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13/11/2000

Recife surpreende diretores do Museu Guggenheim

   A palavra final sobre onde deverá estar localizado o Museu Guggenheim do Brasil será dada somente em junho de 2001, mas a comitiva do Museu Guggenheim de Nova York que esteve no Recife, sábado passado, surpreendeu-se com a beleza da cidade ao conhecer seis locais num sobrevoou de helicóptero patrocinado pelo Governo do Estado. O que mais teria despertado o interesse dos norte-americanos, na avaliação de Humberto Mota, diretor-executivo do Projeto Guggenheim no Brasil e presidente da Agência de Desenvolvimento do Rio de Janeiro, foi a área dos armazéns no Porto do Recife. Um local privilegiado porque banhado pelo Rio Capibaribe e voltado para Olinda e muito semelhante ao que a Fundação Guggenheim encontrou em Bilbao, Espanha, onde construiu o seu mais novo museu.

   “Recife tem muitos pontos interessantes e paisagem muito forte”, afirmou Thomas Krens, presidente da Fundação Guggenheim, tentando, a todo o custo, evitar qualquer demonstração de preferência por uma das quatro cidades que disputam o museu (Rio de Janeiro, Curitiba, Salvador e Recife), antes das conclusões dos estudos de viabilidade econômico-financeira e social que serão feitos em Nova York. “Mas Salvador também suas vantagens”, esquivou-se.

   A comitiva, da qual fez parte o arquiteto Frank Gehry, autor do projeto do Museu de Bilbao, conheceu o Parque dos Manguezais, o Complexo Joana Bezerra, o Cais José Estelita, o Bairro do Recife, a fábrica Tacaruna e o Memorial Arcoverde. “O que irá decidir a construção do museu é a conjugação de vários elementos: a vontade da comunidade, a viabilidade financeira, os benefícios sociais”, resumiu Thomas Krens em entrevista no Hotel Atlantis. A informação que mais surpreendeu, entretanto, foi a que o Brasil poderá ter um, dois ou até três museus. “Tudo dependerá dos estudos e da vontade dos brasileiros”, contou.

   Thomas Krens e Frank Gehry frisaram, diversas vezes, que a instalação de um Guggenheim numa cidade provoca muitas mudanças sociais, não só pelos empregos e impostos que gera. E que o desenvolvimento social de uma comunidade é tão importante para a fundação quanto a divulgação da cultura. Em Bilbao, a cidade precisava ser transformada porque ainda vivia de um passado voltado para o porto e parque industrial. O porto já não funcionava totalmente e as indústrias foram substituídas pelo setor de serviços. Qualquer semelhança com Recife não é mera coincidência. (Paulo Sérgio Scarpa, JC)

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