Notícias

18/12/2000

Da jovem guarda ao reinado do brega 

   Reginaldo Rossi fez show, sábado, no Clube Português, comemorando 35 anos de carreira. Poucos cantores pernambucanos desfrutaram de tanta longevidade nos palcos. Como grande vendedor de discos, e com permanente sucesso popular, definitivamente ninguém ultrapassou sua marca de permanência sob os spotlights. É com idêntica simplicidade com que degusta seu feijão, arroz, frango de cada dia (seu prato predileto), que Reginaldo Rossi comenta a efeméride: “Foram 35 anos de bons e maus períodos, mas isto são fases que têm que haver. É uma maravilha enfrentar o sucesso, mas se tem que ter consciência de que a vida é feita de imprevistos”.

   Desde que sua carreira teve uma retomada triunfal, há três anos, a estrada tornou-se sua casa: “Tem uma série de programações pra cumprir, é uma coisa cansativa, mas também muito gratificante”, a conversa é por telefone. Rossi havia acabado de chegar de Açu, no Rio Grande do Norte, e partia para uma entrevista no programa de Geraldo Freire.

   Em meados dos anos 60, Pernambuco perdia um engenheiro e ganhava um artista. ainda estudante do curso Científico, Reginaldo Rossi e alguns amigos (entre eles Fernando Filizzola, que nos anos 70 seria um dos fundadores do Quinteto Violado) fundaram um dos primeiros conjuntos de rock do Nordeste, os Silver Jets. Sem falsa modéstia, Reginaldo Rossi diz que os Silver Jets foram para o Nordeste o mesmo que os Beatles para o restante do mundo (sic). Era o grupo que acompanhava os ídolos do iê iê iê de passagem pelo Recife, que tocava nas mais finas casas noturnas da cidade . Entre os que o Silver Jets acompanhou esteve, obviamentem Roberto Carlos Porém foi com Sérgio Murilo, rival de RC na CBS, que Reginaldo Rossi teve a oportunidade de ver gravada uma canção com a qual ele já fazia sucesso no Recife: O Pão.

   Esta música no entanto só estouraria nacionalmente depois de gravada pelo autor. Em 1965 ele deixaria o Silver Jets e iniciaria carreira solo (daí os 35 agora comemorados), a fama que desfrutava no Nordeste, fez com que fosse convidado pela RGE para gravar um compacto em São Paulo. “Acabei gravando dois LPs e logo fui contratado pela CBS”, conta Reginaldo Rossi, que passou dez anos nesta gravadora. Sua carreira fonográfica foi feita basicamente na CBS (atual Sony Music), e EMI, com um ou outro disco lançado por gravadoras menores.

   Com o final da Jovem Guarda, a maioria dos que dela participavam tiveram que, assumir os versos da canção famosa: sentar à beira do caminho e, a exemplo de Erasmo Carlos, decidir que rumo tomar. Em 1980, com o mercado para músicos populares sofrendo uma retração, Reginaldo Rossi, que havia passado cinco anos sem gravar disco de inéditas, resolveu voltar a morar em sua cidade natal. O Recife tornou-se ponto de apoio para atingir as os demais Estados do Norte/Nordeste. “Pintou um movimento, meio esquerdista, foi aí que apareceu a divisão brega-chique. Ou você cantava MPB e era chique, ou o romântico e era brega. Depois chegou a FM, e surgiu até cantor de FM”, ironiza ele. (JOSÉ TELES, JC)

Google
Web Nordesteweb