O escritor e jornalista Homero Fonseca pesquisou durante dois anos a origem dos nomes dos 185 municípios de Pernambuco. O resultado do levantamento: histórias curiosas e cheias de criatividade popular que serão lançadas nesta quarta (06), no livro Pernambucânia.
Nos anos em que percorreu as estradas de
Pernambuco, seja por motivo de trabalho ou
porque morou em várias cidades do interior,
Fonseca pesquisou a história e a origem dos
nomes dos municípios. “Praticamente inexiste
literatura a respeito, há uma lacuna muito
grande nisso. O último trabalho foi de Mário
Melo, em 1931, e o livro tinha cerca de 70
cidades. M mesmo assim, ele se limitou aos
municípios com nomes de origem indígena”,
conta o escritor.
Fonseca lembra que teve dificuldade para
encontrar documentos que registrassem as
histórias. Como exemplo, ele lembra Quipapá,
cidade na Zona da Mata, onde ouviu de
algumas pessoas que o nome é de origem
indígena e significaria uma planta. Outras
disseram que vem de um dialeto africano e
seria refúgio do Quilombo dos Palmares.
E ainda existe uma lenda: “Seria o dia em
que o diabo vinha pela região com um
diabinho nas costas. Os dois caminhando, já
cansados, encontraram aquela região muito
bonita e o pequeno diabo disse para o diabo
grande “aqui, Papá”, e ficaram. Essa é uma
versão lendária”, diz ele, entre risadas.
Para Homero Fonseca, a cidade mais difícil
de ser pesquisada foi Caruaru, que é um nome
de origem indígena, mas que, segundo o
autor, há diversas explicações para a
escolha. A história mais conhecida é de uma
doença, chamada caruru, que atacou o gado,
mas ainda existem várias outras.
“Caruaru é um tipo de lagarto, que é
popularmente conhecido como teiú e tem muito
na região. Outra explicação é que é também
um tipo de planta, caruaru, que seria uma
palma muito comum na região. Por fim, ainda
há outra explicação, que seria um outro tipo
de planta que estaria na margem do rio
Ipojuca, uma espécie de bredo chamado caruru
e teria se transformou em caruaru”.
Uma das histórias mais interessantes
encontradas por ele para o livro
Pernambucânia foi a de Tamandaré, no litoral
sul do estado. “O nome Se refere a um pajé
que havia naquela região chamado Tamboiaré e
que recebeu de Tupã, que é a divindade dos
índios, a tarefa de construir uma barca e
colocar toda a família porque viria uma
grande inundação naquela região e só eles
escapariam. Isso foi feito, Tamandaré
escapou e aí ficou famoso como enviado de
Tupã”, diz Homero Fonseca.
