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02/12/2002 'A pobreza do sertão continua, passados cem anos' Autora de um dos mais importantes romances regionalistas brasileiros, O Quinze, e de uma extensa obra enraizada no Nordeste, a escritora Rachel de Queiroz afirma que "Os Sertões foi o primeiro livro que trouxe à consciência do País uma imagem do sertão". Em vez de responder às perguntas propostas pelo Estado, ela preferiu conceder um depoimento sobre o livro, transcrito abaixo. (H.C.S.) "Os Sertões foi o primeiro livro que trouxe à consciência do País uma imagem do sertão do Nordeste. É um livro clássico, sobre o qual muitos falam; poucos o leram. É dos Sertões, o dito que mais ficou sobre o caráter do homem do sertão: "O sertanejo é, antes de tudo, um forte." Euclides da Cunha representava o que havia de mais avançado no Brasil, do ponto de pensamento, que era o positivismo das academias militares de engenharia. Ele acreditava que a campanha de Canudos era um avanço das forças modernas sobre o atraso, messiânico e monarquista, de um bando de fanáticos. Grande é a sua decepção, revelada ao longo do livro, ao constatar que as forças que representariam o Brasil moderno, as colunas militares que avançaram contra Canudos, eram um ajuntamento desorganizado e sem método, não muito diferente dos jagunços que combatia. Por isso, Canudos é como uma viagem à prática, do acadêmico de manuais. Os Sertões é uma reportagem científica da terra do sertão, uma descrição do caráter do sertanejo, de suas virtudes, de sua miséria. A pobreza do sertão continua, passados cem anos da obra, a desafiar as mentes dos planejadores científicos do Brasil." (© O Estado de S. Paulo)
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