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26/12/2000

Delícias do território forró

  Duas delícias do território livre do forró podem ser o alívio imediato para ouvidos e corpos cansados de renas, neve artificial, bimbalhar de sinos e harpas de gosto duvidoso. Xodó do Brasil, da veterana Anastácia, e Forró da Baronesa, de Gereba, oferecem razões de sobra para reverter a ressaca e mergulhar na música brasileira cheia de humor, malícia e ironia.

   Parceira de Dominguinhos em temas conhecidos como Só Quero um Xodó , Tenho Sede e Forró em Petrolina, Anastácia revê estas e outras obras próprias num disco que é uma espécie de retrospectiva de carreira, com direito a participações do parceiro mais ilustre em Tenho Sede e de Cézar do Acordeon em Forró em Petrolina.

   Entre as melhores faixas estão um pot-pourri de xotes, outro de arrasta-pés, uma homenagem a Gonzagão em Vamos Dançar Xote , uma crítica explícita à invasão do Nordeste pelo reggae: Confesso já não güento, espero que ninguém negue/ meu xote nordestino agora virou reggae.../ esse tal de reggae pra nós sempre foi xote.

   Ex-integrante do grupo Bendegó e parceiro de Capenga numa dupla de sustância, o baiano Gereba apresenta seu primeiro disco individual desde o épico e subvalorizado Canudos. Menos exuberante, mas não menos animado do que o CD de Anastácia, Forró da Baronesa traz o autor acompanhado de Oswaldinho, Milton Edilberto, Bernadete França e Turcão (Tarancón), fazendo uma ponte do Nordeste que lhe dá inspiração com a São Paulo onde mantém contato com a música urbana e a MPB.

   Chamado pelo suíço inventor de instrumentos Walter Smetak de Gerebach , pela qualidade de sua música, Gereba, ou Winston Geraldo Guimarães Barreto, consegue convidar o corpo ao baile homenageando Hermeto Pascoal (Cinema do Hermeto), o rio São Fancisco (Nas Asas do Velho Chico) e a empresária e festeira Lu Brandão, a baronesa da música-título.

   Parceiro de autores conhecidos dos mineiros, como João Bá, Saldanha Rolim e Carlos Pitta, Gereba, ao contrário de Anastácia, prega uma democracia de ritmos e gêneros em Tudo liga tudo , com letra de Tuzé de Abreu: lá no forró, na timbalada, no salão/ no samba-reggae, Candeal/ no pagode, no carnaval meu bem/ tudo liga tudo. (Kiko Ferreira, EM)

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