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O Nelson da pós-dramaturgia

11/06/2008

Polêmica: em 1997, o I Festival abriu com a peça de Romero Andrade Lima, adaptada da obra de Ariano Suassuna, A Pedra do Reino, que foi duramente vaiada durante 30 minutos seguidos

Festival Recife de Teatro Nacional, de 8 a 20 de novembro, traz peças que abordam de diferentes maneiras o universo do teatrólogo

FABIANA MORAES

A programação da nona edição do Festival Recife de Teatro Nacional, divulgada pela Prefeitura do Recife, demonstra um saudável amadurecimento na maneira de se pensar o encontro. Além das peças escolhidas, a programação traz um grande seminário, composto de 17 palestras que abordam, cada uma com tema específico, a obra de Nelson Rodrigues, homenageado deste ano. Além disso, uma mostra vai trazer a produção cinematográfica baseada em clássicos rodrigueanos com direito a três estréias nacionais, entre elas Vestido de noiva, de Jofre Rodrigues (filho de Nelson), visto apenas no Festival de Gramado deste ano. Juntando as seis oficinas – uma delas, a de maquiagem, já iniciada –, os lançamentos de livros e a mostra sobre o dramaturgo que acontece em cinco teatros, o resultado é um festival nacional (de 8 a 20 de novembro) que abrange várias áreas e não fica restrito apenas aos palcos.

A grade das peças também reflete uma maneira mais coesa e mesmo conceitual de organização. Como em anos anteriores, sempre seguindo uma linha centrada no homenageado, os espetáculos anunciados trazem o universo do teatrólogo pernambucano de acordo com o olhar do curador do encontro, Aimar Labaki. Tem o drama em diferentes tons de Toda nudez será castigada (com os cariocas do Armazém, que já estiveram aqui no ano passado) e Uma flor de dama, dos cearenses Grupo Parque de Teatro, a urbanidade de Mire e veja (Companhia do Feijão, SP) e A vida na Praça Roosevelt (Satyros, SP) e o experimentalismo em cena com a elogiada A falta que nos move ou todas as histórias são ficção, da Cia. Vértice de Teatro (RJ).

A coordenadora do encontro, Lúcia Machado, diz que a linha seguida este ano foi a da pós-dramaturgia. A própria idéia do Aprendiz Encena, onde três novos diretores realizaram a montagem Nelson Crônico, baseada em contos do dramaturgo, demonstra essa vocação. “São textos não-dramáticos trabalhados cenicamente”, comenta Lúcia. Outra produção destacada por ela é a citada A falta que nos move ou todas as histórias são ficção, uma peça-perfomance onde os atores dividem-se entre a incorporação de personagens e a não-atuação (o grupo, aliás, prepara um jantar em pleno palco na encenação).

MUDANÇAS – No próximo ano, a curadoria do Festival Recife de Teatro Nacional (que , além dos R$ 300 vindos da PCR recebeu mais R$ 300 mil de patrocinadores como Eletrobrás, Caixa Econômica Federal, Chesd e Petrobras) ficará a cargo de Kil Abreu, um dos integrantes da curadoria do Festival de Teatro de Curitiba. Como este ano, a decisão do que vai entrar na grade também ficará apenas a cargo de uma pessoa, um assunto bastante criticado por parte das entidades de classe no Estado. A reclamação é que uma curadoria única é incapaz de realizar uma seleção honesta das peças que não se concentram no eixo Rio-São Paulo-Curitiba, inclusive as locais. O secretário João Roberto Peixe diz que o modelo vai seguir, enquanto Lúcia Machado garante que a PCR está fechando uma espécie de agenda que será cumprida por Kil Abreu. Este ano, Labaki veio apenas duas vezes ao Recife para conferir os espetáculos em cartaz.

A questão do excesso de convidados percebida ano passado (dos 10 mil espectadores, mais de cinco mil receberam convites) também será, prometeu a coordenadora, revista. “Estamos analisando a capacidade de cada teatro para isso”, disse.

(© JC Online)


Filho de Nelson Rodrigues finaliza Vestido de Noiva

Joffre Rodrigues estréia versão do clássico para a tela grande no dia 17

Ana Fialho

Há 11 anos Joffre Rodrigues decidiu desmistificar a lenda de que a peça mais importante de seu pai, Nelson Rodrigues, era infilmável: debruçou sobre Vestido de Noiva e oito tratamentos de roteiro depois, ele lança no dia 17 o filme com o mesmo nome. A questão da excessiva teatralidade da peça ele negociou na metade do processo. Um tanto emocionado, reproduziu um papo que teve com o pai antes de começar a quarta modificação do roteiro: 'Pai, para fazer este filme vou ter de meter a faca na sua peça.'

Mas apesar do corte, ele acredita que Nelson adoraria o filme se ainda estivesse vivo: 'Quando eu era criança, se desse um pum, ele achava lindo', diverte-se. Joffre tem experiência com cinema, mas é a primeira vez que dirige. 'Produzir é um inferno comparado ao paraíso de dirigir', confessa.

Gostou e quer continuar dirigindo. Até recebeu uma proposta dos EUA, que está estudando com cautela, mas antes de qualquer coisa quer continuar se dedicando ao Vestido até o lançamento. E o desmame, parece, vai ser delicado: 'No momento exato em que dei o último corte na edição, começou a me dar muita saudade.' Uma coisa que ele não vai sentir falta é da burocracia. 'O filme está filmado e finalizado, mas ainda temos direito a captar um monte de dinheiro. Não recebemos os incentivos, devem ter achado que o filme de um velho que nunca dirigiu antes não daria certo. Não fosse um empréstimo de um amigo, não teríamos conseguido', desabafa.

O filho de Joffre, o produtor Nelson Vinícius, sofreu para entender o esquema de financiamento do audiovisual. Mas também participou da parte prazerosa: ele interpreta o Pimenta, narrador da vida real que na história se mistura à fantasia. E para completar a quarta geração rodriguiana no longa, o bisneto primogênito do Anjo Pornográfico, Vinícius Rodrigues, de 9 anos, começa carreira de ator como um dos personagens. Contracena com Marília Pêra, Simone Spoladore, Letícia Sabatella e Marcos Winter.

(© Agência Estado)


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