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21/12/2000

Motel de João Pessoa abriga arena teatral

   Em vez de camarotes, suítes. Um motel do município paraibano de Cabedelo (18 km ao norte de João Pessoa) construiu um coliseu nos moldes da Roma antiga e contratou um diretor e 11 atores para encenar quadros eróticos.

   O palco, em formato de arena, é cercado por 42 suítes. Nelas, os amantes vêem o show ocultados por vidros fumê. Os artistas jamais são aplaudidos pela platéia, aqui em sua plenitude voyeur.

   A defender o inusitado desse projeto, que se pretende artístico, está Everaldo Pontes, ator do grupo Piolim, dirigido por Luiz Carlos Vasconcelos. Ele interpreta o primo Ribeiro na premiada montagem de "Vau da Sarapalha" e acaba de fazer uma participação no novo filme de Walter Salles, "Abril Despedaçado".

   "Eu sempre quis montar um espetáculo baseado na chanchada do cinema brasileiro, no teatro de revista, nos musicais bregas, na boca do lixo, enfim, gêneros que acabaram servindo como referência para os cerca de 60 quadros criados até aqui", diz Pontes, 43.

   O coliseu foi aberto em dezembro de 98 como extensão do motel Pigalle, que funciona na região há 18 anos. Segundo o proprietário Cláudio Freitas, hoje são 82 quartos, mas apenas as suítes (42) têm acesso visual às 16 sessões semanais, que acontecem de quarta a domingo. Sexta e sábado são as noites de pico, com apresentações às 20h, 22h, 0h e 2h.

   As sessões trazem sete números de dez a 30 minutos cada. Há os chamados quadros âncoras, como "Cabaret Flor da Paraíba" (comédia sobre uma casa de shows decadente que recorre ao vaudeville para atrair a freguesia) e "O Descobrimento Erótico do Brasil", paródia sobre os 500 anos.
De acordo com o dono, a atração não implicou aumento no preço das suítes (atualmente entre R$ 23 e R$ 58, por duas horas).

   Freitas diz que não copiou a idéia. Desconhece outro motel-teatro no Brasil ou no exterior. No entanto, admite que o glamour da Broadway, distrito teatral de Nova York, exerceu certa influência. Tanto que vai estrear na próxima semana o quadro "O Fantasma da Ópera", uma versão picante do musical. "O sexo é insinuado, jamais explícito", afirma.

   "Como o vídeo erótico é forte atrativo para os clientes, achei que a exibição ao vivo iria entusiasmá-los ainda mais", diz Freitas, 51. A resistência por parte da população, diz, diminuiu ao longo dos dois anos, mas não acabou.

   "No fundo, mesmo quem critica acaba dando uma brechada", diz Freitas, usando expressão corrente na Paraíba que designa uma espiadela no buraco da fechadura. (Valmir Santos, FSP)

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