A feira de Caruaru, no Agreste de Pernambuco, recebeu na tarde desta
quinta-feira (7), o título de Patrimônio Imaterial Nacional. O
anúncio foi feito em Santos, no estado de São Paulo, durante reunião
do conselho consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional (Iphan).
Durante um ano e meio, os pesquisadores do Iphan percorreram a feira
de Caruaru para fazer um levantamento completo de características
que poderiam conceder o título à feira. O anúncio dado pelo Iphan
nesta quinta é um reconhecimento da diversidade e riqueza do mais
efervescente comércio popular do Nordeste.
“A feira de Caruaru concentra toda a riqueza cultural da região
Nordeste como um todo”, diz a pesquisadora Maria das Graças Vilas.
No maior centro de comércio popular do interior do Nordeste, existem
30 mil feirantes e várias feiras estão reunidas num só lugar:
artesanato, roupas, frutas, verduras, entre outros produtos são
comercializados no local. O faturamento chega a 40 milhões de reais
por semana.

Os
bonecos que nascem do barro são a principal representação da feira
de Caruaru, pois neles estão representados personagens do povo e as
cenas da vida nordestina. O artesão Luiz Antônio, de 72 anos, criou
uma família numerosa, com a habilidade que aprendeu ainda criança.
“A importância do barro pra mim foi uma benção de Jesus, porque eu
criei os meus filhos, hoje todos vivem da arte, tem suas casinhas
pra morar, os dez filhos”, diz o artesão.
Outra marca da feira de Caruaru são as miniaturas feitas com
capricho. Marliete Rodrigues usa uma ferramenta diferente pra
fabricar as peças quase microscópicas: o espinho do mandacaru serve
de pincel. “Acho que é uma coisa de família. Está no sangue e é uma
coisa abençoada por Deus e toda a família consegue sobreviver do
trabalho do barro”, comemora a artesã.
(©
PE 360 Graus)