Notícias
Filme de Assis estréia em Brasília

22/11/2006

Claudio Assis (de preto) dirige 'Baixio das bestas'


É grande a expectativa em torno do longa-metragem Baixio das Bestas, do realizador pernambucano Cláudio Assis, no festival candango


Começa hoje a 39ª edição do Festival de Brasília, tido pelos que fazem o cinema brasileiro como a principal arena de exibição do audiovisual feito no País. Defendendo a exigência de ineditismo para curtas e longas, o Festival enfrenta a concorrência de festivais mais novos, como o do Rio e a Mostra Internacional de São Paulo, cada vez mais empenhandos em também oferecer um panorama abrangente dos novos filmes realizados no Brasil, entre curtas e longas. Uma particularidade do festival é a seleção relativamente pequena, com seis longas metragens em competição, 12 curtas 35mm e 20 curtas 16mm. Pernambuco participa com três filmes, um em cada categoria, com destaque para o novo longa de Cláudio Assis, Baixio das bestas.

O festival tem como espaço o Cine Brasília, sala espaçosa sempre lotada. Logo mais, a sessão de abertura (fora de competição), traz o filme O romance do vaqueiro sonhador, de Manfredo Caldas, que aborda o imaginário do homem nordestino no Distrito Federal, em especial na sua relação com a construção de Brasília. Também está prevista na programação desta semana o lançamento da cópia restaurada de O Homem que virou suco (1981), clássico brasileiro de João Batista de Andrade.

A competição de longas tem início amanhã com o novo filme de Evaldo Mocarzel, um dos realizadores maais prolíficos do cinema brasileiro (À margem da imagem, Do luto à luta, À margem do concreto) com um longa por ano (seu gênero específico é o documentário). Mocarzel agora lança Jardim Ângela, que enfoca a periferia de São Paulo, uma das mais violentas daquela região.

Na quinta, passa Querô, de Carlos Cortez, sobre um adolescente pobre da região portuária de São Paulo. Na sexta, o documentário do paraibano radicado em Brasília Vladimir Carvalho, O Engenho de Zé Lins, sobre a vida e obra do escritor José Lins do Rego. Sábado é a vez do mineiro Helvécio Ratton (O Menino Maluquinho, Amor & cia) contribuir para a atual onda de filmes brasileiros que reexaminam os anos da ditadura militar, enfocando o apoio de padres dominicanos à luta armada.

Com Baixio das bestas no domingo, o filme que encerra a competição na segunda-feira é Encontro com Milton Santos ou o mundo global visto do lado de cá, documentário de Sylvio Tendler, uma análise do processo de globalização tendo como base o pensamento do geógrafo Milton Santos. Acompanhando cada longa, dois curtas por noite. Na seleção deste ano, curtas metragens de Brasília (Dia de folga, de André Carvalheira, Divino maravilhoso, de Ricardo Calaça, Uma questão de tempo, de Catarina Accioly e Gustavo Galvão, A vida ao lado, de Gustavo Galvão), São Paulo (Pixinguinha e a velha guarda do samba, de Ricardo Dias e Thomaz Farkas, Hibakusha: herdeiros atômicos no Brasil, de Maurício Kinoshita, Espeto, de Guilherme Marback e Sara Silveira), Rio de Janeiro (O Homem livro, de Anna Azevedo, O Brilho dos meus olhos, de Allan Ribeiro), um da Bahia (Noite de marionetes, de Haroldo Borges), um de Minas (Trecho, de Clarissa Campolina e Helvécio Marins) e um de Pernambuco (Noite de sexta manhã de sábado, de Kleber Mendonça Filho).

LOCAL – A presença de Pernambuco em Brasília mantém viva uma tradição recente da produção local no festival. Há exatamente dez anos, Baile perfumado, de Lírio Ferreira e Paulo Caldas, estreava e ganhava Brasília. Um ano antes, Maracatu maracatus, primeiro curta de Marcelo Gomes, venceu curta metragem. Em 2002, Amarelo manga, de Assis, ganhou Melhor Filme e desde 2003 que os prêmios de Melhor Diretor de Curta 35mm vêm para Pernambuco (Camilo Cavalcante ganhou em 2003 com História da eternidade e em 2005 com Rapsódia para um homem comum). Vinil verde, de Kleber Mendonça Filho, ganhou em 2004, mesmo ano que viu o prêmio de Melhor Filme 16mm para O homem da mata, de Antônio Carrilho.

Este ano, Baixio das bestas estréia em Brasília, filme que promete uma observação da Zona da Mata de Pernambuco. Há enorme expectativa em torno do filme, e o pedigree pernambucano é um fator. No elenco, Matheus Nachtergaele, Dira Paes, Hermila Guedes, e Caio Blat. O filme passa domingo. Noite de sexta manhã de sábado, do realizador e também crítico do JC, Kleber Mendonça Filho, é uma produção independente, originalmente rodada em Mini-DV e transferido para filme 35mm. Com fotografia em preto e branco, o filme, segundo o realizador, tem a curta sinopse “homem encontra mulher”. É o primeiro filme do diretor (também co-roterista, montador, fotógrafo e diretor de som no filme) depois de Eletrodoméstica. Daniel Aragão, responsável por Uma vida e outra, terceiro filme pernambucano em Brasília (16mm) também acumulou funções (dirigiu, montou e fotografou) nesta outra produção independente originalmente rodada em digital. O filme aborda a gravidez na adolescência.


Vídeo:

Saiba mais sobre Cláudio Assis e sua obra


Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)


powered by FreeFind


Google
Web Nordesteweb