IRINEU FRANCO PERPETUO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
O mundo da música, às vezes, pode ser injusto em suas efemérides.
Entalado entre o 250º aniversário do genial Mozart e o centenário de
nascimento do controvertido Chostakovitch, o pobre Robert Schumann
teve seus 150 anos de nascimento praticamente despercebidos -pelo
menos no Brasil, onde os programadores de concertos pouco fizeram
para celebrar sua memória.
Para dirimir um pouco a lacuna, um dos maiores
concertistas brasileiros da atualidade, o violoncelista Antonio
Meneses, acaba de lançar simultaneamente, na Europa e aqui, um álbum
com criações do mestre do romantismo alemão.
Autor de um dos primeiros concertos para
violoncelo e orquestra românticos a entrarem no repertório do
instrumento, Schumann não deixou nenhuma sonata para o artefato
musical de Meneses. Bem ao gosto do romantismo, preferiu produzir
ciclos de pequenas peças: o disco traz, além de um "Adagio e
Allegro", cinco "Stücke im Volkston" (Peças folclóricas), além de
três "Phantasiestücke" (Peças de fantasia) e quatro "Märchenbilder"
(Peças de contos de fadas).
Aliando lirismo e sonoridade intimista, Meneses
soa como um intérprete ideal para tais peças. Desde que entrou para
o Trio Beaux Arts, em 98, a faceta camerista do violoncelista parece
ter se acentuado; Meneses soa como se tivesse refinado ainda mais o
ouvido e a sensibilidade, para se transformar em um mestre do
fraseado e do cuidado com a sonoridade.
A sonata que complementa o disco não é de
Schumann, mas de Franz Schubert: trata-se da "Arpeggione", escrita
para um instrumento de cordas homônimo que não pegou, tendo sido
adotada com gosto por violoncelistas de todas as gerações.
Da "Arpeggione", Meneses já havia feito um
registro, nos anos 80, com Gilberto Tinetti.
Seria injusto ver em Tinetti qualquer tipo de
déficit, seja ele técnico ou musical, com relação ao parceiro atual
de Meneses, o pianista Gérard Wyss. O que mudou, e muito, foram as
técnicas da gravação, bem como o amadurecimento musical do próprio
violoncelista. Por estes motivos, talvez seja possível preferir a
sobriedade desta gravação à fogosidade que caracterizava o disco
anterior.
SCHUMANN & SCHUBERT
Artista: Antonio Meneses, violoncelo; Gérard Wyss, piano
Lançamento: Selo Clássicos
Quanto: R$ 40
(©
Folha de S. Paulo)
IX Virtuosi
faz uma homenagem ao Maestro Duda
Começou a nona edição do Virtuosi – Festival
Internacional de Música de Pernambuco –, que este ano homenageia o
compositor pernambucano Maestro Duda. A apresentações, que contam
com a participação de mais de 60 artistas, serão realizadas até
domingo, no Teatro de Santa Isabel. O preço dos ingressos varia de
R$ 10 a R$ 30.
Para abrir o evento, o pianista coreano Hugh Sung
apresentou um recital visual com obras de compositores americanos
Griffin e Carollo, além da obra Histoire de Babar com música de
Poulenc e Quadros de uma d exposição, de Moussirgsky.
A nona edição do Virtuosi traz uma novidade. O
evento será estendido para o Salão Nobre do teatro, onde obras que
estão fora da programação do palco principal serão apresentadas.
Nomes de peso da música internacional, como o
pianista austríaco Matthias Soucek, músicos da Rudi Scheidt School
of Music, o duo The Windfire: flute & percussion spectacular, a
violinista Deborah Nemtanu e o pianista François Pinel, também se
apresentam no evento. Na noite em homenagem ao Maestro Duda, o IX
Virtuosi antecipa as comemorações dos 100 anos de frevo apresentando
O frevo como música de concerto.
IX Virtuosi – Festival Internacional de Música de
Pernambuco. De 12 a 17 de dezembro, no Teatro de Santa Isabel.
Ingressos: de R$ 10 a R$ 30. Informações: 3363-0138.
(©
JC Online)
Fotos do
Maestro Duda em exposição no Santa Isabel
Durante
a nona edição do Virtuosi - Festival Internacional de Música de
Pernambuco, algumas imagens que marcaram a carreira do Maestro Duda,
o homenageado do evento, estarão expostas no Teatro de Santa Isabel,
a partir da terça-feira (12). A exposição Um maestro sem
fronteiras reúne 26 fotografias do arquivo pessoal do compositor
em vários momentos de sua vida. A exposição, organizada pela TIM,
patrocinadora oficial do Virtuosi, fica aberta ao público durante o
evento no foyer do teatro, até o próximo domingo (17).
TRAJETÓRIA -
José Ursicino da Silva, o Maestro
Duda, nasceu em 1935, na cidade de Goiana. Aos 8 anos, iniciou os
estudos na música e aos 15, mudou-se para o Recife para integrar a
Jazz Band Acadêmica e a Orquestra Paraguari, da TV Jornal do
Commercio. Em 1953, já como regente e arranjador da Paraguari,
ganhou o segundo lugar do Festival de Música Carnavalesca com o
frevo Homenagem à Princesa Isabel.
Na década de 60 integrou a
Orquestra Sinfônica do Recife e o Conservatório Pernambucano de
Música. Vencedor de vários festivais, Duda recebeu ainda diversos
prêmios nacionais, entre eles o MPB-Shell. No concerto comemorativo
aos 100 anos da OEA foi tocada a Suíte Recife de sua autoria e
mereceu destaque no jornal The Washington Post, em 1990. Em 1997
assumiu a regência da Banda Sinfônica da Cidade do Recife. Um ano
mais tarde foi eleito para a Academia Pernambucana de Música, na
cadeira que já pertenceu a Capiba.
(©
JC Online)