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Nova bagagem

11/06/2008

EVARISTO FILHO: “consolidação do músico dentro do poeta-letrista”

 
Dalwton Moura

O cantor e compositor Evaristo Filho apresenta seu novo show. Veterano participante de festivais, Evaristo celebra um novo momento em sua carreira, lançando seu terceiro CD ao lado de jovens - e promissores - instrumentistas cearenses

Uma nova etapa na carreira de um cantor e compositor que, entre participações em festivais Brasil afora e parcerias com diversos nomes da cena independente cearense, reinventa a própria obra. Assim Evaristo Filho define seu atual momento, sintetizado no show “Minha Bagagem”, atração desta noite no Café Ponte de Luz.

“Estou vivendo uma fase áurea em minha carreira, pelo batismo da mais nova cria, um disco que fecha um ciclo da minha carreira, consolidando minha arte”, diz Evaristo Filho sobre o CD “Minha Bagagem”, em que ele divide a direção musical com o cantor e compositor Rogério Franco e o instrumentista e arranjador Ítalo Almeida. No disco, as canções de Evaristo e parceiros são costuradas pelo piano e pelo acordeão de Ítalo, em arranjos mais cadenciados e atentos às harmonias que nos trabalhos anteriores do cantor, cujo álbum de estréia data de 1996.

“Meu primeiro trabalho foi o ‘Lua Nova’, um disco que retratou minha fase adolescente, tímida mas atirada. Depois veio o “Miragens” (2001), que embora fosse um CD quase todo autoral, eu falei tudo ao mesmo tempo, explorei todo o meu potencial, todos os ritmos, todos os amigos, todos os músicos que eu gostava, todas as músicas que eu queria cantar, todos os arranjadores que eu gostava, enfim, fiz um disco do mundo que me rodeava”, analisa Evaristo. “Agora eu resolvi mergulhar em mim mesmo, tomar conta da minha música. O pronome possessivo no título do disco é bem apropriado para o desnudamento do meu sentimento como poeta nordestino, da consolidação do músico que existe dentro do poeta-letrista e da revolução que existe a partir da minha bagagem acumulada”, acrescenta.

Matulão de encontros e influências reveladas a partir da faixa-título, saborosa melodia do jovem compositor Fernando Rosa para letra de Evaristo. Entre outras parcerias, Paulo César Oliveira assina a música e divide os vocais em “Letras de Caetano”, tributo de Evaristo a uma das maiores referências de seu fazer musical, com direito a citação de “Canto sem eira nem beira” (de Evaristo e Edmar Gonçalves, agora regravada por Evaristo e sua filha, Aléssia Freitas, que faz participação especial no show desta noite).

Já Rogério Franco comparece com o maior bloco de parcerias, com “Cores nativas” (abrindo o disco em ritmo de chegança no mar de Canoa), “Andar” (com ecos de Alceu Valença, outra grande influência), a balada-rock “Afrodite”, a evocativa “Eu passarinho” (também com Perpétua Bezerra) e o blues “Contramão” (com Alan Mendonça). Alan, por sua vez, assina com Evaristo e o cantor e compositor Edmar Gonçalves “Boi estrela”, incursão pelo ritmo maranhense, e tabela com Evaristo no baião “Umbreiros”. O disco traz ainda “Volta, poeta”, de Evaristo e Edvandro Sousa.

No show desta quinta-feira, Evaristo faz ainda uma espécie de ponte entre gerações e horizontes musicais diversos, sendo acompanhado por jovens instrumentistas de Fortaleza. “É uma banda que já toca há muito tempo, formada por jovens de 21 a 26 anos. Eles me levaram a fazer um repertório mais pop, mais a ver com a moçada”, diz, sobre a companhia de Dudu Holanda (violão, guitarra e arranjos), Wanderley Freitas (baixo), Thiago Carvalho (teclado) e Paulo Santos (bateria). “Os arranjos também foram modificados para o pique dos meninos. Eu estou simplesmente adorando descobrir este Caetano que tem em mim”, anuncia o músico, com novidades na bagagem.

(© Diário do Nordeste)


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