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08/11/2000

Jangadas abrem suas velas às cores da pintura pernambucana

   Lugar de jangada é no mar, disso ninguém duvida, mas a noite de hoje reserva um lugar diferente para a embarcação mais tradicional das praias nordestinas. A partir das 19h30, na praça Barão de Rio Branco (Marco Zero), a Nordeste Segurança e a Hera Sagitário Galeria de Arte promovem o coquetel de inauguração da exposição Arte Verão. Além de uma dezena de telas criadas por dez artistas pernambucanos, a mostra apresenta dez jangadas de tamanho natural (com velas de 5 metros de altura), usadas como suporte para reprodução gigante das pinturas.

   As embarcações ficam no Recife Antigo até segunda-feira, quando, pela manhã, serão levados a Porto de Galinhas para fazer os tradicionais passeios com turistas. “Se as jangadas já velejavam estampando merchandising nas velas, por que não colocá-las no mar com a assinatura de artistas plásticos”, diz Elisabeth Ferraz que, junto a Dolly Dallanora e Fátima Gundes, ficaram responsáveis pela curadoria da exposição. E já que as ‘obras de arte ambulante’ vão ficar a mostra no mar, de sol a sol, por vários meses, o tema não podia ser outro senão o verão.

   Na pintura de Isa Pontual, intitulada de Segurando o sol com a mão, a artista usou muito amarelo e azul. “Sabemos que os ‘quadros-velas’ serão vistos da praia. Logo imaginamos que não poderíamos usar muitos elementos no espaço da vela, para facilitar a leitura de quem vê o trabalho ao longe”, explica.

   Já Bernardo Dimenstein usou as imagens da lua, do sol e do peixe para representar, respectivamente, a mãe, o pai e o filho do mar. Dimenstein ainda encontrou espaço na vela de sua jangada para homenagear a comunidade de Brasília Teimosa.

   Trabalhando pela primeira vez com um suporte tão grande – a forma triangular das velas medem cinco metros de altura, por quatro de largura em sua base –, os artistas não tiveram muito tempo para se adaptar a nova modalidade de arte. Todas jangadas foram pintadas na semana passada, no galpão do Teatro Armazém.

   “O fato de a vela não ser esticada como uma tela, dificultou um pouco, mas tive medo mesmo quando via que a tinta não ‘entrava’ no tecido impermeabilizado da embarcação. Foi preciso pintar como quem raspa uma superfície”, conta Dimenstein.

   Para suportar o desgaste do sol, tanto Isa e Dimenstein quanto os outros oito artistas (Fernando Guimarães, José Alves Moura, Pedro Dias, José Goiana, José Carlos Viana, Ana Veloso, Maria Carmen e José Ferreira) utilizaram uma tinta semelhante a utilizada em silk-scream para confeccionar as pinturas nas velas. (LUIZ JOAQUIM, JC)

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