para
estrear em meados de 2007. PROTAGONISTAS – Para montar a equipe de Fica comigo esta
noite, João Falcão partiu da referência de amigos, como Vladimir
Brichta – que vive (e morre) protagonista –, ator que o diretor conheceu
há oito anos, em Salvador, e que lhe apresentou artistas como Wagner
Moura e Lázaro Ramos, ambos dirigidos por Falcão na série de TV Sexo
frágil. Alinne Moraes foi a única mulher a participar da série, no último
episódio. “Eu intuí que ela tem um talento raro para a idade e, além de
tudo, é inteligente, esperta, dedicada e linda. Uma mulher por quem se
voltaria depois de morto (risos).” A atriz carioca, de apenas 23 anos, chega ao cinema com uma bagagem
de cinco novelas na TV Globo, e logo em um dos papéis principais.
“Admiro muito o trabalho do João. Fiquei muito feliz”, conta Alinne, que
já havia recusado várias propostas anteriores para o cinema. “Até hoje,
quando vejo o filme, fico com um gostinho de quero mais”.
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