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Meneses celebra 150 anos de Schumann

11/06/2008

O músico pernambucano, radicado na Europa, Antonio Meneses


IRINEU FRANCO PERPETUO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O mundo da música, às vezes, pode ser injusto em suas efemérides.
Entalado entre o 250º aniversário do genial Mozart e o centenário de nascimento do controvertido Chostakovitch, o pobre Robert Schumann teve seus 150 anos de nascimento praticamente despercebidos -pelo menos no Brasil, onde os programadores de concertos pouco fizeram para celebrar sua memória.

Para dirimir um pouco a lacuna, um dos maiores concertistas brasileiros da atualidade, o violoncelista Antonio Meneses, acaba de lançar simultaneamente, na Europa e aqui, um álbum com criações do mestre do romantismo alemão.

Autor de um dos primeiros concertos para violoncelo e orquestra românticos a entrarem no repertório do instrumento, Schumann não deixou nenhuma sonata para o artefato musical de Meneses. Bem ao gosto do romantismo, preferiu produzir ciclos de pequenas peças: o disco traz, além de um "Adagio e Allegro", cinco "Stücke im Volkston" (Peças folclóricas), além de três "Phantasiestücke" (Peças de fantasia) e quatro "Märchenbilder" (Peças de contos de fadas).

Aliando lirismo e sonoridade intimista, Meneses soa como um intérprete ideal para tais peças. Desde que entrou para o Trio Beaux Arts, em 98, a faceta camerista do violoncelista parece ter se acentuado; Meneses soa como se tivesse refinado ainda mais o ouvido e a sensibilidade, para se transformar em um mestre do fraseado e do cuidado com a sonoridade.

A sonata que complementa o disco não é de Schumann, mas de Franz Schubert: trata-se da "Arpeggione", escrita para um instrumento de cordas homônimo que não pegou, tendo sido adotada com gosto por violoncelistas de todas as gerações.

Da "Arpeggione", Meneses já havia feito um registro, nos anos 80, com Gilberto Tinetti.

Seria injusto ver em Tinetti qualquer tipo de déficit, seja ele técnico ou musical, com relação ao parceiro atual de Meneses, o pianista Gérard Wyss. O que mudou, e muito, foram as técnicas da gravação, bem como o amadurecimento musical do próprio violoncelista. Por estes motivos, talvez seja possível preferir a sobriedade desta gravação à fogosidade que caracterizava o disco anterior.

SCHUMANN & SCHUBERT      
Artista: Antonio Meneses, violoncelo; Gérard Wyss, piano
Lançamento: Selo Clássicos
Quanto: R$ 40

(© Folha de S. Paulo)


IX Virtuosi faz uma homenagem ao Maestro Duda

Começou a nona edição do Virtuosi – Festival Internacional de Música de Pernambuco –, que este ano homenageia o compositor pernambucano Maestro Duda. A apresentações, que contam com a participação de mais de 60 artistas, serão realizadas até domingo, no Teatro de Santa Isabel. O preço dos ingressos varia de R$ 10 a R$ 30.

Para abrir o evento, o pianista coreano Hugh Sung apresentou um recital visual com obras de compositores americanos Griffin e Carollo, além da obra Histoire de Babar com música de Poulenc e Quadros de uma d exposição, de Moussirgsky.

A nona edição do Virtuosi traz uma novidade. O evento será estendido para o Salão Nobre do teatro, onde obras que estão fora da programação do palco principal serão apresentadas.

Nomes de peso da música internacional, como o pianista austríaco Matthias Soucek, músicos da Rudi Scheidt School of Music, o duo The Windfire: flute & percussion spectacular, a violinista Deborah Nemtanu e o pianista François Pinel, também se apresentam no evento. Na noite em homenagem ao Maestro Duda, o IX Virtuosi antecipa as comemorações dos 100 anos de frevo apresentando O frevo como música de concerto.

IX Virtuosi – Festival Internacional de Música de Pernambuco. De 12 a 17 de dezembro, no Teatro de Santa Isabel. Ingressos: de R$ 10 a R$ 30. Informações: 3363-0138.

(© JC Online)


Fotos do Maestro Duda em exposição no Santa Isabel

Durante a nona edição do Virtuosi - Festival Internacional de Música de Pernambuco, algumas imagens que marcaram a carreira do Maestro Duda, o homenageado do evento, estarão expostas no Teatro de Santa Isabel, a partir da terça-feira (12). A exposição Um maestro sem fronteiras reúne 26 fotografias do arquivo pessoal do compositor em vários momentos de sua vida. A exposição, organizada pela TIM, patrocinadora oficial do Virtuosi, fica aberta ao público durante o evento no foyer do teatro, até o próximo domingo (17).

TRAJETÓRIA - José Ursicino da Silva, o Maestro Duda, nasceu em 1935, na cidade de Goiana. Aos 8 anos, iniciou os estudos na música e aos 15, mudou-se para o Recife para integrar a Jazz Band Acadêmica e a Orquestra Paraguari, da TV Jornal do Commercio. Em 1953, já como regente e arranjador da Paraguari, ganhou o segundo lugar do Festival de Música Carnavalesca com o frevo Homenagem à Princesa Isabel.

Na década de 60 integrou a Orquestra Sinfônica do Recife e o Conservatório Pernambucano de Música. Vencedor de vários festivais, Duda recebeu ainda diversos prêmios nacionais, entre eles o MPB-Shell. No concerto comemorativo aos 100 anos da OEA foi tocada a Suíte Recife de sua autoria e mereceu destaque no jornal The Washington Post, em 1990. Em 1997 assumiu a regência da Banda Sinfônica da Cidade do Recife. Um ano mais tarde foi eleito para a Academia Pernambucana de Música, na cadeira que já pertenceu a Capiba.

(© JC Online)


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