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06/11/2000

Caçada aos dinossauros brasileiros


   No ano passado, cientistas do Departamento de Geologia e Paleontologia do Museu Nacional, no Rio, organizaram uma exposição sobre dinossauros. A expectativa inicial, de atrair 20 mil pessoas em três meses, foi mais do que superada: 240 mil compareceram à mostra, número superior ao dos visitantes da exposição do pintor Picasso, em cartaz na mesma época na cidade. Os cientistas garantem que o sucesso da exposição foi o ponto de partida para a criação do projeto "Em busca dos dinossauros", que começa em janeiro e será a maior expedição já realizada para coletar fósseis dos animais pré-históricos, percorrendo mais de dez mil quilômetros do território nacional.

   Resultado de uma parceria inédita entre o museu da UFRJ, uma empresa organizadora de viagens para regiões de difícil acesso e a ONG Centro de Cultura, Informação e Meio Ambiente (Cima), a expedição levará 20 cientistas - acompanhados de técnicos que gravarão um documentário sobre a empreitada- a três áreas do Norte e do Nordeste do Brasil: Chapada do Araripe (nos estados de Ceará, Pernambuco e Piauí), Sousa (Paraíba) e Baía de São Marcos (Maranhão). Nos dois meses de escavações, os caça-dinossauros pretendem coletar amostras de esqueleto, crânio e, se a sorte ajudar, até tecido mole e vasos sangüíneos de dinossauros suficientes para classificar cinco novas espécies de animais.

   O trabalho levará cerca de dois anos para ser concluído.

   - Das mil espécies hoje classificadas no mundo, conseguimos reunir provas da existência de apenas oito delas no Brasil, algumas de extrema importância, como a do Santanaraptor, em ótimo estado de preservação, cujo DNA deverá ser analisado em breve. Esperamos aumentar consideravelmente este número, pois acreditamos que as regiões estudadas possuem fósseis em ótimo estado de conservação de dinossauros que viveram entre 225 e 80 milhões de anos atrás- diz o paleontólogo Sérgio Luiz Azevedo, do Museu Nacional.

   Azevedo pergunta:

   - Quem sabe descobriremos outras espécies que a ciência desconhece?

   Um dos grandes objetivos da expedição é aprimorar estudos sobre o espinossauro, um carnívoro de aproximadamente dez metros de comprimento, cujo crânio foi reproduzido recentemente no Museu Nacional.

   - Já achamos dentes da espécie no Brasil e reconstituímos fielmente o crânio com base em pesquisas e fósseis encontrados na África. Como há milhões de anos aquele continente era unido ao nosso, é quase certo termos um número grande de fósseis de espinossauros espalhados pelo Brasil - diz o paleontólogo Alexander Kellner, do Museu Nacional, que também participará da expedição. (Mariana Timóteo da Costa, OG)

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