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Paleta de Aldemir Martins

11/06/2008

Aldemir Martins e o amigo Tota: homenagem, no primeiro aniversário após a morte do maior talento de Ingazeiras

A galeria Paleta, a do Tota, faz 18 anos. A data cai justinho no dia do nascimento do artista plástico Aldemir Martins, há 84 anos, em Aurora, distrito de “Ingazeiras”, título da exposição comemorativa à galeria. Com telas de Aldemir, Tota celebra o “Oco do Mundo”, cantado por Ednardo. Aldemir Martins faleceu em 5 de fevereiro deste ano, em São Paulo

No começo, a Paleta era na Encetur, ali na Praça da Estação. Em 92, foi parar na rua Pereira Filgueiras. Há dez anos, na Praia de Iracema, onde está até hoje, no Casarão Boris. Em cada uma de suas fases, experimentou alegrias e dificuldades, segundo Tota, como é conhecido o cidadão de Sonolópoles Antônio Severiano Batista.

Na primeira “fase”, a Paleta revelou nomes como Antunes e Gerardo da Silva, neto de Chico da Silva. Na segunda, Fagner, Totonho Laprovítera e Ricardo Bezerra. Amigos como são ainda Belchior, Fausto Nilo, Amelinha, Geraldo Azevedo... “O Geraldinho vai expor a sua primeira pintura, em torno do universo do Aldemir”, informa o aniversariante.

Também há dez anos, Tota criou a ONG “Cores e Cantos” , que estimula a criação plástica entre crianças e adolescentes. “Já orientamos mais de 600 jovens, de diversas cidades, em parceria com as prefeituras. Aqui, trabalho com as fundações Fagner e Ana Amélia ”. Parte da produção da turma atual será mostrada na exposição dedicada a Aldemir, que reunirá também trabalhos de escultores da própria Ingazeiras, como Painha, Francisco José e Janjão.

No dia 16, parte da mostra chega a Sobral. A celebração pelo aniversário de Aldemir também deverá contar, em breve, om o lançamento de um cordel de Klévisson Viana. “E para o ano que vem deve acontecer o I Salão Aldemir Martins, na Estação das Artes, lá em Aurora mesmo, um galpão para os artistas da região e com um pequeno memorial do Aldemir”, acrescenta Tota, dizendo que pretende unir a turma do Pessoal do Ceará, seus amigos artistas, para um grande sarau musical e visual.

Uma fera do desenho

Gatos, muitos gatos. E galos e outros bichos. É por estes elementos que a obra pictórica de Aldemir Martins se tornou mais conhecida popularmente. O primeiro nasceu em 1950 e foi comprado pelo conterrâneo Chico Albuquerque, em Recife. Pouco antes de falecer, em 2000, o fotógrafo o devolveu ao artista e amigo.

Mas nem só dos gatos se fez o talento de Aldemir. Seu colorido também se espalhou por outras formas. Nascido em Ingazeiras, distrito de Aurora, há 84 anos, Aldemir começou sua trajetória nos anos 40, na Scap, a Sociedade Cearense de Artes Plásticas. Em 45, ele se mudou para o Rio e no ano seguinte se radicou em São Paulo, onde faleceu em fevereiro. Em Sampa, ele ganhou a bienal de 55, como desenhista. No ano seguinte, Veneza.

Sua obra não se esqueceu de suas origens, retratando a seca, cangaceiros e rendeiras, mas também se cosmopolizou, transferindo conceitos de diversas linguagens, das artes gráficas à publicidade. Os desenhos e gravuras foram suas principais técnicas.“Não sei fazer nada sem desenhar”, dizia. Os gatos, galos e outros motivos ganharam peças decorativas, subverteram a lógica da própria arte de sua época, popularizando drasticamente sua obra.

SERVIÇO: “Ingazeiras: Do oco do mundo” - Coletiva de artistas de Ingazeiras e de Aldemir Martins, na Galeria Paleta (Rua Boris, 90 B, Praia de Iracema). A exposição permanece até 30 de novembro. Dia 16, outra parte da mostra chega à Casa de Cultura de Sobral, até 30 de dezembro. Informações: 3226-1951.

(© Diário do Nordeste)


HOMENAGEM

Ingazeiras de Aldemir

A Galeria Paleta presta homenagem a Aldemir Martins (1922-2006) na exposição que marca os 18 anos de aniversário da galeria de Tota. A mostra reúne trabalhos de artistas plásticos consagrados, nomes convidados e trabalhos de meninos das fundações Raimundo Fagner e Ana Amélia Bezerra

FOTO MARCOS CAMPOS
CRIANÇAS reproduzem o casario de Ingazeiras em exposição que homenageia Aldemir Martins/FOTO MARCOS CAMPOS
CRIANÇAS reproduzem o casario
 de Ingazeiras em exposição que
 homenageia Aldemir Martins

A relação de Tota com Aldemir Martins vem de longas datas. "Conheci ele tem uns vinte anos, através da Ignez Fiúza. Depois viajei pra casa dele, inclusive com ele depois mostrando os trabalhos... Me tornei amigo", resume ele que, nesta quarta (8), às 20h, traz à recordação mais uma vez o amigo e mestre, falecido há nove meses, em meio a uma celebração particular. "É que a Galeria Paleta (Praia de Iracema) está completando agora 18 anos, está ficando maior de idade... Então resolvi fazer montar essa exposição".

A mostra da qual Tota fala intitula-se Ingazeiras - No Oco do Mundo. Dela, fazem parte não só artistas consolidados no meio como Antunys, Aderson Medeiros, Mesquita, Leite Jr., Paulo de Alencar, Raimundo Dias, Audifax Rios, Vando Figueirêdo, Emília Porto e o próprio Tota, mas também fotos de Gentil Barreira e outros trabalhos em papel sobre aquarela de Geraldo Azevedo, Fausto Nilo e Falcão (este expondo desenhos em bico de pena), totalizando cerca de trinta quadros e mais de 100 peças.

Crianças do distrito de Ingazeiras, onde Aldemir nasceu, e das fundações Raimundo Fagner (Messejana) e Ana Amélia Bezerra (Vila Pery) também se farão presentes; esculturas em madeira foram elaboradas por artesãos do município de Aurora. Tendo por inspiração a terra natal do artista, as crianças produziram um material bastante inusitado, diferente do apresentado em 2005 no mesmo local, em homenagem aos famosos gatos e demais obras figurativas que marcaram sua trajetória.

"No ano passamos nós fizemos uma releitura do trabalho do Aldemir. Agora, ela está meio louca porque, em vez dos gatos e galos, nós decidimos reproduzir o casario de Ingazeiras - e as crianças fizeram isso em canos! Então você pode encontrar os casarios, igrejas, a estação ferroviária, aquela cidadezinha toda", adiantou Tota. Na parte de memória especificamente e enfatizando a amizade entre os artistas, Tota reservou um espaço para lembranças ou, como ele próprio revela, "tudo que aconteceu comigo e com ele".

Ingazeiras - No Oco do Mundo traz, assim, alguns trabalhos de Aldemir "até em parceria com a minha filha Jéssica (desenhos)", bilhetes e telegramas, fotografias, material de jornais, catálogos... "tudo o que eu consegui montar com ele, vamos dizer assim. Têm declarações de projeto de exposições, notas fiscais de quadros, até envelopes - porque todos eles tinham a logomarca do Aldemir -, depósitos, cartões de Natal, mais de 100 fotos sobre as exposições e viagens feitas... É uma exposição mais para as escolas visitarem", explicou.

Na ocasião da abertura da coletiva, haverá apresentação de violino com o músico Nilton e flauta com os jovens do Poço da Draga. Nenhuma das peças encontra-se à venda. A visitação, gratuita, prossegue então até março de 2007, sendo de terça a domingo, sempre das 9h às 22h.

SERVIÇO

Ingazeiras: No Oco do Mundo - Coletiva de arte reunindo trabalhos de crianças de Ingazeiras, das fundações Ana Amélia Bezerra e Raimundo Fagner, além de convidados como Geraldo Azevedo, Fausto Nilo, Falcão, Aderson Medeiros, Mesquita, Gentil Barreira, entre outros. Dentro das comemorações de 18 anos da Galeria Paleta - TOTA (rua Boris, 90B - Praia de Iracema) e lembrando o aniversário de nascimento de Aldemir Martins (1922-2006). A mostra prossegue até março de 2007 com visitação gratuita de terça a domingo, das 9h às 22h. Nenhuma das obras está à venda. Info.: 3226.1951/ 8734.8292.

(© O Povo)



 
HOMENAGEM

Quem foi Aldemir Martins

Desenhista, gravador e pintor autodidata, Aldemir Martins nasceu no distrito de Ingazeiras, município de Aurora, em 8 de novembro de 1922, filho de Miguel de Souza Martins e Raimunda Costa Martins. Antes de fixar-se em São Paulo, em 1946, juntamente com Antonio Bandeira, Inimá de Paula, Mário Barata, Barbosa Leite, João Siqueira, Luís Delfino, Raimundo Campos, Zenon Barreto, entre outros, participou do Grupo Artys da SCAP - Sociedade Cearense de Artistas Plásticos, cuja atividade estava voltada para a renovação modernista no Ceará.

Teve uma participação ativa e constante em centenas de exposições nacionais e internacionais, tais como nas Bienais de São Paulo (1951, 1955, 1975) e Bienal de Veneza (1956). Participou ainda dos Salões Nacional de Arte Moderna (1957, 1959). Ainda durante o ano de 1955, no IVº Salão de Arte Moderna (RJ), recebe a “Pequena Medalha de Ouro”.

Sempre se dedicou a temas nordestinos que em geral foram tratados de maneira estilizada e lírica. Em 1950, fez o Curso de Gravuras do MASP com Poty, a quem substitui nas várias ausências. A produção daquela época, que também retratava o Nordeste, era severa e dramática; dramaticidade essa oriunda das deformações de figuras hieratizadas. Estupendos desenhos em nanquim serviram para a decoração de objetos e tecidos.

Em 6 de fevereiro de 2006, o artista plástico cearense faleceu, aos 83 anos, após sofrer um enfarte em sua residência, na região do Ibirapuera (zona sul de São Paulo).

(© O Povo)


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