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Em Pernambuco, nova safra no cinema e na música

11/06/2008

Foto de Fred Jordão


Cineastas e bandas que ganharam espaço neste ano preparam novidades para 2007

Flávia Guerra

SÃO PAULO - Se o mundo começa no Recife, a boa safra atual da música e do cinema nacional também deve muito à capital pernambucana. O ano que termina teve momentos memoráveis, como a turnê de Futura, o mais recente álbum da Nação Zumbi, que também prepara DVD da turnê e acaba de lançar o CD ao vivo Propagando. No melhor estilo da simbiose, Pupillo, o baterista da Nação, levou o prêmio de melhor trilha sonora no Festival de Cinema de Brasília por Baixio das Bestas. O longa do ´brother´ Cláudio Assis também levou o prêmio de melhor filme em Brasília.

Antes de enveredar pelo cinema, mais música. A Eddie, de Olinda, responsável pelo clássico Quando a Maré Encher e por resgatar o mestre Erasto Vasconcelos (irmão do também Naná), provou sua vitalidade com o CD Metropolitano e definitivamente encontrou seu espaço no circuito nacional, com turnê que se estendeu por São Paulo, Rio e Minas, entre outros Estados.

Outra muito bem-vinda turnê foi a do também olindense Bonsucesso Samba Clube, que, com Roger (ex-Eddie) fez de Tem Arte na Barbearia o seu melhor disco e seus melhores shows. Deve-se ainda citar Junio Barreto, DJ Dolores, o Selo Instituto, Mombojó (eleita a melhor banda do ano pela APCA), Cordel do Fogo Encantado (que teve seu vocalista Lirinha também escolhido como o melhor compositor do ano pela APCA por Transfiguração).

De volta ao cinema, Pernambuco marcou pontos com Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes, candidato brasileiro à vaga no Oscar. O longa tem produção do pernambucano João Jr., o mesmo de O Céu de Suely, que tem direção do cearense Karim Ainouz, mas é estrelado pela pernambucana Hermila Guedes. A jovem atriz ainda poderá ser vista no já citado Baixio das Bestas e Deserto Feliz, de Paulo Caldas, cujos bastidores estão retratados em Eu Vi o Mundo. Caldas estreou no cinema em Baile Perfumado, com Lírio Ferreira, que dirigiu o ótimo Cartola, que também estréia em 2007.

Com sua nova safra, Pernambuco vai muito além do manguebeat, mas não deixa de comprovar a máxima de Chico Science: "Um passo à frente. E você não está mais no mesmo lugar." 

(© Agência Estado)


Mais cor e luz em 20 anos de cena

Os fotógrafos Fred Jordão, Roberta Guimarães e Gil Vicente lançam hoje o livro Eu vi o mundo..., com o registro da produção pernambucana

OLÍVIA MINDÊLO

É sempre bom lembrar, de vez em quando, que o Recife já existia antes do Manguebeat, da Mundo Livre, de Chico Science, de Baile perfumado, Lírio Ferreira, Paulo Caldas e todas as marcas que vieram, na seqüência, ajudar a carimbar a grife “cultura pernambucana” pelo Brasil e mundo afora. Mas jamais poderíamos deixar de relembrar que a luz que incidiu sobre as cabeças pensantes da cidade, no final dos anos 80, ajudou a florescer não só os manguezais esquecidos da Veneza brasileira, mas a mudar a cor do Recife para sempre.

Os fotógrafos Gil Vicente, Fred Jordão e Roberta Guimarães que o digam. Eles estavam aqui, exatamente nessa época, começando a carreira, e tiveram a sorte de acompanhar de perto a chegada dessas luzes e cores, tão caras ao clique de uma boa imagem. Depois de 20 anos acompanhando a produção do Estado, essa que tomou proporções inesperadas na música, no cinema, no teatro ou nas artes plásticas, o trio resolveu abrir as gavetas, tirar a poeira dos negativos e revelar o que esteve por trás de suas lentes de 1986 até agora. O resultado pode começar a ser visto hoje, às 20h, no restaurante Assucar, na festa de lançamento do livro Eu vi o mundo... , uma compilação de fotografias assinadas pelo trio, com texto do jornalista (e pernambucaníssimo) Xico Sá. A avant-première é só para os convidados (leia-se: quase toda a cena presente no livro, além de alguns agregados da agitada “panelinha”). Rola show de DJ Dolores e As Cubanas, na ocasião.

PÁGINAS – Mais do que reunir imagens de qualidade, o trabalho oferece conteúdo visual e é um precioso documento histórico, um registro de gerações que jamais deverão ser esquecidas. Não se trata de uma catálogo completo sobre a cultura pernambucana nessas duas últimas décadas, mas de uma pincelada de 250 fotografias, segundo o recorte do olhar de cada um dos fotógrafos, sobre essa produção cultural. Nomes importantes do Manguebeat estão lá, claro, mas não foram escolhidos, aparentemente, sob alguma hierarquia. Há apenas seleções de acordo com preferências – estéticas, culturais e, por que não, também afetivas – de quem entende o próprio ofício através de uma relação estreita com o fotografado e com a história que ele representa.

“Tivemos uma preocupação em documentar o período, são fotos autorais, algumas inéditas. É um panorama de 20 anos da cena cultural do Estado e a relação da gente com ela”, conta Fred Jordão.

Legal conferir, no livro, imagens clicadas, por exemplo, em 1998, de bandas como a Devotos, do Alto José do Pinho, ensaiando na calçada, bem à vontade, sem a pompa de quem já estava fazendo uma revolução em sua comunidade – e na cena musical da cidade, especialmente de punk rock e hard core.

O cinema pernambucano, de curta e longa-metragem, renderam também ótimas fotografias no livro, particularmente dos filmes consagrados, como o still feito por Gil Vicente para Cinema, aspirinas e urubus, longa de Marcelo Gomes marcado pela luz especial, e do próprio Baile perfumado, de Lírio Ferreira e Paulo Caldas, clicado por Fred Jordão. Mas há também fotos de filmes que nem estrearam ainda, como Deserto feliz, de Paulo Caldas.

Depois de passar pela sétima arte e pela menina dos olhos da manguecéia, a música, o livro passeia também por produções e personalidades do teatro, como João Falcão e Fabiana Pirro, das artes plásticas, a exemplo de Jeanine Toledo, Gil Vicente e Christina Machado, além de bares e outras paisagens que ajudaram a deixar esta cidade bem mais interessante.

(© JC Online)


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