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11/06/2008
Cepe
lança em edição de luxo uma série de cromolitografias de Pernambuco
feito pelo alemão Emil Bauch em 1852
PAULO SÉRGIO SCARPA
A impressão caprichada da série de doze cromolitografias feita no
Recife pelo artista plástico alemão Emil Bauch em 1852, sob o título
geral de Souvenir de Pernambuco chega ao público como presente de
fim de ano e marca também a despedida da atual gestão à frente da
Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), uma das mais rentáveis empresa
do governo do Estado. A impressão só foi possível graças a uma parceria
com o Instituto Ricardo Brennand (IRB), na Várzea, que forneceu as
imagens originais. Emil Bauch nasceu em Hamburgo em 1823 e morreu no Rio
de Janeiro em 1890.
A cromolitografia é a litografia colorida resultante da impressão em
pedras ou chapa de metal em que as diversas partes da cena foram
separadamente gravadas. Cada cena tem, em média, 290 x 540 mm. Segundo
Gilberto Ferrez, bisneto de Zéphyrin Ferrez (escultor da Missão
Artística Francesa que chegou ao Rio em 1816) e neto de Marc Ferrez
(mestre pioneiro da fotografia no Brasil), a coleção foi desenhada por
“um hábil artista litógrafo, que transpôs para a pedra desenhos
executados com meticulosidade fotográfica, retratando aspectos do
Recife, Olinda e arredores”. Ele observa ainda que “o colorido é
delicado e todas as estampas nos encantam à primeira vista”.
Ao confirmar que as estampas foram impressas na Alemanha ou na Suíça,
Ferrez aponta que o desenho da parte arquitetônica do Recife é fiel e
meticuloso, porém de traços duros. “Já os personagens e animais, que
tanto relevo dá a estas estampas, são bem observados e com
naturalidade”. E dá uma explicação sobre a precisão do desenho: “Uma
hipótese explicaria esta diferença de estilos: o pintor teria copiado de
daguerreótipo ou fotografias toda a parte arquitetônica”.
Não é sem razão que a coleção de Emil Bauch é considerada o mais belo
álbum de vistas do Recife produzido no século 19. Por este motivo, a
iniciativa da Cepe merece justificativa de Marcelo Maciel, presidente
que se despede da empresa: “O álbum democratiza o acesso a uma obra
importante para quem quer pesquisar sobre nosso passado, mas também, por
outro, divulga uma série de obras de arte que podem deleitar e instruir
qualquer um que se interesse pelo ser humano e a evolução da sociedade
através dos tempos”.
A obra de Emil Bauch é analisada pelo jornalista e historiador
pernambucano Leonardo Dantas Silva, do Conselho Estadual de Cultura, que
assina a organização e o estudo introdutório. “Dentre os artistas
itinerantes que estiveram em Pernambuco no século 19 destaca-se a figura
de Emil Bauch, um jovem de Hamburgo de cerca de 30 anos a quem se deve
às mais belas cromolitografias do Recife e Olinda anunciadas pela
imprensa em 1852.
Com a precisão de uma máquina fotográfica e colorido suave, Bauch
retrata o Recife e seus arredores em doze belas estampas reunidas no
conjunto por ele denominado de Souvenir de Pernambuco”, diz o
organizador. Leonardo conta que as mais significativas cenas do Recife
naquele meado do século “aparecem com grande destaque, entre tipos
humanos a retratar os usos e costumes de um dos mais modernos centros do
Império do Brasil”. E observa: “O que se tornou raro, com o passar de
mais de 150 anos, hoje volta ao alcance dos interessados”.
(©
JC Online)
Bauch retratou cenas cotidianas e
paisagens pernambucanas

Quando Emil Bauch desembarcou no Recife encontrou uma cidade em
notável surto de progresso iniciado no governo de Francisco do Rego
Barros, depois Barão, Visconde e Conde da Boa Vista, que governou o
Estado entre 1837 e 1844. Ele teve como diretor de Obras Públicas o
francês Louis Léger Vauthier, autor do projeto do Teatro Santa
Isabel.
A cidade tinha cerca de 70 mil habitantes em 1852. E já tinha a
Associação Comercial de Pernambuco (1839), A Sociedade de Medicina
(1841), o Palácio do Governo (1841), a conclusão das obras do
serviço de abastecimento de água da Companhia do Beberibe (1846), as
linhas de transporte urbano para Olinda e Apipucos (1847), o Teatro
Santa Isabel (1850), o Gabinete Português de Leitura (1851), o
Cemitério Público de Santo Amaro (1851) e assistia o início das
obras da Estrada de Ferro Recife-São Francisco. Todos esses
melhoramentos aparecem nas cromolitografias de Bauch. Não foi à toa,
então, que o artista alemão anunciava, em cinco de janeiro de 1852,
no Diario de Pernambuco: “Quem quiser utilizar-se dos seus
préstimos, é rogado dirigir-se à casa de sua residência, na Rua do
Trapiche Novo nº 15, 3º andar”.
Pernambuco foi motivo de uma impressionante coletânea de imagens,
que se transformou em fonte de estudo para os mais diversos
especialistas, lembra Leonardo Dantas Silva. Recife e o Estado foram
retratados por artistas como Frans Post, Albert Eckhout, Zacarias
Wagener, Georg Marcgrave, Cornelis Golijath, Johannes Vingboons,
Gills Peeters, dentre outros.
A coleção, que chega protegida por capa dura coberta por tecido e
as gravuras por finíssima película protetora, já está nas livrarias
da cidade e no IRB. Tiragem de 800 exemplares. Preço: R$ 150.
(©
JC Online)
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(arquivo NordesteWeb)
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