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11/06/2008
Aeroporto Internacional de Guarulhos abriga
mostra dos 30 anos de trabalho do arquiteto Mario Aloisio
Sérgio Duran
Em tempos de aeroportos
lotados e vôos incertos, nada mais oportuno. O saguão de desembarque
internacional do Terminal 1 do Aeroporto Internacional de Guarulhos
apresenta, até o próximo dia 4, a exposição Mario Aloisio - Traço do
Arquiteto, retrospectiva dos 30 anos de trabalho do mestre alagoano na arte
de criar formas inusitadas.
Um exemplo é o projeto do Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, em
Maceió, que, visto de cima, tem o formato de um imenso olho. A íris verde
desenhada no teto filtra a luz do sol projetando no chão a cor do mar
alagoano, intenção de Aloisio.
A maquete do aeroporto está no centro da exposição, cujo destaque é um
painel com a fusão de três fotos, uma do Rio São Francisco, outra da Praia
do Bunga e uma terceira da Lagoa de Maceió. Nesta, Aloisio projetou uma
palafita para Janice Vilela, filha caçula do ex-senador Teotônio Vilela. A
réplica fica na frente do painel.
A marca de Aloisio é justamente esta: linhas e cores ousadas, formas
criativas, utilização de material local como as pastilhas feitas com casca
de coco e o telhado de sapé.
Pelo inusitado, o arquiteto assemelha-se a Ruy Ohtake e seu hotel-melancia,
construído em São Paulo. Mas foi de Oscar Niemeyer, com quem trabalhou no
Memorial Teotônio Vilela ano passado, que ele arrancou elogios. 'Mario
Aloisio compreende bem os segredos da arquitetura', disse Niemeyer. A frase
é reproduzida na contracapa do livro homônimo à exposição.
Aloisio constrói muito no Nordeste e pode ter sido apreciado por alguns dos
passageiros que transitam por Cumbica sem que esses saibam de quem é
determinado edifício.
Ele defende a criação de uma escola pernambucana de arquitetura, apesar de
achar a idéia pretensiosa perto das escolas carioca e paulista. Para
endossar sua tese sobre a forma peculiar de o nordestino fazer projetos
arquitetônicos, ele usa uma bíblia local de arquitetura, o livro Roteiro
para Construir no Nordeste, de Armando de Holanda.
Enquanto os prédios de São Paulo viram-se para cá e para lá atrás do sol, os
nordestinos se escondem da luz, criando ambientes que valorizam a sombra e
tiram proveito do vento, um patrimônio local. 'O clima favorece uma
arquitetura de alpendres', ensina Aloisio, enquanto dá os últimos retoques
na exposição. 'Mas de fato há uma ambiência maior na arquitetura nordestina,
porque há uma cultura local forte, menos sujeita ao estilo imposto pelo
mercado', considera.
A paisagem local, no entanto, não está livre da globalização, que surge em
hotéis de estilo caribenho. 'Tive um cliente que me pediu para fazer um
edifício parecido com um hotel do México', conta.
Dos 300 trabalhos realizados em 12 Estados brasileiros, são destacados na
exposição a Capela do Sertão, em Delmiro Gouveia (AL), que tem formato de
concha, e a Igreja Nossa Senhora da Misericórdia, em Fortaleza (CE), que faz
referência à vegetação local, de cactos, mandacarus e agaves.
Edifícios de Aloisio como o Cozumel, em Maceió, de forma oval e pastilhas
brancas e vermelhas, mostram que é possível ousar na produção residencial do
setor imobiliário e fazem a capital São Paulo parecer uma senhora
conservadora.
Com relação a este tema, saiba mais
(arquivo NordesteWeb)
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